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16 de October de 2017 - 16h52

Consumidores relatam casos de intoxicação alimentar por falta de higienização nas redes "fast food"

Denúncias registradas pela Secretária de Saúde são relacionadas aos quatro mil estabelecimentos de comércio de alimentos

ALEXANDRE KENJI, ANA CAROLINA PLANEZ E MARIA LUIZA PEREIRA
Funcionário manipula alimentos dentro de cozinha de fast foodFuncionário manipula alimentos dentro de cozinha de fast food  (Foto: Maria Pereira)

A Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) registra, por dia, a média de 15 a 20 casos de denúncias relacionadas à falta de higienização na manipulação de alimentos nos comércios da capital. De acordo com o chefe de Fiscalização de Alimentos da Vigilância Sanitária, Leonardo Azambuja Jacarandá as denúncias registradas abrangem os quatro mil estabelecimentos alimentícios da cidade. Outras denúncias, de acordo com Azambuja, são direcionadas a Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) como ausência de informações acerca da validade dos produtos, ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC), ausência de tabela de preços na entrada ou em cardápios do estabelecimento e conservação dos alimentos e bebidas comercializados.

O estudante de direito, Alexsander Soares afirma que "passou mal" em dois restaurantes de fast food da capital. Em um dos casos o jovem apresentou sintomas de infecção alimentar por nove dias e precisou ser hospitalizado. “Foi no dia 10 de fevereiro, pedimos um hot dog completo e eu passei mal por nove dias. Os sintomas foram febre, diarréia e vômito e eu só tinha comido o hot dog naquela noite. Acredito que a falta de higiene nesses locais é muito grande. Tenho vários amigos que passam mal sempre”.

A estudante de jornalismo, Juliane Grisoste Aguillar Stein e seu marido Rafael Aguilar Stein encontraram um caramujo no lanche, no último horário do drive thru, na loja da rede de fast food Mc Donald´s, localizada na Avenida Mato Grosso, nº 2795. Rafael Stein produziu um vídeo em que registra a situação, divulgado pela esposa no Facebook.

Juliane Grisoste afirma que seu marido apenas percebeu a anormalidade quando consumiram o produto em casa. “Eu até quase vomitei, pois dá muita ânsia ver aquilo, né? Você ver que está comendo um lanche e que você pode ter a chance de comer um caramujo vivo”. O casal entrou com processo na justiça contra a rede de alimentação fast food. 

Para a nutricionista Marilza Lima da Cunha o cliente deve denunciar para o Procon ou para a Vigilância Sanitária os casos de infecção por alimentação ou casos de descuido no comércio alimentício. “A população deve informar e não esperar que os órgãos de fiscalização vão até cada estabelecimento. Todo cardápio de qualquer restaurante ou lanchonete com alvará de funcionamento regular tem os cuidados de uma nutricionista, ou seja, há um cuidado para a produção dos pratos e lanches, e o próprio estabelecimento tem que estar apto a atender a todo tipo de demanda do consumidor. Quanto maior o descaso da população na denúncia, menor será o efetivo de melhorias na qualidade da alimentação na cidade”.

Para o chefe de fiscalização de alimentos da Vigilância Sanitária, Leonardo Azambuja Jacarandá a população tem que se manter atenta sobre os lugares onde consomem alimentos. "Dos mais de quatro mil estabelecimentos alimentícios de Campo Grande, muitos não possuem a autorização da Vigilância Sanitária para o funcionamento, são, em sua maioria, locais menores que as redes de fast food. Essas redes de alimentação na capital passam por um rigoroso procedimento de higienização e visitas da vigilância para a conferência de materiais, manuseio do alimento e limpeza do ambiente, então os casos de infecção alimentar nas redes fast food podem acontecer, mas com menos incidência que nos locais em que não há autorização da vigilância sanitária para o funcionamento”.

A área técnica da Coordenadoria de Vigilância Sanitária e Ambiental (CVSA) é o Serviço de Fiscalização de Alimentos (Sefal), que hoje possui 70 fiscais para inspeção do setor alimentício e realiza um conjunto de ações de prevenção de riscos à saúde do consumidor, intervenção nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens que se relacionam diretamente com a saúde. De acordo com Jacarandá, dos sete mil pontos de comércio da capital, quatro mil são do setor alimentício. 

De acordo com Jacarandá, as denúncias devem ser feitas pelo número da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), 3314-9955, e pode ser realizada sem identificação. Outra forma de denúncia é acessar a página da Secretária de Saúde para relatar casos de intoxicação ou má higienização local. “O consumidor tem que ir atrás da Sesau para denunciar tais casos, pois a vigilância não consegue atuar em cada estabelecimento de comércio alimentício para averiguar possíveis manuseios indevidos da alimentação. A população deve reivindicar por isso para que possamos trabalhar em conjunto”. 

O chef gastronômico Almir Castanho afirma que o ambiente de trabalho das cozinhas de restaurantes tem que estar aberto ao público para a averiguação de como são preparados os pratos e armazenados os alimentos. “Cada local que tenha venda de alimentos deve ter o máximo de cuidado com o cliente, que é o nosso principal foco. Ele tem que saber como são preparados o cardápio local, como armazenamos os alimentos e até se a nossa cozinha está higienizada em perfeito estado. Pois caso houver algum tipo de problema, saberá que não veio da cozinha. Todo restaurante deve ter profissionais qualificados e com o curso de higiene de manipulação de alimentos, que é obrigatória a qualquer restaurante, e oferecida pela vigilância sanitária". 

O advogado e professor do curso de Direito da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Érico Fathi explica que o consumidor só poderá entrar no estabelecimento para conferir a cozinha e o procedimento de preparo alimentício caso o restaurante permita o acesso. “Para um cliente entrar em uma cozinha de um restaurante não há uma lei no âmbito municipal ou estadual que confere ao consumidor essa questão, fica facultativo para o restaurante permitir esse acesso. Em São Paulo e Rio de Janeiro já existem legislações específicas para esse tipo de visita em bares, restaurantes e casas noturnas. Aqui fica a critério do próprio estabelecimento decidir essa entrada”. 

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