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EQUOTERAPIA

Centros de equoterapia tem lista de espera para atendimentos

Alto custo da terapia faz com que a população procure pelo serviço gratuito

Bárbara Cesaretto, Ketlen Gomes e Vitória Teslenco, de Campo Grande 6/10/2017 - 08h04
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A procura pela prática terapêutica da equoterapia teve um aumento na capital sul-mato-grossense. Um dos fatores que gerou filas de espera para o tratamento é a prática ser oferecida por apenas uma instituição em Campo Grande. O Centro de Equoterapia da Polícia Militar tem capacidade de atender 132 pessoas. São feitas duas chamadas por ano para atendimentos. O aumento na procura diminuiu o número de sessões por praticante, de três vezes por semana para apenas uma e ocasionou uma fila de espera.

De acordo com o vice-presidente do Centro de Equoterapia, Severino Herislandio há uma grande procura pelo tratamento “Por sermos uma instituição filantrópica o aumento de pessoas que buscam esse atendimento cresce constantemente todos os anos''. O acesso ao tratamento é realizado por meio do preenchimento de um formulário e apresentação de exames e laudos médicos que comprovam a necessidade do atendimento e a patologia do interessado. A equipe de funcionários avalia o candidato e analisa qual será o foco de seu tratamento ou o que ele deve desenvolver durante o processo. O Centro tem 15 funcionários entre psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e pedagogos contratados e estagiários voluntários.

O cavalo é usado de forma interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação. Segundo a terapeuta Marcia Ximenes o uso da técnica para tratar pessoas com deficiência ajuda a desenvolver o equilíbrio e o fortalecimento da musculatura dos praticantes.

Especialistas do Centro afirmam que a equoterapia é um metodo terapeutico educacional que traz benefícios para deficientes físicos e mentais. Cada tratamento dura em média 6 meses. Alguns meses após a alta, o "praticante" retorna para uma avaliação, se houve algum retrocesso. Segundo Severino Herislandio “a maioria dos pacientes é criança, mas também temos vários jovens, adultos e pessoas da melhor idade”.

Em Campo Grande existem dois locais que oferecem o tratamento, um público, da Polícia Militar, que aceita convênios de saúde e outro particular, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que está em reforma, sem realizar atendimento e aceitam poucos interessados, pois a equoterapia não é o único serviço oferecido com cavalos. No interior do estado há o Centro de Equoterapia do Sindicato Rural de Jardim Passo a Passo.

Bruno Horing em sua sessão de Equoterapia. (Foto: Barbara Cesaretto)

Bruno da Motta Horing de 11 anos, foi vítima de afogamento há nove anos e teve paralisia cerebral. Os médicos deram alguns meses de vida para ele. Com o tratamento, que engloba terapia, fonoaudiologia, neurologista e equoterapia, o "praticante" apresentou melhoras significativas no andar e na fala.

Bianca Ales Barbosa da Motta Horing, mãe de Bruno Horing, recebeu indicação da equoterapia logo após o filho sair do hospital em que esteve internado. "Quando ele saiu do hospital foi um choque para mim, eu não sabia o que ia acontecer, mas a equipe que cuidou dele já me passou uma relação de profissionais que eu deveria procurar para auxiliar na evolução do Bruno e a equoterapia foi uma delas". A mãe de Horing começou o tratamento há três anos no Centro de Equoterapia da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Giovana Joaquim Hoffman de 3 anos, foi diagnosticada com autismo aos dois anos. Há sete meses começou a equoterapia. Segundo a mãe, Silvia Hoffman, entre as melhorias perceptíveis está a interação com o cavalo. No ínicio, praticava a montaria dupla, com a psicóloga, na segunda sessão aceitou montar sozinha.

Os objetivos a serem atingidos com Giovana Hoffman são de aproximação, afetividade, estimular a percepção, memória e a fala, que ainda é ausente, afirma a psicologa. Segundo a mãe de Giovana Hoffman "a equoterapia é muito boa, esse contato com o animal é muito bom, ele é muito puro assim como a criança, passa uma confiança’’.

Benefícios

Segundo a psicóloga do Centro de Equoterapia da Polícia Militar, Jéssica Moraes a equoterapia traz benefícios biológicos e psicossociais para os pacientes. O primeiro contato entre "praticante" e profissionais é necessáro, pois é o momento em que é feito a avaliação interdisciplinar, onde é avaliado o estado da chegada e a patologia, para ser decidido qual o procedimento e quais intervenções serão necessárias para o interessado. 

A Associação Nacional de Equoterapia (ANDE BRASIL) é órgão que estipula as regras da equoterapia e oferece cursos profissionalizantes para a área. Para ser credenciado, o Centro deve ter um psicólogo, fisioterapeuta e um equitador, e todos os profissionais precisam ter o curso da ANDE. 

Os profissionais definem objetivos para os pacientes que são reavaliados de acordo com o tempo e as mudanças na prática. A fisioterapeuta e estudante de pós-graduação em equoterapia da Universidade de Brasília, UnB, Márcia Gisele Mendonça Ximenes destaca a relação entre praticante, profissionais e animal. “O praticante tem que confiar em você, ele tem que confiar na equipe, tem que confiar no cavalo, então é uma troca muito grande, você cria esse vínculo”. De acordo com a profissional, a melhora física e psicológica é dada pelos vínculos criados.

A fisioterapeuta do Centro, Marcia Ximenes afirma que o tratamento fisioterapêutico na equoterapia proporciona melhora no equilibrio, reforço muscular, controle de tronco e educação postural, devido ao movimento tridimensional que o cavalo realiza ao andar. 

 

Serviço

Centro de Equoterapia da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PM/MS)
Avenida Lima Félix, 174, no Parque dos Poderes.
Telefone: (67) 3326-0253

 

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