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4 de dezembro de 2016 - 23h04

Projeto da UFMS monitora incidência de raios em Campo Grande

Rede de sensores disponibiliza dados em tempo real pela internet

JOÃO FUSQUINE, LARISSA MORETI E LARISSA VIZONI
O astrofísico Moacir Lacerda explica o funcionamento do sensor que detecta os raiosO astrofísico Moacir Lacerda explica o funcionamento do sensor que detecta os raios  (Foto: Larissa Vizoni)

O Projeto Alerta Raios, desenvolvido no Laboratório de Ciências Atmosférias (LCA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), criou uma rede de sensores para monitorar tempestades e incidência de raios em Campo Grande. O sistema consegue prever onde ocorrerá a incidência com uma antecedência de 15 a 20 minutos. De acordo com dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat-Inpe), Mato Grosso do Sul possui a quinta maior densidade de raios do país, com 4,24 milhões de raios por ano.

Segundo o geofísico espacial e coordenador do projeto, Moacir Lacerda os aparelhos disponíveis no mercado fazem o monitoramento a partir da queda do primeiro raio, e “a única forma de descobrir o primeiro raio era estudando a atividade elétrica dentro da nuvem e, para isso, a gente precisava de um sensor caríssimo disponível no mercado internacional. Aí tivemos a ideia de desenvolver nosso próprio sensor”. O aparelho é feito com uma placa de computador, a qual transmite informações em tempo real, na página na internet do Laboratório; dois discos de metal que cobrem a parte interna e um conjunto eletrônico que amplifica o sinal transmissor. A proteção externa é feita com uma leiteira de alumínio.

Lacerda explica que o projeto inicial não obteve investimentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e que os recursos provém de uma parceria com o Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP), que permitiu desenvolver os primeiros sensores. Lacerda afirma que existem cinco aparelhos espalhados por Campo Grande, distribuídos de acordo com uma lista de critérios. “Se existir segurança, possibilidade de se conectar à internet e uma área livre para não haver interferência de objetos próximos, o sensor pode ser instalado”. 

 
Sistema é desenvolvido no LCA (Foto: João Fusquine)

O geofísico afirma que veio para Mato Grosso do Sul estudar o tema motivado pela alta incidência de raios no estado e pela inexistência destes estudos na região. O trabalho é desenvolvido desde 2009 e os sensores são produzidos no próprio Laboratório de Ciências Atmosféricas (LCA), localizado no complexo de salas do estádio Morenão. Segundo Lacerda, indústrias e empresas demonstraram interesse em fabricar o sistema.

O projeto atua em parceria com a Escola Estadual Amélio de Carvalho Baís, um dos cinco locais que possuem o sensor, localizada no bairro Coophatrabalho. Uma oficina extracurricular de meteorologia foi criada com a participação de um ex-acadêmico, na qual os alunos do ensino médio podem conhecer a montagem, o funcionamento e a leitura dos dados emitidos pelo aparelho.

O estudante do curso de Engenharia Elétrica, Felipe Zeferino, 22, é um dos bolsistas do projeto e participou das apresentações promovidas na escola. “Na hora que você fala que está fazendo o sensor, uma coisa muito teórica eles não vão muito, mas quando você mostra o que o sensor faz, mostra o gráfico, o site e tudo por trás disso, eles se interessam mais”. 

Prejuízos comuns

A alta incidência de raios na região faz com que acidentes físicos e materiais sejam frequentes. A empresária Leilane Jacques, 29, teve uma televisão queimada e afirma que vizinhos também perderam eletrodomésticos após a queda de um raio próximo ao condomínio onde mora.

Moacir Lacerda explica que outro objetivo do projeto é ajudar essas pessoas por meio dos alertas e afirma que é possível criar um sistema eficaz contra os raios com protetores de surtos. "A empresa de energia deve se responsabilizar pelos danos. Talvez a conta que eles façam seja a seguinte: é mais fácil reembolsar as pessoas do que colocar uma proteção. Fazer uma proteção é caro, mas é possível”.

Em situações como essa, é direito do consumidor exigir o ressarcimento do produto danificado em até 90 dias. Caso o problema não seja resolvido, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) deve ser contatada.

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