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12 de fevereiro de 2017 - 23h19

Instituto de Química da UFMS realiza a 1ª Escola de Verão em fevereiro

Projeto de extensão atenderá escolas de Educação Básica do sistema público e particular e capacitará alunos de graduação em Química

LETICIA BUENO E RAFAELA FERNANDES
A Escola de Verão de Química tem como um dos objetivos motivar alunos para o ensino superiorA Escola de Verão de Química tem como um dos objetivos motivar alunos para o ensino superior  (Foto: Rafaela Fernandes)

O projeto “1ª Escola de Verão de Química” vai oferecer aulas experimentais para estudantes do ensino fundamental, médio e técnico das escolas públicas e privadas, para reforçar a educação básica nas áreas da ciência e tecnologia, além de aproximar os alunos ao ambiente universitário. A ação é coordenada pela Instituto de Química (Inqui) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e será realizada entre os dias 13 e 24 de fevereiro de 2017, em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e as escolas de Educação Básica do estado.

O pró-reitor de Extensão, Cultura e Esportes (Proece) da UFMS, Marcelo Fernandes afirma que o objetivo dos projetos de extensão é aplicar os conhecimentos aprendidos nas aulas para solucionar questões sociais. “Um pensamento mais tradicional da extensão seria que ela faria o contrapeso do ensino – no ensino, os professores ensinam os acadêmicos e na extensão, os acadêmicos ensinam a sociedade – mas essa é uma visão conservadora. Na extensão nova, a comunidade externa indica demandas e ela não se resume em levar o conhecimento acadêmico para a comunidade, mas com o conhecimento acadêmico resolver problemas da comunidade”.

O professor do curso de Química da UFMS e coordenador do projeto, Ivo Leite ressalva que o objetivo é receber alunos de escolas públicas e particulares e utilizar os experimentos, visitas aos laboratórios e conversas com pesquisadores da área para motivar o ingresso no ensino superior. “Nós somos a maior universidade do estado, além de ser a mais antiga, e, portanto, temos uma responsabilidade de formação há muito tempo. O envolvimento da nossa Instituição para o público precisa ser mais atuante e a Escola de Química vem nesse sentido. A gente também quer que os outros cursos pensem qual outra maneira de atrairmos jovens para conhecerem a nossa Instituição”. 

O pró-reitor Marcelo Fernandes reforça a importância de inserir estes estudantes na rotina universitária. “A vantagem está não só em melhorar o aproveitamento dos alunos nas disciplinas que vão ser ensinadas, mas muito mais em colocar o aluno do ensino médio no ambiente acadêmico. A ideia da Escola de Verão é trazer os alunos para o ambiente acadêmico e despertar o interesse mostrando nossa instituição, porque ela acaba ficando separada da vida cotidiana desses jovens e depois eles fazem o Enem, e acabam caindo aqui dentro sem saber direito o que acontece por aqui. Isso faz com que no futuro a escolha dele como acadêmico seja muito mais consciente”.

O coordenador do projeto ressalta que a média da faixa etária dos mais de 102 inscritos é de 15 e 16 anos, e a maioria delas são mulheres. “Eu fiz uma prévia desses alunos que estão se inscrevendo, de onde ele vem e tudo mais. A primeira grande surpresa e feliz para a gente é que o público é eminentemente feminino”. De acordo com ele, as escolas que tiveram maior número de inscritos foram o Colégio Militar, Instituto Federal de Educação e alunos das cidades de Bandeirantes, Ponta Porã, Coxim e Aquidauana.

A professora do Instituto Federal de Coxim (IFMS), Felícia Ito explica que a cooperação entre as Instituições de ensino é importante para os jovens se interessarem na produção científica e tecnológica de uma universidade. “Muitos jovens não conhecem a realidade de uma universidade e como é uma pesquisa científica, já que em algumas cidades não possuem um campus. Mostrar a esses jovens antes de chegar ao ensino médio, seria uma orientação para a escolha do futuro e um incentivo a conhecer mais um pouco de ciência e tecnologia, seja em áreas da natureza, engenharia, exatas e humanas”.

Para Felícia Ito, o projeto é importante para formar profissionais capacitados e uma alternativa de melhorar o ensino. “É um caminho para os professores, estudantes de graduação e pós-graduação repensarem no que estamos fazendo e como podemos melhorar o nosso ensino. Além disso, é uma boa oportunidade para mostrar o que fazem cada faculdade, instituição ou grupo de pesquisa”.

   As oficinas serão ministradas no Inqui (Foto: Rafaela Fernandes)

O projeto oferece 18 oficinas que serão ministradas por alunos do quarto e quinto ano em licenciatura do curso de Química, além de palestras e debates com professores, pesquisadores e profissionais da área. Para Ivo Leite, é importante para a graduação dos acadêmicos ter a experiência prática de ministrar aulas em um curso de verão. “O nosso curso é de licenciatura e os alunos estão cumprindo a parte de estágio, só que nesse período de janeiro e fevereiro, as escolas não estão funcionando. Então pensamos que [o curso] seria uma forma real desses nossos graduandos, que já estão se formando, terem contato com essas escolas”.

A acadêmica Letícia Barbosa Serrou da Silva será a ministrante da oficina de Produção de Biodiesel e explica que para a preparação de um minicurso é preciso escolher um tema que motivará as pessoas a assistir às aulas. “A primeira etapa é escolher um tema que dê uma motivação para o aluno fazer esse curso. Nós tivemos que escolher esse tema e buscamos todo tipo de informação sobre ele em artigos, sites com conteúdos fundamentados, fizemos toda uma pesquisa em relação ao tema biodiesel, além de pesquisar um programa de coleta de óleo aqui no nosso estado”. 

Letícia Barbosa afirma que é a experiência prática que prepara os acadêmicos de licenciatura para o mercado de trabalho. “Nós, acadêmicos, só aprendemos a dar aula na prática. Para você escolher sua metodologia de como será a sua aula, como você acha que seus alunos irão conseguir compreender você, são nesses momentos [de aula prática]. Organizando o curso, eu também preciso escolher uma metodologia, uma sequência didática, então a gente precisa montar tudo isso pro aluno. No meu minicurso eu consigo aprender como ministrar uma aula sobre esse assunto, além da importância desse contato com o jovem, porque eles são nosso público alvo”.

Monaliza Martins também é acadêmica de Química e ministrará o curso sobre a Química dos Perfumes. Ela afirma que o fato dos estudantes participarem da Escola de Verão pelo interesse em aprender é diferente da realidade encontrada nas escolas, onde eles estão nas aulas por obrigação. “A experiência desse minicurso para mim é que eu vou ter um contato, uma experiência diferente com o aluno, porque ele quer aprender sobre química, então o interesse dele vai ser um pouco maior em relação à sala de aula, o dia a dia escolar”.

De acordo com Leite, o curso também capacitará os alunos inscritos a serem monitores de laboratório em suas escolas. “A nossa ideia da criação de monitores é que esses alunos que vem para essa Escola de Verão, eles possam exatamente se sentir mais próximos ao uso de laboratório e ajudar o professor na escola dele. Para que ele possa começar a usar os espaços de laboratórios que têm nas escolas”.

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