CAMPO GRANDE19º MIN 26º MAX
Primeira Notícia UFMS
  sexta, 22 de setembro de 2017
 
25 de maio de 2015 - 15h35

Fisioterapia do trabalho previne doenças osteomusculares causadas no ambiente profissional

Realizar movimentos repetitivos por muito tempo é um dos fatores que prejudica a saúde muscular do trabalhador

STEFANNY VEIGA E VIVIAN CAMPOS
Movimentos repetitivos são a causa de lesões osteomuscularesMovimentos repetitivos são a causa de lesões osteomusculares  (Foto: Stefanny Veiga)

Movimentos repetitivos e posturas corporais inadequadas são as principais causas de lesões osteomusculares adquiridas no trabalho. Esses fatores afetam a saúde muscular do trabalhador e consequentemente a produtividade e agilidade no trabalho. A fisioterapia do trabalho previne essas doenças por meio da ginástica laboral, que traz qualidade de vida ao trabalhador e melhora do desempenho profissional.

O trabalhador diariamente é exposto a funções que causam lesões, os fatores que contribuem para esses traumas musculares dependem das atividades desenvolvidas e como esse trabalhador irá executá-las. A professora do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Gisele Walter comentou que a saúde muscular vai depender da postura corporal que o individuo assume. “A carga horária trabalhada se é muito longa e sem pausas para ele (o trabalhador) fazer o descanso ou alguma outra atividade, também vai ter interferência”.

A agilidade no trabalho é prejudicada quando a pessoa faz determinados movimentos repetidamente, e  dores musculares são comuns nos afetados. Gisele Walter afirma que a fisioterapia do trabalho e a ergonomia quando aplicadas no dia-a-dia do trabalhador pode evitar que esses problemas aconteçam, além de auxiliar em situações de movimentos comuns como manuseio nos dispositivos móveis, como celulares e tablets.

Professora do curso de Fisioterapia, Gisele Walter

Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), que também são chamadas de afecções musculares relacionadas ao trabalho (AMERT) referem-se a um conjunto de distúrbios osteomusculares, como explica a professora de Fisioterapia, Giseli Walter, " é um conjunto de distúrbios de doenças e sintomas que estão relacionadas com a atividade que o indivíduo realiza. Vai afetar principalmente o sistema osteomuscular, devido a essa sobrecarga, o indivíduo vai apresentar dores e pode apresentar microlesões, tanto muscular como em tendões. Com o tempo, vai ocasionar a diminuição da funcionalidade desse indivíduo, ele vai ter mais dificuldade de realizar suas atividades laborais". As lesões por esforço repetitivo (LER) são causadas por tarefas repetitivas realizadas em posições desconfortáveis ou por longos períodos como explica Gisele Walter, "a LER vai ser mais voltada para a lesão repetitiva, aquelas atividades que você realiza muitos movimentos por muito tempo sem dar pausa, aí você acaba gerando uma lesão naquelas estruturas.".

Trabalhadores de todas as áreas profissionais estão sujeitos a esses distúrbios. Há áreas em que os indivíduos fazem os mesmos movimentos repetidamente, com a postura corporal inadequada, um exemplo são os operadores de telemarketing como informa Gisele Walter, "existem muitos estudos, muita pesquisa indicando que trabalhadores de check-out e telemarketing apresentam muitos distúrbios osteomusculares pela característica do trabalho, a carga horária, o próprio estresse que eles sofrem, a demanda de trabalho e os movimentos que eles realizam são muitos repetitivos”.

A jornalista Rosália Prata trabalhou durante três anos e nove meses numa empresa de telemarketing. Atendia clientes no suporte técnico e sua carga horária era de seis horas por dia, com dois anos e meio de serviço, começou a sentir os primeiros sintomas da epicondilite, doença causada por movimentos repetitivos dos punhos e dedos e que inflama os músculos e tendões dos cotovelos. "O meu braço formigava do nada sozinho e sempre latejando com aquela dorzinha chata e incômoda".

