SAÚDE

Serviço de Trauma Dental pioneiro no estado promove campanha para dentistas

Iniciativa tem objetivo de ensinar os primeiros socorros em caso de trauma dental

Camila Andrade, Raquel Eschiletti e Rúbia Pedra, de Campo Grande12/11/2019 - 06h55
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A equipe do projeto Serviço de Trauma Dental (STD) iniciou a campanha Salve seu Dente no mês de outubro. O objetivo principal é divulgar os cuidados e primeiros socorros em caso de trauma dental para a população. Inicialmente o enfoque é ministrar palestras nas Unidade de Pronto Atendimento (UPAs), Unidade Básica de Saúde (UBS) e policlínicas do estado, e, futuramente, nas escolas, para que a equipe docente saiba como aplicar os primeiros socorros. 

A campanha é uma parceria do Serviço de Trauma Dental (STD) da Faculdade de Odontologia (Faodo) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). O professor e coordenador do projeto, Jefferson Marion explica que as palestras servem para instruir profissionais da saúde no atendimento inicial e orientar o encaminhamento dos pacientes para o STD. A equipe distribui materiais gráficos como panfletos, pôsteres e cartilhas instrutivas para moradores do estado. Ele explica que essas informações são muito importantes, pois o tratamento tem maior eficácia quando o paciente é atendido corretamente e o mais rápido possível. “A população é o nosso grande alvo, para que a gente possa deixar claro que a qualquer momento que esse trauma foi acometido a gente vai estar aqui prontos para atendê-los". 

As visitas são realizadas pelos alunos integrantes do projeto acompanhados do professor orientador. A bolsista do STD, Luiza Queiroz explica que as crianças são maioria nos casos de trauma recebidos no projeto. Ela afirma que a campanha será direcionada para as escolas do estado no início de 2020, para alcançar os novos alunos. “Recebemos muitos convites para fazer palestras em escolas. A gente recebe muita criança que vem acidentada da escola então é muito importante ir lá explicar para os professores".

Para o dentista responsável pela Unidade Básica de Saúde (UBS) “Dr. Celso Lacerda de Azevedo” do bairro Pioneiros, Waldir Benetti o projeto é relevante principalmente devido ao acompanhamento disponibilizado após o tratamento do trauma. Marion explica que todo paciente que é acometido pelo trauma precisa de um acompanhamento de até cinco anos, para evitar sequelas. Ele complementa que o paciente precisa de uma alimentação diferenciada, e por isso o projeto possui uma equipe coordenada pela professora do curso de Nutrição da UFMS, Maruska Dias Soares, que orienta dietas especiais para manter o procedimento seguro e eficaz. Benetti explica que o trabalho do projeto no atendimento da população em geral é importante. "Eles [pacientes] vão saber que estão bem cuidados e isso é uma iniciativa muito importante da Universidade Federal, do professor Marion e sua equipe. A gente parabeniza".

A gerente da UBS Pioneiros, Ivone Cortina destaca que a unidade tem dificuldade no atendimento com urgência devido aos problemas no agendamento de consultas e, por isso, o serviço é essencial para adiantar esse processo. A auxiliar de dentista Joice Costa explica que a questão social do projeto é o que chama atenção e afirma que o STD contribui na democratização de tratamentos para a comunidade por meio de atendimentos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pois procedimentos como prótese e reconstrução são realizados em maioria por convênios particulares. “Eu já penso como se eu fosse o paciente, que às vezes não tem pra onde ir e passa o resto da vida com aquele dente quebrado. Esse trabalho ajuda muito os nossos pacientes”.

O projeto Serviço de Trauma Dental começou em 2017, por iniciativa do professor Jeferson Marion, que ao se mudar para Campo Grande percebeu que Mato Grosso do Sul era desprovido de um centro de referência para atender pacientes de trauma dental. O professor verificou a necessidade de criar um serviço para atender a população e para capacitar os alunos de graduação que concluiam o curso sem ter a formação no assunto. A bolsista Luiza Queiroz explica que ter um centro de referência facilita para o paciente, porque o tratamento é rápido. “Quando ele entra aqui o problema dele é resolvido, o paciente não paga nada. A maioria dos nossos atendimentos são feitos de forma gratuita pelo SUS”.

Todos os pacientes atendidos assinam uma autorização para que os integrantes do projeto possam, a partir das informações obtidas pelos atendimentos, fazer um compêndio e juntar os dados para a pesquisa sobre trauma. Os tópicos iniciais da pesquisa serão os traumas de maior incidência, a população mais atingida e a idade que mais é acometida.

O professor afirma que o tema traumatismo dental é ausente na estrutura curricular do curso de Odontologia, por isso alguns profissionais formados têm dificuldades com essas situações. O projeto proporciona conhecimento extra, cerca de 35 horas de aula teórica de traumatismo dental, e de seis meses a um ano de prática para alunos da UFMS. “Para o acadêmico é um conhecimento que ele iria se formar sem. E agrega muito à grade curricular dele, aos profissionais da área, uma segurança maior desse atendimento, para ser especialista e resolver mais rápido”. 

Elaborado por EJ BRAVA

Serviço

A recomendação do professor é que em caso de quebra de uma parte ou queda total do dente permanente deve-se certificar de segurá-lo pela coroa, e em hipótese alguma pela raiz do dente, sem lavá-lo em água corrente. Em seguida, recolocá-lo no lugar, quanto antes para maior chances de recuperação. Caso a tentativa falhe, guardar o dente em um copo com soro, leite ou saliva e evitar o contato com a água.

Os atendimentos são feitos na Faculdade de Odontologia (Faodo) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, por acadêmicos acompanhados de um professor, de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h.  

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