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28 de janeiro de 2016 - 00h16

Alunos da UFMS desenvolvem sistema de tratamento não invasivo para hipertensos

Sensor poderá detectar crises de pressão alta e enviar mensagens imediatas de socorro

ISABELA HISATOMI E JACQUELINE GONÇALO
Aparelho detecta pressão sanguínea e emite o som pelo fone caso haja alguma alteraçãoAparelho detecta pressão sanguínea e emite o som pelo fone caso haja alguma alteração  (Foto: Isabela Hisatomi)

Alunos de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Rafael Alves e Wellington Oliveira, desenvolveram, com a coordenação do professor Ricardo Santos, um sistema que auxilia no tratamento da hipertensão que detecta crises e envia sinais de alerta. O projeto batizado de Healthy Life foi desenvolvidos pelos acadêmicos para auxiliar na identificação e no monitoramento da pressão arterial. Os alunos afirmam que os dispositivos disponíveis no mercado para o monitoramento de batimentos cardíacos, frequência respiratória e pressão arterial são difíceis de manusear e por isso  usados com pouca frequência. Rafael Alves explica que o aparelho é de fácil manuseio. "Montamos um sistema para estimar a pressão e poder fazer um pré-tratamento da hipertensão usando os fones de ouvido".

O número de hipertensos no Brasil deve crescer 80% até 2025, segundo um estudo conjunto da Universidade do Estado de Nova York, da Escola de Economia de Londres e do Instituto Karolinska (Suécia). A hipertensão arterial é uma doença crônica causada por altos níveis de pressão sanguínea nas artérias, o que faz com que o coração se esforce mais do que o normal para que o sangue circule por meio dos vasos sanguíneos.

Alves aponta também que o fone binaural foi um dos pontos de partida para desenvolver o sistema. "O fone de ouvido transmitiria sons binaurais, que são vibrações sonoras em uma determinada frequência. Estes sons acalmam o cérebro fazendo-o trabalhar mais lentamente e, consequentemente, diminuindo a pressão arterial e os batimentos cardíacos. O objetivo é prevenir ataques cardíacos e AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais)".

O acadêmico Wellington de Oliveira, também idealizador do projeto, explica que o sensor funciona de forma prática e rápida.

O professor e coordenador do projeto, Ricardo Santos  esclarece que o Healthy Life poderá ser utilizado de forma simples com um acessório, como um relógio de pulso, e automaticamente armazenará dados do paciente. "Todas as informações obtidas são armazenadas em uma conta do usuário na internet em que a pessoa pode acessar via smartphone".

De acordo com Santos, o prótipo foi criado exclusivamente, para a competição Intel de Sistemas Embarcados que aconteceu em Foz do Iguaçu-PR entre os dias 3 e 5 de novembro de 2015. O professor explica que  o evento propôs o desenvolvimento de um protótipo eletrônico que, uma vez selecionado, passou por mais duas avaliações até ser apresentado. A competição acontece anualmente com Simpósio Brasileiro de Engenharia de Sistemas Computacionais (SBESC).

O corretor de imóveis, Rainier da Silva, é hipertenso e precisa tomar remédios todos os dias para controlar a pressão. Ele afirma que, diversas vezes, é imperceptível quando sua pressão sobe. "Às vezes sinto um incômodo na nuca e aí sei que ela está alta. Um sistema como  esse seria benéfico para eu ter a possibilidade de identificar o momento em que minha pressão teve alteração". 

Saiba mais

Na década de 2001 a 2011, a taxa de mortes por hipertensão aumentou 13,2% em mais de 190 países, inclusive no Brasil. Os dados são do estudo Heart Disease and Stroke Statistics  (Estatísticas sobre doenças cardíacas e infartos) da Associação Americana do Coração (AHA) divulgado durante o décimo terceiro Congresso Brasileiro de Hipertensão, em agosto de 2015.

De acordo com o médico Juliano Paredes, o tratamento da hipertensão vai depender da causa, que deve ser descoberta pelo especialista e pode ser feita por medicação ou até mesmo mudanças nos hábitos de vida. Paredes acrescenta que ter um estado emocional equilibrado também interfere na pressão arterial. "Para evitar a hipertensão deve-se fazer consultas regulares, principalmente depois dos 40 anos, para ter um diagnóstico precoce e poder tratar o quanto antes".

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