SAÚDE

Estudo indica 1.190 casos de câncer de próstata em Mato Grosso do Sul entre 2018 e 2019

Doença é o segundo tipo de câncer com maior incidência entre os homens residentes no estado

Letícia Schiavon e Vitória Oliveira, de Campo Grande 1/11/2019 - 08h45
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O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima ocorrência de 5.330 casos de câncer de próstata entre o biênio 2018 e 2019 no Centro-Oeste. De acordo com dados do Inca, cerca de 1.190 casos ocorrerão em Mato Grosso do Sul e 410 em Campo Grande. A doença representa 33,1% dos novos casos de câncer no Centro-Oeste. Os dados indicam que o câncer de próstata é o segundo câncer com maior incidência no Mato Grosso do Sul. Segundo informações publicadas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, a doença ocasionou a morte de 255 homens no estado em 2018. 

O Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) realizou a pesquisa Um Novo Olhar para a Saúde do Homem em parceria com o Grupo Abril e o resultado do estudo foi divulgado em agosto. Mais de 2.405 homens brasileiros foram entrevistados e 7% afirmam que costumam ir ao médico urologista com frequência. A pesquisa revela que 59% dos homens entrevistados negligenciam a consulta preventiva com especialista. O LAL criou a campanha Novembro Azul no Brasil. De acordo com informações do Inca, 68.220 casos de câncer de próstata ocorrerão, entre 2018 e 2019, o que representa 31,7% de todos os casos de câncer no Brasil. A estimativa do Instituto mostra que a doença causou a morte de 15.391 homens no país em 2018. 

O oncologista Gustavo Mendes Medeiros esclarece que o câncer de próstata tem causas multifatoriais. "Dentro dos principais fatores, está a idade, quanto mais avançada a idade, maiores as chances de se ter câncer de próstata e também se há casos na família. Não há fator determinante, mas a maior incidência é com o envelhecimento". O médico diz que os exames preventivos Antígeno Prostático Específico (PSA) e toque retal são muito importantes. "O início desse câncer é silencioso, não vai ter sintoma. Geralmente os sintomas aparecem em um estágio de câncer um pouco mais avançado. Os exames de prevenção podem detectar a doença no estágio inicial".

Medeiros explica que o PSA verifica o funcionamento de uma proteína produzida pela próstata. O toque retal é realizado caso o exame resulte em alguma alteração na produção da proteína para examinar se a próstata do homem está normal, endurecida ou amolecida. "Se a suspeita permanecer, o paciente é encaminhado para a biopsia. Então se retira 12 pedaços da próstata para analise". O médico ressalta que a campanha Novembro Azul é essencial para a conscientização dos homens a respeito da doença. "Aumenta a procura dos pacientes nessa época. Todos os homens acima dos 40 anos já devem fazer os exames". Segundo informações do Inca, cerca de 75% dos casos de câncer de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos. 

 

O funcionário público municipal aposentado Júlio César Bello foi diagnosticado com câncer de próstata em 2012 e está curado. Ele explica que descobriu o câncer de próstata ao realizar um check up anual. “Eu fiz um exame de sangue de rotina e o médico notou que havia algo errado”. O aposentado foi encaminhado para exames de ultrassom e realizou o exame PSA e o toque retal. “O exame não doeu e salvou a minha vida”. Os médicos confirmaram que Bello estava com um tumor na próstata e iniciaram o tratamento.

Bello explica que descobriu o câncer em estágio inicial. “Eu nem precisei fazer quimioterapia. O tumor era maligno e o tratamento foi cirúrgico”. O aposentado relata que realizou dois anos de tratamento para receber alta médica. “Fui para Dourados e depois para Barretos. Depois da cirurgia eu tive um tempo de recuperação e passei a fazer exames de rotina, até os médicos verificarem que eu estava curado”. Ele ressalta que continua a fazer o check-up uma vez ao ano.

O psicólogo Rodrigo Batista Torraca explica que a maioria dos homens têm resistência em procurar o exame preventivo por causa do desconhecimento da importância do órgão e do preconceito. "Os homens têm uma velha máxima de que eles não podem ser tocados. Desconhecem o seu próprio corpo, não tocam o próprio corpo e não deixam ser tocados. Muito disso por conta de uma masculinidade fragilizada nos dias de hoje, do machismo e do preconceito em relação a tudo isso".

Torraca afirma que, segundo a pesquisa Um Novo Olhar para a Saúde do Homem, 37% dos homens negligênciam a procura por cuidados médicos. "Homens desconhecem processos ambulatoriais e a palavra prevenção. Prevenção para o homem é quase que desnecessária. Vão ao médico quando realmente estão doentes, esse é o maior pensamento masculino em relação a procurar cuidados médicos".

 
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