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23 de agosto de 2016 - 12h05

Falta de leitos nas UTIs de Campo Grande prejudica atendimento

Problemas na gestão pública e falta de verbas obrigam funcionários a improvisarem para atender pacientes

CAMILA VILAR, DAIANA PORTO E GIOVANA SILVEIRA
Hospitais sobrevivem sob superlotação e déficit em equipamentosHospitais sobrevivem sob superlotação e déficit em equipamentos  (Foto: Daiana Porto)

Os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Centro de Tratamento Intensivo (CTI) são insuficientes e estão mal distribuídos no Brasil, de acordo com estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em Campo Grande, de janeiro a agosto deste ano, 150 pessoas procuraram a Defensoria Pública para ter acesso a uma vaga hospitalar em internação simples ou tratamento intensivo, segundo informações de Bianca Bianchi, da assessoria de comunicação da Defensoria. Em 100% dos casos, a Justiça concede liminar e obriga o Estado a providenciar a vaga.  

Médico plantonista do CTI do HU, Marco Aurélio (Foto: Camila Vilar)

A capital possui um total de 248 leitos de UTI e atinge uma proporção de 1,2%, de acordo com dados da pesquisa feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), ainda de acordo com a mesma pesquisa, o Brasil possui aproximadamente 41 mil leitos de UTIs. Metade deste número está destinado ao SUS e a outra metade está reservada para a saúde privada ou complementar. O médico plantonista do CTI adulto do Hospital Universitário, Marco Aurélio Bulhões, 47, afirma que este número ainda é insuficiente. “A gente ainda está tentando aumentar o número de leitos, mas ainda falta verbas do ministério da saúde para que a gente consiga aumentar esse número. Então a gente depende disso. Há muito tempo que isso não é o suficiente [para suprir a demanda]. Sempre temos dificuldades para admitir todos os pacientes que solicitam vagas. Então isso é muito comum, é o nosso dia a dia não ter vaga para todo mundo”. 

De acordo com o secretário Estadual de Saúde, Nelson Barbosa Tavares, a falta de leitos é um dos principais problemas do sistema que deve ser responsável pela vida e integridade física das pessoas. “Não é muito diferente de outros problemas que o Sistema Único de Saúde enfrenta, que é, principalmente, a falta de gestão de um modelo muito questionado. Então, na verdade, é a ponta do icebergue que aparece de ruim no sistema”.

Foram instalados 60 novos leitos pelo Projeto de Reestruturação da Saúde em Mato Grosso do Sul, desenvolvido pelo governo do Estado e executado pela Secretaria Estadual de Saúde. Segundo Nelson Tavares, a diminuição de custo colaborou para a entrega de novos leitos. “Um leito de UTI aqui, historicamente, custa R$ 5.000,00 por dia. Então imagina implantar esses leitos aqui sem ter dinheiro para pagar, não tem condições. Nós demoramos alguns meses para achar uma saída administrativa e financeira, para que conseguíssemos viabilizar a implantação desses leitos por um custo menor. Agora conseguimos, estamos implantando os leitos por R$ 1.500,00 ao dia. Implantamos três vezes mais leitos tinha antes e sendo honesto com a população”.

Segundo informações disponibilizadas na internet a Santa Casa de Campo Grande é o maior hospital de Mato Grosso do Sul e é responsável por 80% dos atendimentos de urgência e emergência da Capital. De acordo com o clínico geral, Rodrigo Quadros, atualmente, a Santa Casa possui 73 leitos de CTI ativos, 59 adultos e 14 pediátricos,  todos estão ocupados diariamente. Quadros ressalvou que quando um paciente grave, que necessita de leito, chega até o hospital, a equipe faz a primeira abordagem e o estabiliza na área de urgência e emergência. Para suprir essa necessidade, o hospital montou boxes semelhantes ao de tratamento intensivo, com régua de oxigênio e energia para ligar os aparelhos respiradores e os monitores, para proporcionar ao paciente cuidados semelhantes ao do CTI.
 
As instalações improvisadas não substituem o CTI. No tratamento intensivo o paciente tem uma equipe específica para cuidar dele, uma equipe médica maior e mais qualificada, especializada no cuidado intensivo, e uma equipe de enfermagem em quantidade adequada de acordo com as Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Quadros, ao todo são 14 boxes para adultos e mais sete na área amarela. “O cuidado é improvisado e feito da melhor forma possível. Na emergência, os pacientes chegam a todo o momento, aquela equipe que deveria cuidar só desse paciente grave de CTI não consegue fazer o cuidado exclusivo, tem que receber outros pacientes. Por isso a gente fala do caos, porque é uma improvisação, um esforço mútuo de todos os profissionais para oferecer o cuidado mais próximo possível dos cuidados intensivos".
 
No dia 19 de agosto, a lista de espera da Santa Casa possuía nove pacientes. De acordo com o clínico geral, uma lista pequena. Para definir a ordem dessa fila, o hospital montou uma equipe multidisciplinar e criou um sistema no prontuário eletrônico com critérios de avaliação das necessidades de cada paciente, que geram pontuação e um ranking de urgência.

Busca por vagas

A administradora Analece Conceição Souza está há mais de 12 dias na Santa Casa e aguarda uma vaga para sua irmã. A auxiliar administrativa Marinete Conceição de Souza sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e precisa de transferência para uma UTI. A administradora entrou com processo na Defensoria Pública do Estado para conseguir um leito no Hospital Regional, único na cidade que trata o tipo de AVC que a irmã sofreu. “Lá no Regional eles falam que não tem vaga, e na Santa Casa, eles falam que não tratam, ou seja, ela está dentro da Santa Casa e não está sendo assistida por um neurologista. Ela está no corredor, não está internada. Agora de manhã que nós estamos lutando para ver se a gente consegue trazer um neuro lá para internar. A Defensoria já mandou cumprir a sentença e eles falam o seguinte, que eles não têm vaga”.

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