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28 de novembro de 2016 - 22h01

Alunos e docentes da UEMS e UFMS discutem impactos da PEC 55

Sindicatos dos docentes das duas universidades optam por não deflagrar greve e promovem eventos de conscientização

MYLENA ROCHA, NAYLA BRISOTI E THAYNÁ OLIVEIRA
Grupo de alunos da UFMS realizou ato contra a PEC no último dia 19Grupo de alunos da UFMS realizou ato contra a PEC no último dia 19  (Foto: Thayná Oliveira)

Grupos de alunos e professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), campus Campo Grande realizaram diversos atos como assembleias, aulas públicas e eventos para debater a PEC 55. O objetivo é conscientizar e esclarecer a população sobre os impactos da proposta, motivo de diversos debates sobre a paralisação das aulas na universidade. Segundo informações da presidente da Associação dos Docentes da UFMS (ADUFMS), Mariuza Guimarães e do presidente da Associação dos Docentes da UEMS (ADUEMS), André Martins a decisão foi de não deflagrar greve nas instituições e manter as atividades até o fim deste ano. 

A presidente da ADUFMS, Mariuza Guimarães afirma que apenas uma greve geral poderia impactar os governantes. “Uma greve geral não é uma greve só da educação. Na educação nós criamos um movimento sindical forte, mas o que realmente impacta esses representantes é a questão econômica. Então eles serão impactados se houver uma greve geral de caminhoneiros, indústrias, comércios; aí sim conseguiríamos sensibilizá-los”. Para a presidente, mesmo que a greve seja necessária, a classe trabalhadora não está fortalecida para uma paralisação geral no momento. Segundo o presidente da ADUEMS, André Martins a associação chegou a discutir sobre uma paralisação. Para ele, uma greve não teria impacto por estar próxima ao recesso de fim de ano.


Aprovada na Câmara dos Deputados a PEC 241 tramita no Senado sob nova numeração, PEC 55, proposta de emenda constitucional que cria um teto para os gastos públicos e congela, principalmente, as despesas do Governo Federal com saúde e educação. Segundo a presidente da ADUFMS, a PEC pode prejudicar a carreira dos docentes, porque prevê a suspensão dos concursos públicos e das promoções no plano de carreira. Ela afirma que a proposta traz impactos negativos aos estudantes, como cortes das bolsas permanência e de extensão.

UEMS, campus de Campo Grande, foi ocupada pelos alunos entre os dias 7 e 23 de novembro inicialmente em decorrência da PEC, e foi a última universidade do estado a ser desocupada. O professor do curso de Letras e Pedagogia, Paulo Edyr Bueno de Camargo,  diz que a greve é fator de desmobilização e que a ocupação se mostra mais eficaz no sentido de movimentar a universidade. “Então você vai lá na universidade na época da greve, não tem ninguém lá dentro, é um vazio. A ocupação não, a ocupação é uma forma diferente e na ocupação ficam ocorrendo atividades o tempo todo durante a ocupação, atividades de debates, atividades culturais, exibição de filmes. Ou seja, existe uma movimentação dentro da universidade”. Para o professor, as ocupações são mais curtas, enquanto a greve interrompe aulas por meses.

Assim como os docentes filiados à ADUFMS e ADUEMS, alguns alunos das universidades também se mobilizaram para impedir a votação e aprovação da PEC. No dia 23 de novembro, alunos da UFMS se reuniram em assembleia geral dos estudantes, organizada pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais, para discutir formas de mobilização, conscientização, divulgação e a organização de uma aula pública sobre o tema. Com o fim da ocupação, os acadêmicos da UEMS continuam mobilizados e planejam ações após a votação no Senado. 

Alguns acadêmicos de ambas as universidades são contra os movimentos de ocupação e de greve. Segundo o estudante do curso de Engenharia de Produção da UFMS, Mateus Corrêa, a discussão da PEC não deve interferir no andamento das aulas. “A PEC precisa ser debatida de forma realmente democrática, por meio do diálogo inclusivo entre aqueles que desejam discuti-la, o debate é algo natural do meio acadêmico. Mas este diálogo não deve impedir ou prejudicar a normalidade da nossa universidade”. A acadêmica de Artes Cênicas da UEMS, Mariana de Castro é a favor do movimento e vê a divergência de pensamento como algo bom. “É importante também esse conflito pra gente ver como nós vamos construir estratégias para sensibilizar essas pessoas, então elas também fazem parte desse movimento”.

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