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6 de dezembro de 2016 - 12h37

Primeiro ambulatório transexualizador do estado é implementado no Hospital Universitário

Equipe médica irá oferecer tratamento multidisciplinar a homens e mulheres transgênero

JÚLIA PAZ, LEOPOLDO NETO E LETICIA BUENO
O serviço será realizado nas dependências do ambulatório geral do HumapO serviço será realizado nas dependências do ambulatório geral do Humap  (Foto: Júlia Paz)

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) inaugurou, em novembro, o primeiro ambulatório transexualizador de Mato Grosso do Sul. O objetivo é oferecer atendimento médico e psicológico às pessoas transexuais. O projeto é uma reivindicação da Associação de Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATMS) desde 2009 e será o sexto ambulatório do tipo no país. O funcionamento começa em 2017 e as cirurgias de redesignação sexual, em 2019.  As secretarias Municipal e Estadual de Saúde, em parceria com o Conselho Municipal de Saúde e o Ministério da Saúde são os órgãos responsáveis pela execução do programa.

   
Gomes afirma que cirurgias de redesignação serão
realizadas em 2017 (Foto: Leticia Bueno)

O chefe de serviço do setor de Ginecologia e Obstetrícia do Humap, e um dos responsáveis pela implementação do ambulatório, Ricardo Gomes afirma que a partir de 2017 o ambulatório irá oferecer o atendimento com psicólogos e assistentes sociais, e tratamento com hormônios. A cirurgia de redesignação sexual não será realizada até 2019. Segundo a resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.955/2010, são necessários dois anos de tratamento interdisciplinar para que as pessoas possam fazer a cirurgia. Gomes ressalta que é fundamental capacitar os profissionais, porque é uma cirurgia complexa. “Como já é obrigado por lei, a todos os pacientes que forem fazer cirurgia, passarem por pelo menos dois anos de atendimento com psicólogo e psiquiatra, a gente vai usar esse tempo pra se capacitar e começar a fazer as cirurgias aqui também”. 

Infográfico: Leticia Bueno

A equipe do ambulatório será composta por dois ginecologistas, responsáveis pela hormonoterapia em mulheres trans, um urologista que irá realizar o tratamento hormonal em homens trans, um psicólogo, um psiquiatra, uma assistente social, um infectologista e um proctologista. Dois mastologistas também farão parte do grupo, quando as cirurgias de mamoplastia para homens trans começarem a ser realizadas. Segundo o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Sebastião de Campos Arino Júnior, atualmente, ocorre o processo de escuta qualificada, em que as pessoas transexuais são avaliadas de acordo com suas necessidades e intenções, para que sejam encaminhadas ao ambulatório. “A escuta qualificada vai fazer a escuta da necessidade da trans feminina ou do trans masculino para de fato jogar no sistema, para quando abrir a consulta, ela ser inserida”.

    Arino explica que o atendimento no ambulatório será
  por encaminhamento médico (Foto: Leopoldo Neto)

Arino afirma que quando o atendimento iniciar, no mês de março de 2017, os pacientes que desejarem participar do tratamento multidisciplinar no ambulatório, serão encaminhados pelos médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Então você vai pra uma unidade de saúde, vai passar para um clínico [geral], aí o clínico vai te encaminhar”.

A tesoureira e educadora social da ATMS, Carla Lopes explica que os membros da associação participavam de assembleias e conselhos públicos de saúde para conseguir a implementação do ambulatório transexualizador e reivindicam a readequação do período preparatório para a cirurgia de redesignação sexual. "A gente briga por essa questão de esperar dois anos. O que a gente pede, hoje em dia, é que tenha somente o tempo da aptidão clínica, da mesma forma que é feito um acompanhamento pra quem vai fazer cirurgia bariátrica, por exemplo”.

Carla Lopes critica o fato da transexualidade estar na lista da Classificação Internacional de Doenças (CID). “Existem terminologias que vêm da Academia que o movimento social não concorda. Por exemplo, nas faculdades se aprende, numa visão distorcida, que transexualidade é um desvio de identidade de gênero, tanto que ainda hoje está nos manuais de códigos internacionais de doenças”. Ela afirma que é necessária uma reformulação do processo transexualizador atual. "É fornecido o atendimento psicológico para atestar a transexualidade dos pacientes no lugar de ajudá-los a superar traumas e preconceitos".

O professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Tiago Duque, explica que é importante o Estado oferecer a oportunidade de tratamentos hormonais aos homens e mulheres transexuais, além de acompanhamento médico, físico e psicológico.

 

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