Rosália Prata procurou um médico ortopedista, que lhe indicou sessões de fisioterapia e academia para ganhar resistência. "Bom, eu fiz a fisioterapia, mas eu não vi melhora, eu fiz umas 20 sessões, só era alívio momentâneo enquanto eu estava ali fazendo. Agora com a academia eu comecei a pegar pesinho, fazer os exercícios lá e aí com duas semanas eu já não sentia mais latejar com a mesma frequência, diminuiu bastante e com um mês eu já não sentia mais dor."

A fisioterapia do trabalho tem foco na prevenção e quando executada no ambiente de serviço evita danos aos funcionários das empresas, como a ginastica laboral, que alonga a estruturas musculares. De acordo com a professora Gisele Walter, a ginástica previne e ajuda. “Pode prevenir, principalmente com a orientação postural e a orientação para a realização de atividades durante o trabalho, como alongamento, inserir no trabalho a ginástica laboral auxiliando a prevenção”. Outra opção, segundo a professora é o trabalhador manter uma rotina de exercícios fora do ambiente de trabalho. “O que a gente pode orientar para o trabalhador fazer fora do ambiente de trabalho é ter uma vida ativa, realizar atividades físicas sempre acompanhado e dentro do ambiente de trabalho também, acompanhado por algum especialista”.

A empresa de telemarketing que Rosália Prata trabalhou, oferecia aos funcionários aulas de ginástica laboral três vezes na semana,  nem todos conseguiam pausar o atendimento para realizar os exercícios. Prata relata que ainda sente as consequências da epicondilite.  "Se eu sobrecarregar meu braço, eu sinto dor, quando eu faço muito movimento repetitivo ou às vezes quando peso, eu tenho uns incômodos".

O motorista Valci Veiga relata que adquiriu LER no ombro por esforços que fazia para dirigir. "Quando eu trabalhava como caminhoneiro, eu usava muito o meu braço direito, tanto pra trocar marcha quanto para guiar, então meu ombro foi lesionado e hoje dói". E comenta sobre os sintomas, "sinto muitas dores no ombro na hora de dormir, principalmente no frio, e só posso deitar de lado se for do meu lado esquerdo e não tomo remédio, então espero a dor passar". Veiga afirma que na profissão de motorista não há um acompanhamento de prevenção de lesões. 

Para tratar as lesões causadas, Gisele Walter aponta as medidas importantes para que o trabalhador volte a sua função. “Inicialmente o foco é reduzir a dor, para poder dar um bem-estar ao paciente, que é a principal queixa dos indivíduos e capacitar ele ao retorno do trabalho”. Em situações de maior gravidade a ação do fisioterapeuta do trabalho será fortalecer a área traumatizada, explica a professora. “Depois da fase aguda, realizar um trabalho que vai fortalecer as estruturas necessárias, tornar esse indivíduo propício pra retornar ao trabalho, através de atividades de fortalecimento, ganho de flexibilidade, resistência e outros”.

As empresas se conscientizaram dos males causados por determinados movimentos no trabalho e hoje focam na qualidade de vida do trabalhador, para que seu desempenho e lucro não fiquem prejudicados. Giseli Walter afirma que “quando um trabalhador está sendo bem tratado, está saudável e confortável, ele produz muito mais do que um indivíduo sobre pressão e que não se sente bem inserido dentro da empresa, então as empresas tem percebido que é muito mais vantajoso atuar em favor da saúde dos trabalhadores do que simplesmente impor regras e exigências”.

Os dispositivos móveis como smartphones e tablets quando manuseados repetidamente, também podem causar as mesmas lesões de um ambiente de trabalho. Giseli Walter dá as orientações para o uso adequado desses dispositivos, "é importante que até mesmo ao manipular um celular ou em casa quando for utilizar um computador ou tablet, é sempre buscar uma posição mais confortável e correta o possível para se evitar essas lesões”. Segundo Gisele Walter os cuidados devem ser tomados para que o problema não piore. “As lesões muito repetitivas você vai estar usando umas estruturas do organismo, vai forçar e passar do limite dessas estruturas, provocando micro lesões e posteriormente inflamações e isso pode se tornar crônico”

COMENTÁRIOS
 © Copyright 2017 Primeira Notícia