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7 de fevereiro de 2017 - 01h30

Projeto de pesquisa desenvolve técnica para controle do Aedes Aegypti

O fotoinseticida é uma alternativa sustentável à utilização dos mecanismos tradicionais de combate ao mosquito, como venenos e o fumacê

JÚLIA PAZ E LEOPOLDO NETO
A equipe do projeto avalia a concentração ideal do produto para a aplicaçãoA equipe do projeto avalia a concentração ideal do produto para a aplicação  (Foto: Leopoldo Neto)

A equipe de pesquisa do Grupo de Óptica e Fotônica (Gof) do Instituto de Física (Infi) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sob a coordenação dos professores Samuel de Oliveira e Anderson Caires, desenvolveu um inseticida para ser utilizado no controle do mosquito Aedes Aegypti. O produto, fotoinseticida, é composto por uma molécula, chamada fotossensibilizador que é aplicada em locais com presença de larvas do mosquito e ao entrar em contato com a luz, natural ou artificial, induz as larvas à morte.

As pesquisas do projeto são realizadas em parceria com a Universidade de São Carlos (Ufscar) e a Universidade de São Paulo (USP). De acordo com o último boletim epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), referente à semana do dia 22 ao dia 28 de janeiro, há 633 casos de suspeita de dengue em Mato Grosso do Sul.  

O coordenador do projeto Samuel de Oliveira afirma que o procedimento para uso e aplicação do produto é simples. “Você deposita o material sobre o criadouro, aquele material se mistura com o líquido, e a larva ingere aquele material, aquele composto que tá diluído, e essa larva sob a exposição da luz, contendo esse composto, faz com que ela (larva) morra”.

O  professor e também orientador do projeto, Anderson Caires explica que existem três formas tradicionais de controle do mosquito da dengue,  mecânico, químico e biológico. Segundo Caires, o produto desenvolvido pelos pesquisadores do projeto é um controle físico, que utiliza a luz solar ou artificial para induzir o processo de oxidação que mata as larvas.

Caires ressalta que no estágio atual da pesquisa, a equipe do projeto pretende avaliar qual a concentração ideal do produto para a aplicação nas criadouros das larvas. “Para controlar tal situação eu preciso de tanta quantidade, essa tanta quantidade eu gasto um número x para produzir”. O professor explica que os participantes do projeto realizam os experimentos com a objetivo de desenvolver um novo método de controle do mosquito.  “O que a gente está propondo é uma forma alternativa de controlar a população do Aedes. É uma forma alternativa e adicional dentro de um controle integrado que tem que ter”. Para ele, erradicar o Aedes Aegypti é uma processo difícil. “Inclusive dizer que vai erradicar é uma coisa que está fora de cogitação, o que a gente precisa é controlar”.

Caires afirma que o controle químico é tóxico para o local onde o produto é aplicado. “Um agente dificilmente é seletivo para ser um agente tóxico só para as larvas, ele também é tóxico para o ambiente. Então, isto é um problema”. Ele ressalta que os mosquitos que sobrevivem ficam imunes aos venenos. “Chega um momento em que esse agente químico não faz mais efeito, porque você vai ter uma população que é super resistente”. Para o professor, outra vantagem do fotoinsenticida é o baixo custo, porque o produto é produzido com substâncias naturais, como a clorofila. 

O professor Antonio Pancrácio é doutor em Entomologia, ramo da biologia que estuda os insetos, e afirma que existem grupos que são resistentes à aplicação de produtos químicos. “O produto químico age sobre o inseto, mas depende que ele (inseto) tenha receptores. Precisa de receptores que vão aceitar aquele produto químico, reagir e matar a larva.” Segundo Pancrácio, alguns grupos de insetos possuem resistência natural aos inseticidas. “Acontece que no químico, você tem 90% de mortalidade, significa que 10% são resistentes e naturalmente nasceram assim”. Pancrácio explica que com o fotoinseticida, o processo que mata as larvas é físico e independe da proteção química do inseto. “No caso do fotoinseticida, ele não depende do receptor do inseto. É uma característica física que ocorre independente de qualquer que seja o inseto, vai acontecer e ele não tem como impedir”.

Para o professor Samuel Oliveira, o papel da universidade em apoiar atividades de pesquisa é importante para a formação dos universitários e para a investigação científica.

Dengue

Dados do último boletim epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, apontam que em 2016, ocorreram 27, 8 mil casos de dengue em Mato Grosso do Sul e 17 óbitos. Na região Centro-Oeste, foram registrados 202.875 casos, o que corresponde a 13,6% das ocorrências de todo o país. No Brasil, houve cerca de um milhão e 638 mil casos da doença.

Fonte: Boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)

De acordo com o responsável pela Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV), Eliezer Guimarães as ações realizadas pela equipe do CCEV no controle da Dengue são o controle mecânico e a promoção de campanhas de prevenção. Guimarães explica que com base no Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti (Liraa) são identificados os bairros com mais focos da dengue e agentes de saúde são designados a essas áreas, para fazer o trabalho de conscientização da população com visita às residências. “É uma questão de educação, cada um deve se conscientizar e criar o hábito de limpar e cuidar do que é seu, para o bem de todo mundo. Também cabe ao poder público cuidar dos terrenos abandonados e aterros. Cada um tem que fazer a sua parte”. Para o coordenador, o método mais eficaz de erradicar o mosquito é a prevenção. 

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