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13 de dezembro de 2016 - 02h46

Santa Casa retoma transplantes renais após nove meses de paralisação

Hospital é o único credenciado para realizar transplantes de rim em Mato Grosso do Sul

JÚLIA PAZ, LEOPOLDO NETO E LETICIA BUENO
Cirurgias retomadas há duas semanas estavam paralisadas desde fevereiroCirurgias retomadas há duas semanas estavam paralisadas desde fevereiro  (Foto: Leopoldo Neto)

A Associação Beneficente de Campo Grande Santa Casa retomou o serviço de transplante renal, após nove meses de paralisação. A Central Estadual de Transplante (CET/MS) tem 35 pessoas na fila para o procedimento e a primeira cirurgia foi realizada no dia 29 de novembro. A Santa Casa é o único hospital credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar o serviço de transplantes de rim em Mato Grosso do Sul.

Segundo a médica nefrologista da Santa Casa, Rafaella Campanholo Grandinete a paralisação ocorreu devido a longa espera para internações, leitos despreparados e falta de medicamentos, que aconteceram depois de um transplante renal realizado em fevereiro. “Optou-se em parar os transplantes para que esses erros fossem sanados e corrigidos, para quando a gente desse início de novo, não houvesse novamente isso”. Ela explica que para resolver estes problemas, foram elaborados protocolos e uma a equipe médica foi treinada.

Informações fornecidas pela coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET/MS), Claire Miozzo, de 2000 a 2015, 580 transplantes renais foram realizados em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, a Santa Casa está habilitada a realizar esse tipo de transplante desde 2014. “A equipe está habilitada, o estabelecimento está habilitado, autorizado, só não está transplantando”. 

A coordenadora afirma que durante o período de paralisação, os pacientes eram encaminhados para cirurgias subsidiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em outros estados. “O nosso sistema de transplante é todo custeado pelo SUS. O pré-operatório, o transplante e o pós-operatório são pagos pelo SUS”. Segundo Miozzo, o número de pacientes na fila de espera para transplante é de 35 pessoas.

 

De acordo com a enfermeira e coordenadora da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante de Mato Grosso do Sul (CIHDOTT), Ana Paula das Neves não há dados atualizados sobre a demanda de transplantes renais no estado. “É uma demanda subnotificada, muitas vezes o paciente é renal crônico e não sabe. Não tem como a gente mensurar”.

A presidente da Associação de Doentes Renais Crônicos e Transplantados de Mato Grosso do Sul (Recromasul), Maura Trindade afirma que  equipe  associação tem pouco conhecimento do processo de transplante de rim na Santa Casa. "Depois que o hospital voltou a realizar as cirurgias, a associação está sem informações. Em relação a transplante a gente sabe muito pouco, agora eu não sei nem quantas pessoas tem na fila. Antes eu sabia, mas eles zeraram aquela fila e fizeram outra, porque eles disseram que iria recomeçar o transplante na Santa Casa".

A médica Rafaella Grandinete afirma que a estimativa de demanda para transplantes renais no estado está desatualizada, porque a lista de espera foi renovada quando as cirurgias foram retomadas. “Nós já começamos a fazer um levantamento, vamos entrar em contato com as clínicas de diálise para que eles passem o censo de cada cidade. A gente sabe que 40% do total de pacientes em diálise tem possibilidade de transplantar”.

A coordenadora do CIHDOTT, Ana Paula das Neves afirma que as dificuldades vão além do procedimento médico. “É toda uma estrutura que envolve o transplante, mais do que simplesmente operar o paciente. Enquanto a Santa Casa não dá subsídio, não tem como operar. É uma vida, não é só um transplante”.

A cabeleireira Ariane Lourenço está há sete anos na fila para realizar o transplante renal. Ela afirma que quando o hospital interrompeu a realização das cirurgias, ela foi encaminhada para São Paulo. “Me disseram pra tentar em São Paulo, mas tem bastante burocracia, documentação e pra mim fica difícil porque tem um pouquinho só de ajuda deles e o resto tem que ser do nosso bolso”.

Ariane Lourenço explica que quando sua saúde piorou, teve que parar de trabalhar e começou a receber o auxílio-doença. Ela ressalta que com a volta das cirurgias, está na lista de atendimentos prioritários. “Dizem que é só aparecer um rim que eu transplanto. Dois irmãos fizeram o transplante esses dias, como foi tudo certo, começaram a fazer os transplantes de novo. Tem um monte de hospital que é capaz de fazer esses transplantes e não fazem. Agora que voltou, é só na Santa Casa”.

A médica Rafaella Grandinete alega que a internação para realizar a cirurgia pode levar de 40 a 60 dias. "Os assistentes sociais buscam entender o grupo social e econômico dos pacientes, porque muitas vezes ele é o responsável pelo sustento de toda a família e não conhece o direito ao auxílio-doença, oferecido pela Previdência Social. Às vezes o paciente fala que não quer transplantar, porque não possui alguém para sustentar a casa".

Doações

A equipe da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante de Mato Grosso do Sul tem a função de procurar potenciais doadores, falecidos em decorrência de morte encefálica, um tipo de paralisia irreversível que afeta todas as funções do cérebro. É necessária autorização da família para a doação de órgãos. A médica Rafaella Grandinete explica que existe também a possibilidade de transplante por doadores vivos, que devem possuir parentesco de até 4º grau com o receptor e ter mais de 30 anos.

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