SAÚDE

Realidade virtual é aplicada em tratamento para pacientes com fibrose cística

Terapia alternativa feita com vídeo games no Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnósticos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais é um complemento para sessões de fisioterapia

Camila Silveira, Gabriel Sato e Gerson Wassouf, de Campo Grande12/11/2019 - 10h28
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Projeto de gameoterapia para pessoas diagnosticadas com fibrose cística aplica realidade virtual no tratamento de pacientes do Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnósticos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Iped/Apae) de Campo Grande. A inicativa foi criada há cerca de seis meses em parceria com a Faculdade Anhanguera e atende seis pacientes que foram diagnosticadas com fibrose cística. A experiência com realidade virtual é acompanhada pela fisioterapeuta da Apae, Valine Zucchi, pela professora do curso de Fisioterapia da Anhanguera, Lilian Assunção e estagiários do curso. 

O Iped/Apae é responsável pelo ambulatório especializado em fibrose cística em Mato Grosso do Sul. A unidade possui uma equipe multidisciplinar que inclui pneumologistapediátrico, gastroenterologista pediátrico geneticista, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, farmacêutico e assistente social. O Instituto atende 43 pacientes diagnosticados com a doença, 34 na pediatria e nove adultos. Valine Zucchi explica que o tratamento surgiu após crianças de 12 e 13 anos reclamarem que as terapias eram exaustivas. "Queríamos algo novo e ai tivemos a ideia da realidade virtual com os vídeo games e os jogos interativos para complementar na terapia".

De acordo com Lilian Assunção, o acompanhamento é feito duas vezes por semana com duração entre 45 minutos e uma hora. "Os pacientes iniciavam o tratamento com a fisioterapia respiratória e, em seguida, realizavam as sessões de realidade virtual. Quando finalizadas todas as sessões, eles eram avaliados novamente com a espirometria (exame de pulmão) e com o teste de caminhada para a verificação do progresso individual".

Segundo Valine Zucchi, a fibrose cística é uma doença genética, crônica e progressiva que afeta múltiplos órgãos, como pulmões, pâncreas, rins, fígado, aparelho digestivo, intestino e seios da face. Para a profissional, o objetivo da tecnologia é proporcionar o estímulo aos pacientes, principalmente com exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular, o que auxilia na otimização da função pulmonar. De acordo com a fisioterapeuta, o tratamento teve resultados positivos. "Após os términos das terapias os resultados mostraram melhora na frequencia cardiaca, respiração e diminuição da fadiga".

Para Lilian Assunção, os resultados positivos eram esperados, pois os vídeo games auxiliam no incentivo ao exercício físico. “Na prática, o tratamento utiliza o videogame como complemento para o exercício muscular, uma vez que a doença costuma punir severamente um portador sedentário. Com a realidade virtual, cada dia torna-se um novo jogo, uma nova aventura e, o melhor, o paciente pode evoluir nos níveis dos games conforme sua resistência aeróbica e muscular".

Tamires Maciel foi uma das pacientes favorecidas pelo novo tratamento. Ela foi diagnosticada com fibrose cística há dois anos e relata que teve que mudar sua rotina após descobrir a doença. Para ela, a utilização dos jogos virtuais no tratamento tornou as sessões de fisioterapia mais prazerosas e aumentou sua qualidade de vida. “Nos primeiros dias eu sentia dor, alongava e como não estava acostumada a fazer atividades físicas, fiquei com dores por uma semana, mas hoje, com a competitividade que os jogos trazem, sinto-me animada e pretendo continuar a me exercitar".

Serviços 

Os atendimentos na Apae para pacientes diagnosticados com fibrose cística acontecem de segunda à quinta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h. O tratamento contínuo é ofertado para os pacientes que moram na capital.

 

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