SAÚDE

Pesquisa desenvolve software para auxiliar diagnóstico de câncer de mama

Sistema produzido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul indicará presença de nódulos a partir de análise em banco de dados de mamografias

Camila Andrade, Raquel Eschiletti e Rúbia Pedra, de Campo Grande12/11/2019 - 13h35
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Sistema informatizado desenvolvido em projeto multidisciplinar na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) inclui Inteligência Artificial para realizar o diagnóstico do câncer de mama. O software indicará pontos relacionados a presença de nódulos benignos ou malignos a partir da análise de um banco de mamografias. O projeto iniciou em 2019 e tem previsão de conclusão para 2020. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 830 casos de câncer de mama foram notificados em Mato Grosso do Sul em 2018.

O engenheiro eletricista e coordenador do projeto, Josivaldo Godoy afirma que a iniciativa para desenvolver o software tem como demanda auxiliar a saúde no Brasil. Godoy explica que parte da população tem acesso precário a planos de saúde e que isso dificulta a realização de exames como o diagnóstido do cancêr de mama. “Precisamos ter métodos que apoiem os profissionais de saúde como os médicos, de forma a conseguirem fazer diagnósticos mais precisos, rápidos e economicamente viáveis para a população em geral”. 

Godoy explica que o projeto tem como objetivo detectar a presença de nódulos benignos ou malignos na mamografia feminina por meio do software desenvolvido que utiliza técnica de inteligencia artificial. “A primeira parte desse projeto está sendo desenvolvida por um aluno de iniciação científica enquanto a segunda parte envolverá a utilização das mamografias e contará com a participação de uma aluna de mestrado, sendo que os recursos computacionais necessários estão em desenvolvimento”. 

O docente complementa que o microcomputador tem capacidade de gerar informações de forma rápida e que será um apoio para o profissional de saúde no diagnóstico. Médicos da área de oncologia e ginecologia participarão da pesquisa para auxiliar no direcionamento e aprimorar o funcionamento do software. “Como nós temos que oferecer contribuição relevante, tanto as técnicas envolvidas quanto a forma de programação necessitam ser inovadoras. Se os resultados forem promissores, estes poderão contribuir para agregar novos conhecimentos à área de saúde e também beneficiar a saúde do país”. 

Godoy explica que o objetivo é apoiar o profissional de saúde no diagnóstico. “Tal como um bisturi, uma tesoura, um mamógrafo, este projeto pretende ser também ser um recurso para o médico que o utilizará no seu ambiente de trabalho”.

O docente destaca que a previsão de conclusão da primeira parte da pesquisa é para julho de 2020, após os resultados preliminares, e a segunda utilizará mamografias das unidades hospitalares do estado. “A expectativa é concluir em dois anos a pesquisa para poder em seguida disponibilizá-la para hospitais e postos de saúde".

O acadêmico do curso de Engenharia Elétrica da UFMS e responsável pelo desenvolvimento do código do projeto, Rodrigo de Almeida explica que o objetivo é desenvolver uma rede neural que seja capaz de analisar uma imagem de mamografia e diagnosticar com precisão a possibilidade desta imagem ter nódulos de câncer e classificá-los em benignos e malignos. “As redes neurais precisam de uma quantidade elevada de imagens para treinar, dezenas de milhares, centenas de milhares. O fato de eu precisar de muitas imagens é o principal desafio do trabalho, a burocracia para se conseguir as imagens é gigante, isso faz com que eu perca muito tempo, pois precisa do consentimento de cada pessoa que realizou o exame”. 

Almeida explica que o baixo desempenho dos computadores foi outro desafio encontrado. O acadêmico afirma que iniciou o uso de plataformas na Internet e que os códigos são de alta complexibilidade. “Hoje eu uso o Google Colab, que basicamente é um computador virtual. Você usa as peças deles para executar o seu próprio código, isso é muito bom e ainda é de graça, então este desafio também foi superado”. 

Para o cirurgião oncológico Eric Rulli é necessário que a população entenda o uso da inteligência artificial aliada à saúde. O médico explica que as melhorias são necessárias para aprimorar a tecnologia e que o contato humano é insubstituível para o diagnóstico. “Às vezes a gente fala de inteligência artificial e fica a impressão de que é robô substituindo médico para atender e para fazer diagnóstico e não é bem isso”. 

O oncologista explica que os sintomas comuns do câncer de mama são nódulos na mama, saídas de secreção pelo mamilo ou depressão na mama. Rulli complementa que a dor no local surge quando a doença está extremamente avançada. ”Quanto mais tempo passa, pior quando se fala de câncer, quanto mais cedo foi o diagnóstico, melhor”. 

Dados: Wrun. Infográfico: Camila Andrade e Raquel Eschiletti 
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