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  domingo, 19 de novembro de 2017
 
25 de julho de 2017 - 15h09

UFMS oferece tratamento gratuito a pacientes com esclerose múltipla

Projeto de extensão do curso de Farmácia da UFMS orienta pacientes diagnosticados com a doença sobre uso contínuo de medicamentos

ALEXANDRE KENJI, MARIA EDUARDA LEÃO E MARIA LUIZA PEREIRA.
Projeto de extensão é referência no estudo de Esclerose Múltipla em Mato Grosso do Sul.Projeto de extensão é referência no estudo de Esclerose Múltipla em Mato Grosso do Sul.  (Foto: Maria Luiza Pereira)

A Farmácia Escola da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) distribui e oferece gratuitamente acompanhamento para utilização contínua de medicamentos aos pacientes diagnosticados com Esclerose Múltipla, Esclerose Lateral Amiotrófica e Asma. O centro de atendimento está localizado no Hospital Universitário (HU) e em 2016 registrou aproximadamente 370 pessoas com a doença no ambulatório de neurologia, onde 124 pacientes estavam cadastrados na Farmácia Escola e 80 foram avaliados pelos profissionais, especialistas na área e acadêmicos. Os remédios denominados “Componentes Especializados da Assistência Farmacêutica” são doados para a população em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

O projeto que acompanha o paciente de Esclerose Múltipla teve como base o estudo de mestrado da professora voluntária da UFMS, Cinthia Caldas Rios Soares com o tema “Cuidado Farmacêutico aos Portadores de Esclerose Múltipla”. A professora explica que o profissional deve prestar atenção nas especificações da saúde de cada paciente. “O objetivo é o olhar de cuidado para esses pacientes, que muitas vezes possuem sintomas muito inespecíficos, que acabam atribuindo a esclerose e deixam de tratar [a doença]. O paciente que atribui tudo o que ele sente à doença o inibe de tratar de outras condições”. O pesquisa de Cinthia Rios, em processo de coleta de informações, envolve o monitoramento dos pacientes na identificação de características epidemiológicas e farmacoterapêuticas, adesão do tratamento e adequação das orientações prescritas pelo médico para categorizar as condições clínicas que o paciente se encontra.

 Cinthia Soares é voluntária na Farmácia Escola. (Foto: Maria Pereira)

O projeto tem como objetivo pesquisar e avaliar a necessidade dos pacientes do acompanhamento farmacêutico. A análise desenvolvida pela pesquisadora na Farmácia Escola é baseada na retirada dos medicamentos do paciente. “A minha pesquisa compara de duas formas como está a adesão do paciente. Eu fiz uma análise individual da retirada de medicamentos para averiguar como estava o perfil de cada um. Porém, esse método, embora importante, às vezes falha, pois o paciente pode retirar mas não usar o medicamento, o que já subentende que alguma coisa não está saindo bem”. 

Para a pesquisadora, o contato que os farmacêuticos têm com os pacientes é semelhante às consultas ambulatoriais. “Nós temos muito mais acesso, às vezes, do que o próprio médico, porque o paciente vem aqui mensalmente retirar o medicamento. A entrega é feita para 30 dias. Então, dentro de 30 dias o paciente tem que retornar”. Ela explica que o projeto possui um intervalo de tempo entre as consultas. “A gente consegue identificar a esclerose, o que impede a progressão da doença. O verdadeiro desafio é adequar e acompanhar o paciente para não desenvolver a chance futura de ter um problema, uma sequela, um surto”.

O ambulatório da UFMS é referência médica em Esclerose Múltipla no estado. Todas as quintas-feiras são realizados atendimentos com o médico especializado na área, Pedro Rippel. Rippel explica que, se diagnosticado com esclerose múltipla, o paciente é encaminhado para a Farmácia Escola. “Eu arrisco dizer que 100% dos pacientes em tratamento estão retirando medicamento aqui do que em outras unidades de saúde, pelo alto custo dos medicamentos e o tratamento acompanhado”.

 Nunes fala sobre sua participação no programa. (Maria P.)

O acadêmico do curso de Farmácia, Lucas Denis Nunes afirma que se interessou pelo tratamento da esclerose após participação no projeto. “Eu comecei a me reaproximar bastante, porque eu revi aquela alegria de estar em contato com o paciente, de você atender a pessoa, de você estar com ela”. Nunes diz que o diferencial da extensão é o atendimento pessoal e gratuito.

O paciente da Farmácia Escola, Edilson Soares descobriu a doença há dois anos ao realizar uma ressonância magnética. Ele afirma que o acompanhamento foi positivo em relação ao tratamento e seu humor mudou. “Eles me ajudaram muito, marcaram exames, marcaram consultas”. Cinthia Rios acompanhou o paciente e ressalta que com a assistência do projeto, Soares teve uma melhora no seu quadro clínico. “Tem os medicamentos também, ele não estava tomando, tinha parado com um, mas quando ele chegou aqui a gente conversou para ajudar no humor, ele estava meio irritado, para baixo”.

Para Cinthia Rios, o vínculo dos pacientes com a farmácia faz com que pessoas de outros municípios retirem os medicamentos na capital. “É um vínculo que essas pessoas acabam construindo com nosso acompanhamento. Elas preferem tratar aqui do que trocar de centro de tratamento na própria cidade. Então, mesmo quem não é de Campo Grande, também é paciente do ambulatório”. O projeto atende pacientes de 10 municípios do estado como Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá, entre outros.

O que é a Esclerose Múltipla? 

 Esclerose ocorre nos tecidos do sistema neurológico. (Foto: Maria P.)

De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), em 2016, 35 mil brasileiros foram diagnosticados com a doença, caracterizada por ser crônica, autoimune e que ataca o sistema neurológico do ser humano. Ela acarreta no organismo o enfraquecimento dos músculos, fadigação, depressão e comprometimento da coordenação motora. O acompanhamento é realizado com medicamentos que reduzem as inflamações no sistema urinário e respiratório dos pacientes. No Brasil, o procedimento de neurorreabilitação e transplante de autólogo de células-tronco, remédios e terapias são as alternativas para o tratamento da doença disponibilizados pela rede de saúde pública e privada.

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