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  Sunday, 22 de April de 2018
 
18 de March de 2018 - 10h22

Grupo de acadêmicos vende marmita como forma de protesto à atual gestão do restaurante universitário

Estudantes reclamam que a atual empresa descumpre contrato que determina a qualidade mínima das refeições

DOUGLAS FERREIRA, IGHOR AVANCI E SILVIA SOUZA
Marmitaço foi realizado em frente ao restaurante universitárioMarmitaço foi realizado em frente ao restaurante universitário  (Foto: Ighor Avanci)

Os acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) reclamam da empresa que prepara e serve refeições no restaurante universitário do campus de Campo Grande. Alunos de vários cursos reuniram-se para protestar e promoveram o "marmitaço", após reclamações da presença de larvas, comida crua e pequena quantidade servida. Os estudantes também registraram reclamações na Ouvidoria da Universidade.

Os acadêmicos realizaram, no dia 13 de março, um protesto denominado "Marmitaço". O acadêmico do curso de Engenharia Elétrica, Romário Santos criou um grupo no WhatsApp para organizar o movimento. Segundo ele o objetivo era comprovar que é possível fazer refeições de qualidade pelo preço de R$ 2,50. O acadêmico do curso de Ciências Sociais, Johnny Daniel, que também faz parte do grupo que organizou o protesto, diz que "os acadêmicos estão protestando um direito que é uma melhor qualidade na comida que é servida no Restaurante Universitário.

As refeições no Restaurante Universitário (RU) da UFMS custam entre R$ 2,50 e R$ 6,00 para acadêmicos de graduação e pós-gradução. Atualmente o valor integral de cada refeição é de R$ 7,68, a diferença é subsidiada com recursos públicos.

As exigências do Edital

O Edital, publicado em maio de 2017, estabeleceu as condições para a contratação da nova empresa responsável por fornecer e distribuir a refeição pelo restaurante universitário do campus da capital. As regras do Edital estabeleceram que o café-da-manhã deixa de ser servido para que a empresa disponilize o jantar, refeição que era  reivindicada pelos dos estudantes da instituição. Segundo os acadêmicos, o restaurante universitário deixa de cumprir as exigências. 

A acadêmica do curso de Ciências Econômicas, Aline Martins afirma que solicitou uma balança e a presença da nutricionista para servir sua quantidade de proteína. 

A acadêmica do curso de Psicologia, Luíza*, afirma que o evento é muito importante. "A qualidade da comida piorou significativamente. Já aconteceu deles [a nova gestão do R.U.] colocarem menos proteína do que o exigido e uma vez também a carne estava queimada, não dava nem para cortar. No geral deu uma caída". Luíza* também diz que o ato foi simbólico. "Então, eu acho que valeu a pena pelo ato do protesto. A carne moída estava bem temperada, mas o macarrão estava grudado. Mas assim, pelo valor de R$2,50 e pelo  protesto, valeu sim a pena. Não que eu faria isso todos os dias, até porque não teve salada, mas era impossível eles colocarem salada e outras coisas pois eles não teriam condições, mas por hoje, por esse movimento eu acredito que compensou, está aprovado".

O estudantes publicaram diversas reclamações sobre o serviço prestado pela nova gestão do Restaurante Universitário na página Segredos UFMS no Facebook.

Captura de tela das postagens anônimas feitaas por acadêmicos da Universidade

Industrial Foods manifesta regularidade do serviço

A Industrial Foods, empresa responsável pelas refeições servidas no restaurante universitário, respondeu as críticas feitas pelas acadêmicos e, em nota, informou que a comida está preparada sob a supervisão de um profissional nutricionista e que as reclamações dos acadêmicos são improcendentes, pois o serviço está em acordo com as regras delimitadas pelo Edital. Leia a nota na íntegra.

UFMS intensifica fiscalização

A coordenadora da Secretaria Especial de Comunicação Social e Científica (SECOM) da Universidade, Rose Pinheiro relata que  "a empresa Industrial Foods entregou ontem (8/3) sua resposta à notificação feita pelas Pró-reitorias de Administração e Infraestrutura (PROADI) e Assistência Estudantil (PROAES). A empresa alega o estrito cumprimento do contrato com a UFMS. O conteúdo será analisado pela Procuradoria Jurídica. De imediato, de forma a proteger os interesses da comunidade acadêmica, a PROAES estará presente diariamente no Restaurante Universitário, da Cidade Universitária. A partir do jantar de hoje (9/3), haverá uma equipe no RU para registro das possíveis ocorrências no local. A decisão foi comunicada pelos pró-reitores ao DCE (Diretório Central dos Estudantes)".

Serviço

Os acadêmicos que queiram registrar denuncias devem enviar sua reclamação no endereço eletrônico: ru.proaes@ufms.br

*Nome foi alterado a pedido da fonte.

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