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14 de November de 2017 - 00h42

Secretaria de Saúde lança campanha Novembro Azul e garante diminuir óbitos por câncer de próstata

Campanhas de conscientização ajudaram a reduzir em 46% a taxa de mortalidade por câncer de próstata em Mato Grosso do Sul

CAROLINE CARVALHO E HÉLIO LIMA
Pacientes encaminhados para fazer exame de próstata, no Hospital do Câncer Alfredo AbrãoPacientes encaminhados para fazer exame de próstata, no Hospital do Câncer Alfredo Abrão  (Foto: Caroline Carvalho)

A Secretaria Estadual de Saúde (Ses) lançou no início deste mês a campanha Novembro Azul, destinada à prevenção do câncer de próstata. Durante todo o mês de novembro, serão realizadas palestras educativas com objetivo de conscientizar a população, em especial a masculina, sobre a importância do diagnóstico precoce da doença, além de desmitificar temores e preconceitos acerca dos exames preventivos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre homens no Brasil.

Paciente faz coleta de sangue para exame PSA (Caroline Carvalho)

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o câncer de próstata é a maior causa de mortes por câncer em homens na cidade de Campo Grande. A doença foi a responsável por 15,4% do total de óbitos por neoplasias em homens no ano passado, seguido de câncer nos pulmões e brônquios, com 15% do total. No primeiro semestre de 2017, foram registrados 21 mortes por câncer de próstata no município. As unidades de saúde realizarÃO até o fim do mês ações específicas sobre a saúde do homem. 

Segundo o coordenador do setor de Urologia da Secretaria Estadual de Saúde (Ses), Nelson Trad Filho a taxa de mortalidade por câncer de próstata diminuiu cerca de 46% nos últimos dois anos em Mato Grosso do Sul, devido às ações educativas promovidas pelo governo do estado. De acordo com Trad, 120 homens morreram por câncer de próstata de janeiro a novembro deste ano, enquanto que em 2015 foram registradas 223 mortes pela doença no estado. “Muito importante que se registre que com a conscientização que estamos promovendo diante das campanhas que a mídia faz, que o nosso serviço de urologia da secretaria de estado faz, leva o paciente a se prevenir. E nessa situação ele acaba descobrindo doença que antes ele não descobria". 

O médico urologista José Ricardo Silvino explica que câncer de próstata é o aumento maligno da glândula do sistema genital masculino, cuja secreção é associada ao líquido seminal. “O câncer de próstata é uma neoplasia maligna que afeta uma das glândulas responsáveis pela reprodução. É um câncer que afeta um a cada três homens, com uma estimativa de 65 mil novos casos por ano e 13 mil mortes”.

Silvino destaca que existem dois exames principais para o rastreamento da doença, o exame de toque retal e o exame de Antígeno Prostático Específico (PSA). “São exames complementares. Todos os homens acima de 50 anos devem realizar esses exames ou homens com mais de 45 anos que tenham fatores de risco, que incluem histórico familiar de câncer de próstata, população negra que possui uma incidência maior ou pacientes que têm uma dieta rica em gorduras saturadas”. Segundo o médico, a detecção do câncer de próstata nas fases iniciais possui um potencial de cura de até 95%.

Fonte: Ministério da Saúde.
Produção: Caroline Carvalho.

 

Desafios

De acordo com Nelson Trad Filho, os principais desafios para prevenção do câncer de próstata estão ligados ao preconceito acerca dos exames clínicos e a baixa participação da população masculina nos serviços de saúde. “Se você observar, a mulher tem uma consciência preventiva da saúde muito maior do que nós homens. E além de que o exame preventivo da próstata é feito através do toque retal, e isso gera um preconceito, fazendo com que a pessoa não queira fazer esse exame pelo preconceito, pela vergonha que ela possa ter”.

O organizador cultural Pietro Luigi, de 41 anos, explica que ainda não realizou o exame de próstata por falta de tempo, e acredita que o machismo e a falta de preocupação com a própria saúde são os principais motivos que afastam os homens da realização dos exames. “Eu acho que alguns homens não façam por achar que vai ter alguma coisa a ver com a masculinidade, aquela coisa da sociedade machista como um todo. De achar que na verdade, você está infringindo seu corpo. Mas eu não fiz no caso justamente pelo corre-corre, de ter esquecido também. E na verdade, tem uma coisa curiosa, homens de modo geral, e eu não me excluo dessa, por algum motivo não vão ao médico, deixam para depois". 

Professor Ricardo Dutra Aydos, da Famed (Hélio Lima) 

De acordo com o documento Perfil da Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, homens procuram menos os serviços de saúde por limitação de tempo e, principalmente, pela falsa autopercepção da sua infalibilidade física e mental. “Uma das principais diferenças de gênero se refere aos cuidados com a saúde, o que fica evidente ao se comparar a concentração de consultas por habitante entre o sexo masculino (0,06) e o feminino (4,3). Isso representa mais de 235 milhões de consultas para as mulheres, ou seja, uma concentração 71 vezes maior que a dos homens”.

O professor da Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Ricardo Dutra Aydos, que desenvolve projeto de pesquisa sobre a associação entre a incidência do câncer de próstata e a exposição a agrotóxicos, destaca a necessidade da campanha Novembro Azul alcançar a população rural do estado. “Eu acho que essa campanha deveria se concentrar no trabalhador rural, que não sabe muitas vezes o risco que ele está correndo e incentivar esse trabalhador que mora perto da plantação de soja, às vezes um trabalhador ou um dono de pequena propriedade, a fazer o exame de próstata”.  

 

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