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SAÚDE

Procura por exame de mama diminuiu 10% na rede municipal em Campo Grande

Mulheres relatam dor, desconforto e vergonha na hora de realizarem o exame de mamografia

Caroline Carvalho e Hélio Lima, de Campo Grande 7/11/2017 - 11h40
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A procura pelo exame de mamografia na rede pública municipal diminuiu 10% este ano, em relação aos oito primeiros meses do ano passado. Segundo dados da Gerência de Controle e Avaliação da Atenção à Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foram feitas ao todo 10.007 mamografias de janeiro a agosto de 2016, enquanto que no mesmo período deste ano, 9.612 mulheres realizaram o exame para detecção do câncer de mama. Fatores como medo, dor, desconforto e vergonha de ter a sua intimidade exposta são alguns dos motivos relatados pelas mulheres para não realizarem o exame de mama regularmente.

Médico Victor Rocha demonstra exame de mamografia
(Foto: Hélio Lima) 

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda como principal estratégia para o controle de câncer de mama a realização de exame mamográfico, pelo menos a cada dois anos, para mulheres de 50 a 69 anos e o exame clínico anual das mamas para mulheres de 40 a 49 anos. Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem realizar anualmente o exame das mamas a partir dos 35 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar da Silva (Inca), o câncer de mama é o segundo mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo, e representa 28% dos novos casos a cada ano

O médico mastologista Victor Rocha explica que a mamografia é o principal exame médico para o rastreamento do câncer de mama, e permite identificar tumores abaixo de um centímetro. O exame é realizado por um aparelho de Raio-X chamado mamógrafo, que comprime as mamas entre duas placas de metal. “No Brasil são estimados 58.000 casos novos de câncer de mama [por ano], com uma mortalidade de aproximadamente 12.000 óbitos. Então fazendo a mamografia, a gente faz esse diagnóstico precoce e evita essas mortes por câncer de mama”. De acordo com Rocha, a detecção do câncer de mama nas fases iniciais tem um potencial de cura de até 95%.   

No primeiro semestre deste ano, foram registrados 37 óbitos por câncer de mama em Campo Grande, de acordo com dados da Coordenadoria de Estatísticas Vitais (Cevital), órgão ligado à Superintendência de Vigilância em Saúde da Sesau. Em 2016, foram 86 mortes da doença. Segundo o levantamento, a maior incidência de óbitos por câncer de mama no ano passado esteve na faixa etária de mulheres com mais de 65 anos (31 casos), o que representa cerca de 40% do total de mortes, seguido de 45 a 54 anos (22 casos); 55 a 64 (19 casos); 35 a 44 (10 casos); e 25 a 34 (4 casos).

Para a oficial de justiça Danielly Bezerra de Azevedo, de 40 anos, que realizou o exame pela primeira vez este ano, o procedimento foi doloroso. “Eu achei que fosse apenas pranchar cada uma das mamas e só. Mas não, pois eles geralmente pedem das axilas também. Então foi pranchado duas vezes de cada lado. O momento que mais doeu foi quando pranchou de lado para fazer das axilas. E como minha pele é dura e nunca amamentei, está tudo meio durinho. Mas com certeza deixarei o medo de lado e farei todos os anos. De repente mudo o local de fazer o exame, mas o medo de ter um câncer supera alguns minutinhos de dor”.

A empregada doméstica Neuza Ramos, de 40 anos, diz que sentiu desconforto e dor ao realizar o exame. "Você entra em uma sala, tem que tirar a roupa, e tem uma máquina que faz o raio-X. Você coloca o seio e eles vêm com uma tampa e apertam. Tem todo um jeito de você ficar, com o braço para trás, não pode se mexer, se não dá tudo errado. Mas eu senti muita dor por uns três, quatros dias. Porque eles dizem que quem tem os seios pequenos sente mais dor ainda".  

Para minimizar o incômodo, o médico mastologista Victor Rocha recomenda que o exame seja realizado entre o 7º e o 14º dia do ciclo menstrual. “A melhor fase para realizar esse exame é de uma a duas semanas após o primeiro dia da menstruação, que é o período em que se tem a flutuação hormonal e a mama está mais desinchada, vamos dizer assim. No período pré-menstrual, algumas mulheres sentem a mama um pouco mais inchada, que só de encostar, sente dor. Imagina fazer uma mamografia que é um exame que aperta para deixar a mama com dois centímetros”. 

Pesquisadora da UFMS, Ana Paula de Assis (Foto: Hélio Lima)

De acordo com a enfermeira e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Ana Paula de Assis, existem determinantes sociais para a busca mais ativa da prevenção do câncer de mama e, por isso, a mortalidade é maior entre grupos com baixa condição socieconômica. Segundo ela, o baixo grau de instrução dificulta o acesso a informações importantes sobre prevenção e detecção precoce de doenças. “As mulheres de regiões menos favorecidas têm menos acesso à saúde e são menos informadas com práticas de cuidado e saúde, e geralmente têm o diagnóstico mais tardio”.

Para a pesquisadora, campanhas de conscientização como o Outubro Rosa são importantes por ampliarem o acesso a informações sobre o diagnóstico e prevenção da doença, especialmente para camadas da população que não estão habituadas a utilizar regularmente os serviços de saúde. “Quanto mais pessoas tiverem informações sobre o câncer de mama, câncer de colo, e sobre os cuidados com a saúde, menos pessoas doentes complicadas nós vamos ter internadas em serviços hospitalares. Quando você tem uma situação de saúde que pode ser resolvido na atenção básica você diminui inclusive os custos com a saúde” 

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