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4 de December de 2017 - 20h37

Campo Grande tem 8,8% da população adulta diagnosticada com diabetes

Pesquisa da Vigitel aponta que 50% da população adulta da capital tem a doença e desconhece

HENRIQUE DROBNIEVSKI, MARIA EDUARDA LEÃO E MATHEUS LIMA.
Secretaria Municipal de Saúde Pública oferece medicamentos e materiais para controle da diabetesSecretaria Municipal de Saúde Pública oferece medicamentos e materiais para controle da diabetes  (Foto: Michel Faustino)

O Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) divulgou, em novembro último, que 8,8% da população adulta na faixa etária dos 18 anos aos 60 anos têm diabetes em Campo Grande. Na capital o Programa Municipal de Prevenção e Controle de Pacientes com Diabetes, realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), oferece tiras reagentes de medida de glicemia para autocontrole da doença aos pacientes diagnosticados com diabetes tipo 1 e 2. De acordo com o assessor da Secretaria Municipal de Saúde Pública (SESAU), Wellington Pena 1.743 pacientes cadastrados no progama utilizam o tratamento de automonitoramento de glicemia disponibilizado pelo SUS.

A gerente técnica do Programa Municipal de Prevenção e Controle de Pacientes com Diabetes da SESAU, Joana D'arc explica que nas unidades de Saúde da capital são realizadas ações de rastreamento e diagnóstico precoce da doença. "Quando você consegue fazer o controle da glicemia, é esperado que existam menos complicações. A grande população que ainda não sabe que tem [diabetes] e quando chega a descobrir, até já apresenta algumas complicações". De acordo com a gerente técnica o programa municipal foi criado em 2000 e tem 22 mil pessoas cadastradas em Campo Grande. "Do ano de 2000 até agora nós tivemos um aumento considerável de portadores de diabetes cadastrados. Esse número pode ser bem maior, porque é estimado que metade das pessoas adultas que tenham diabetes, não sabem que possuem". 

Joana D'arc informa que o cadastro no programa é feito por demanda espontânea ou encaminhamento médico do paciente. "O paciente pode chegar na unidade quando ele mesmo sabe ou viu alguma notícia ou indicado por alguém, principalmente por um agente comunitário de saúde, que faz a visita e verifica se esse paciente possui fatores de risco. Então, o paciente pode chegar na Unidade Básica por esses dois motivos". A gerente técnica explica que, com relação à distribuição das tiras de automonitoriamento da glicemia, há uma normatização criada pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS n° 2.583/2007 que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a garantir medicamentos e materiais necessários para o tratamento domiciliar da diabetes tipo 1 e 2. "O paciente em insulinotearapia, que esteja cadastrado no programa municipal de prevenção ao diabetes e que esteja frequentando atividades de educação em saúde, ele tem direito a receber tiras para dosagem de glicemia, o aparelho, as lancetas e os lancetadores, que é um instrumento que faz a perfuração no dedo." Ela explica que além das pessoas no estágio de insulinoterapia, a SESAU disponibiliza as tiras para mulheres gestantes diagnosticadas ou não com a doença.

  Walleska Vieira teve um aborto espontâneo por causa da diabetes.
  (Foto: Maria Eduarda Leão)

A auxiliar admnistrativa Walleska Vieira descobriu a diabetes em 2014 devido a um aborto espontâneo. "Comecei a fazer uma série de exames para detectar o porque do aborto e foi quando apareceu a glicemia muito alta". De acordo com Walleska Vieira, foi difícil descobrir a diabetes, porque ela não tinha conhecimento da doença e o que poderia causar. "Conviver com diabetes foi muito difícil, eu tinha muito  medo, insegurança, medo de morrer. Eu não tinha muitas informações a respeito". A auxiliar administrativa afirma que após consultar um médico e buscar informações na internet, se sentiu mais segura por saber que existia tratamento. "Eu comecei a fazer o tratamento, tenho uma endrocrinologista que me cuida. Eu busquei informações na internet e vi que é uma doença que acomete milhões de brasileiros e eu fui me acalmando e percebi que eu me cuidando, tomando os remédios e fazendo o acompanhamento médico, o medo de morrer iria acabar". 

Sobre a doença

A diabetes é uma doença crônica que causa o comprometimento na produção de insulina do corpo afetado e traz desiquilíbrio no controle de glicose no sangue. A médica endocrinologista Dra. Érica Silva afirma que um dos principais riscos da doença é o aumento do nível de glicose. “A doença pode levar a morte por alterações agudas. Por exemplo, a Cetoacidose Diabética é uma complicação aguda, a pessoa descompensa a produção de insulina, a glicose sobre muito, ela faz uma acidose metabólica, e isso pode causar morte”. Ela explica que a doença traz complicações para outras disfunções do corpo. “A diabetes aumenta muita a incidência de doenças macro vasculares, como o infarto e o AVC, o Acidente Vascular Encefálico. Só por ser diabético a pessoa já tem três vezes mais chances de enfartar do que uma pessoa que não tem diabetes”.

A endocrinologista ressalta que a doença é dividida em duas categorias, a diabetes tipo 1, adquirida por alteração genética, e a diabetes tipo 2, causada pela pré-disposição da doença pelo histórico familiar.

A doutora afirma que a diabetes pode ser uma doença debilitadora, que compromete a qualidade de vida do portador. “Tudo isso tem uma repercussão socioeconômica bem importante. A diabetes aumenta incidência dessas doenças macro vasculares, como AVC e infarto, que muitas vezes deixam a pessoa debilitada, ou as vezes limitada, acamada. A pessoa tem um AVC e fica com sequelas permanentes”. Ela ressalta que a falta de acessibilidade ao tratamento, as características da doença e a falta de informação resultam no baixo número de pacientes . “É uma doença silenciosa, pouco diagnosticada, pouco prevenida, pouco tratada - porque a maioria não trata de forma adequada e às vezes porque não tem acesso a isso. Tem muitas repercussões sistêmicas, muitas complicações. Complicações essas debilitantes, que tiram o paciente de sua vida ativa”.

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