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EDUCAÇÃO

Corte no orçamento afeta a UFMS e estudantes usam renda pessoal em projetos

O Governo Federal cortou R$ 20 milhões no orçamento da UFMS em 2017

Clayton Ambrosio, Estevan Oelke e Vitor Ilis, de Campo Grande31/10/2017 - 05h59
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A Proposta de Lei Orçamentária do Governo Federal de 2017 (PLOA) cortou R$ 20 milhões de investimentos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).  Segundo informações divulgadas pela Universidade na internet, desse corte cerca de R$ 12 milhões seriam destinados ao ensino, pesquisa pós-graduação e extensão. Alunos e professores da UFMS realizam a divulgação de pesquisa e recebem premiações nacionais com investimento pessoal.

A estudante Clara Hayashi faz parte do Laboratório de Sistemas Computacionais de Alto Desempenho (LSCAD) da Faculdade de Computação (FACOM), apresentou seu projeto de pesquisa experimental no 6º Simpósio de Engenharia de Sistemas de Computação (SBESC). O experimento, que foi premiado no ano passado, é uma plataforma eletrônica para monitoramento de fontes de água, e ficou com a 4ª colocação geral na Competição de Sistemas Embarcados da Intel.

Clara Hayashi afirma que mesmo antes do corte de investimento do PLOA/2017, a UFMS deixou de oferecer recurso ou auxílio direto para a produção da plataforma estabelecida no projeto, e que todo o material utilizado foi adquirido com recursos próprios. Segundo a estudante, ao ser premiada a Universidade disponibilizaria o transporte para que fosse à Santa Catarina, e devido a burocracia desistiu do recurso. “O requerimento de auxílio não era muito específico quanto a documentação necessária, quando íamos entregar nos informavam que faltava alguma coisa. Eu desisti de pedir o auxílio pois estava demandando muito tempo. Os membros que conseguiram, só o receberam depois que já havíamos voltado do evento, se não tivéssemos investido recursos próprios talvez nem teríamos ido.”

Instituto de Química

O professor e diretor do Instituto de Química da UFMS (INQUI), Lincoln de Oliveira afirma que foram muitos os impactos do corte de investimentos no curso de Química. Segundo Oliveira foram cortados 50% das verbas destinadas aos materiais essenciais para as aulas laboratoriais, chamados de reagentes, que além do seu alto custo é necessária grande quantidade para atender os laboratórios da Universidade. "Como o material é descartado após uso, preciso comprar reagente todo ano, e em 2017 tivemos uma redução de quase 50% do recurso para a aquisição deles. O impacto este ano ainda não é muito explícito pois estamos usando reagentes comprados no ano passado, mas acredito que a partir do ano que vem as atividades laboratoriais vão ter que ser reduzidas ou passar a ser feitas em grupos para dosar o material".  

Os laboratórios do Instituto atendem o curso de Química, e são utilizados por todos os cursos que têm a disciplina na estrutura curricular. Segundo a estudante do curso de Biologia, Amanda Fernandes, as aulas que teve nos laboratórios foram desorganizadas em relação a utilização dos reagentes. "Quando fiz aula lá ano passado tínhamos que pegar as substâncias para fazer o experimento, a professora só disponibilizava a quantidade para ser realizada uma por aula, então tinha fila e os alunos tinham que esperar para ver o experimento, gerava tumulto".

O Cromatografo Líquido com detector de massas custa aproximadamente RS 250.000,00 e está inutilizável (Foto: Estevan Oelke)

Segundo Oliveira, além de dificultar as aulas, o corte de investimentos influencia nas publicações dos acadêmicos em revistas científicas de nível nacional e internacional. "Nós temos que nos virar, quando falta algum recurso fazemos uma 'vaquinha' para conseguir finalizar algum experimento ou artigo". O coordenador afirma ainda que possuem vários equipamentos parados por falta de verba para a sua manutenção.

Computação

O professor Ciências da Computação do Campus do Pantanal (CPAN), Luciano Édipo explica que ao receber propostas de projetos de um aluno, o docente sugere ao aluno use para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ou em algum projeto de pesquisa. Édipo afirma que a UFMS tem alunos e professores de alto nível e falta auxílio para a permanência nas equipes dos projetos de pesquisa. “Os cursos da área de computação que estão fora da sede principal da UFMS têm uma grande dificuldade. A infraestrutura atrasa muito nosso trabalho, a internet entre os campus são extremamente lentas e temos um número mais limitado de professores, são uns três docentes que conseguem trabalhar com desenvolvimento de software”.

O aluno de Engenharia da Computação, Adauto Ferreira afirma que seu curso é muito teórico e diz que deveria ser mais prático. Para Ferreira a falta de atividades práticas pode ser um reflexo do corte de investimento. "A faculdade me deixa desanimado, acaba mais me atrapalhando do que auxiliando. Aprendi pouca coisa prática na faculdade, mesmo estando quase no final do curso, grande parte do que eu uso eu aprendi sozinho ou trabalhando fora da faculdade".

O professor de Ciências da Computação do campus da capital, Edson Takashi o principal empecilho na perspectiva do docente é conseguir recursos para as atividades de pesquisa, área que sofreu o maior corte de investimentos. “A maior dificuldade hoje é conseguir recursos para tocar pesquisas”.

Eduardo Max concluiu recentemente o mestrado em Ciências da Computação na UFMS e explica que muitos projetos precisam de equipamentos importados e acredita que uma boa maneira da universidade investir seria no auxilio dos alunos a pagar as taxas e impostos na aquisição de materiais importados. “Durante minha graduação participei dos grupos de estudos na área de Inteligência Artificial, a universidade chegou a arcar com passagens aéreas para as competições, mas na parte da criação tudo acaba saindo do bolso do professor e do aluno”.

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