CAMPO GRANDE19º MIN 26º MAX
Primeira Notícia UFMS
  sexta, 22 de setembro de 2017
 
5 de dezembro de 2016 - 00h16

Mato Grosso do Sul é o sétimo estado com mais casos de Aids no Brasil

País registra, anualmente, 41,1 mil casos da doença

DAIANA PORTO E GIOVANA SILVEIRA
Teste de HIV é feito por meio de coleta de sangue e fica pronto em 15 minutos.Teste de HIV é feito por meio de coleta de sangue e fica pronto em 15 minutos.  (Foto: Daiana Porto)

Mato Grosso do Sul ocupa o sétimo lugar no ranking de taxa de infecção de Aids no Brasil. Entre 2004 e 2016, foram registrados no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) 6409 casos de Aids no estado, de acordo com o boletim epidemiológico. Em 1º de dezembro, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, e durante todo o mês são realizadas campanhas pelo "Dezembro Vermelho". 

Segundo a professora de biologia Ana Rita Coimbra Motta Castro, há três formas de contaminação do HIV, a sexual, por meio do esperma, secreções vaginais ou cervicais, sangue menstrual e em relações sexuais anais, orais ou vaginais, a vertical, de mãe para filho durante a gravidez, e a sanguínea, ao compartilhar material cortante contaminado. Ela afirma que a transmissão sanguínea por doação de sangue é rara, pois os bancos de sangue fazem uma triagem para testar o sangue doado. “Uma bolsa infectada pode passar entre 5.540.000 bolsas, então há uma segurança do sangue muito grande”.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande criou, em 1991, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) com o objetivo de estimular a população a realizar os exames que detectam doenças sexualmente transmissíveis (DST's). Os testes são realizados com uma equipe de enfermeiros, psicólogos, urologistas e ginecologistas. 

Testes de HIV são feitos no CTA (Foto: Daiana Porto)

Segundo o biólogo e gerente do CTA, Marco Aurélio de Almeida Soares, o estigma e preconceito com quem é portador do vírus da Aids compromete a iniciativa do paciente em iniciar o tratamento, principalmente, em classes mais baixas.“A periferia não tem tanta informação sobre isso, você vê o jovem engravidando cedo, então logo eles já começam a vida sexual mais cedo e como é isso? Sem proteção. Então isso é consequência”. 

Soares explica que o CTA identifica casos de aids, sífilis, condiloma e hepatites, e nem sempre os pacientes diagnosticados com alguma doença buscam o tratamento. “Já tive caso de uma menina que tinha sífilis e passou para mais três meninos, apenas um deles se tratou, ela mesmo não quis. Não podemos obrigar ninguém a se tratar, eu apenas encaminho para o serviço de tratamento, mas se a pessoa não quiser, eu não posso fazer mais nada”. Segundo ele, o diagnóstico do vírus HIV ou da Aids aumentou na cidade. “O que acontece em Campo Grande, que até por conta disso nós temos notado um aumento, a pessoa descobre que é soro positivo, não se trata e continua transando sem camisinha. Então, ele é portador do vírus ou da doença e está multiplicando, isso é muito complicado”. 

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Sinan, houve decréscimo no número de registros de Aids em Mato Grosso do Sul nos últimos dois anos. 

Segundo a enfermeira do CTA, Natalie Silveira Sierra, o paciente com suspeita de HIV deve realizar o teste 30 dias após a relação sexual sem proteção. “Por exemplo, se ela teve relação sexual sem camisinha, ela precisa esperar 30 dias para vir aqui e fazer um teste. A gente procura anticorpo, anticorpo não aparece de uma hora para outra, de um dia pro outro ou de uma semana para outra, ele aparece de 30 dias pra frente, por isso é preciso que a pessoa venha aqui 30 dias após a data do risco”. 

UFMS


 Camisinhas foram entregues na UFMS (Foto: Giovana Silveira)

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) realizou na quinta-feira, 1 de dezembro, um debate com o tema “AIDS HOJE: diálogos interdisciplinares”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Estudos de Hepatites Virais da UFMS (NuHep), Grupo de Pesquisa em Gênero e Sexualidade – Impróprias e o Núcleo de Estudos Néstor Perlongher – Cidade, Geração e Sexualidade. O debate foi mediado pelo professor Marcelo Victor da Rosa, com participação dos professores Ana Rita Coimbra Motta Castro, Tiago Duque e Guilherme Rodrigues Passamani. O evento, gratuito, recebeu cerca de 40 alunos, sorteou kits e distribuiu preservativos. 

No mesmo dia, em parceria com o CTA, a organização não governamental Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATMS) realizou testes gratuitos de HIV no corredor principal da Universidade. Para uma das idealizadoras do projeto, a educadora social Natasha Becker, a procura foi muito maior do que esperava.“52 pessoas fizeram o exame. No caso teria mais, é porque a gente achou que não ia dar tanta demanda, então trouxemos poucos exames, então acabou no 52, se a gente tivesse trazido mais, a gente teria feito no mínimo uns 100.”

Serviço

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) fica na Rua Anhandui, número 299, bairro Amambaí. Mais informações pelo telefone 3314-3450.

COMENTÁRIOS
 © Copyright 2017 Primeira Notícia