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6 de November de 2017 - 16h58

Centro de Combate de Zoonoses tem primeira sala de vacinação pré-exposição antirrábica do país

A Sala atenderá trabalhadores que fazem parte dos grupo de risco e estudantes dos cursos de Medicina Veterinária, Biologia, Agronomia e Zootecnia

ALEXANDRE KENJI, ANA CAROLINA PLANEZ E MARIA LUIZA PEREIRA
Inauguração da Sala pelo secretário de Saúde, Marcelo Vilela e a vice-prefeita, Adriane LopesInauguração da Sala pelo secretário de Saúde, Marcelo Vilela e a vice-prefeita, Adriane Lopes  (Foto: Juliana Galhardo)

O Centro de Combate de Zoonoses (CCZ) de Campo Grande inaugurou, no dia 19 de outubro, a Sala de Vacinação para Grupos de Risco-Profilaxia Pré-Exposicional Antirrábica, a primeira sala exclusiva do país para atender profissionais expostos ao vírus da raiva. Entre os profissionais a Sala atenderá também os acadêmicos dos cursos de Medicina Veterinária, Biologia, Agronomia e Zootecnia, considerados grupo de risco da exposição ao vírus, para tomar a vacina pré-exposicional. O local também realiza a coleta de sorologia que é enviado para o Instituto Pasteur de São Paulo para verificação de imunidade do profissional à raiva. 

Para a médica veterinária e coordenadora do Centro de Combate de Zoonoses (CCZ), Iara Helena Domingos, a criação da sala foi consequência da quantidade de surtos de raiva que ocorreram no sul do estado nos meses de julho à setembro. “Existem vários casos de raiva aqui no estado, como tivemos agora no meio do ano o surto de raiva bovina em cidades como Aral Moreira, e também o surto de raiva animal em Corumbá, que ainda não foi resolvido. A criação dessa sala pré-exposição foi uma resposta imediata da prefeitura e da Secretaria de Saúde para ter esse cuidado com os profissionais e acadêmicos que estão aonde tem a ocorrência desses focos da doença”.

Para Iara Domingos é grande o número de profissionais que estavam expostos ao vírus. “No ano de 2016, apenas setenta e três profissionais de todo o estado tomaram a vacina pré-exposição, dentre eles, aqueles que realizavam a coleta dos morcegos transmissores. A vacina pré-exposição já existe bem antes da criação da sala, sendo que os próprios profissionais da área de saúde animal, e até mesmo aqueles que atuam no campo e próximos aos animais e aos transmissores da doença, não tomavam a vacina por falta de conhecimento e preocupação”.

Segundo a professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e doutora em Ciência Animal, Juliana Galhardo a Sala de Vacinação Pré-exposicional tem importância histórica para o país. “É a primeira sala do Brasil especializada em vacina pré-exposição aos profissionais da saúde que estão envolvidos no meio animal e rural. Já existia a vacina, porém, não era procurada nem pelos profissionais da área e muito menos sabiam da importância deste cuidado”.

Juliana Galhardo também explica que a Sala é a primeira no país especializada na vacinação de pessoas dentro dos grupos de risco.

De acordo com a coordenadora do CCZ, Iara Helena a vacina pré-exposição também se enquadra em profissionais do ambiente urbano. “Muitos pensam que só devem tomar quem está no meio rural. Os profissionais de pet shop e hospitais veterinários também devem tomar a vacina por terem um risco à exposição constante do vírus, como diz . Um simples arranhão ou mordida de um gato ou cachorro pode ser um agravante”.

A professora Juliana Galhardo ressalta a diferença das vacinas pré e pós-exposição aos profissionais da área e às pessoas que moram em regiões rurais. “A vacina pré-exposição é uma prevenção para que os profissionais ou moradores de certa localidade onde há índice de morcegos transmissores ou de animais passíveis de terem a doença estejam protegidas. A pós-exposicional já realizadas nas pessoas que tiveram o contato com o animal ou foram agredidas. Essas pessoas devem lavar o local da agressão de imediato com água e sabão e irem a uma unidade de saúde 24h, para o encaminhamento se há necessidade da vacina pós-exposição ou não, caso tenha sido uma agressão leve”.

O médico veterinário ou zootecnista, para ser vacinado, deverá apresentar a carteira de identidade profissional do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV), e os acadêmicos de Biologia, Zootecnia, Agronomia e Medicina Veterinária deverão entregar a declaração da faculdade para serem vacinados. A acadêmica do curso de Medicina Veterinaria, Priscila Medina Farinha afirma que uma das professoras do Curso dará meio ponto na média das notas de avaliação como forma de incentivar os alunos a se vacinarem ou fazerem a titulação. "Se quem não tiver a vacina, for fazer a vacina e quem não tiver a titulação for fazer a titulação, é só entregar um comprovante para ela que ela vai dar esse meio ponto na média. É uma forma de estimular mesmo". Priscila Farinha explica que a "titulação" é um exame que serve para medir a quantidade de anti-corpos que a pessoa tem depois de alguns anos "É só pra saber que tem, pois se não tiver tem que fazer a vacina de novo".

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