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SAÚDE

Metade dos jovens em Mato Grosso do Sul deve ser vacinada contra o HPV

A vacina para meninos de 11 à 14 anos foi disponibilizada em 2017

Diego Eubank, João Victor Reis e Raira Rembi, de Campo Grande 3/04/2018 - 16h18
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Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, em março deste ano, constata que cerca de 50% da população adolescente no estado de Mato Grosso do Sul precisa ser vacinada contra o HPV. Segundo o levantamento, desde a entrada da vacina no Calendário Nacional, foram imunizadas 51,1% das meninas de 9 à 14 anos e 46,7% dos meninos de 11 à 14 anos no estado. A vacina para meninos foi disponibilizada em 2017.

Para a gerente do Programa de Saúde do Adolescente (PSA), Vera Lúcia Ramos a princípio a vacina era liberada para as meninas. "A vacina contra o HPV é extremamente cara, vacinar as meninas era prioridade por conta que a incidência pode ser maior nelas, que iniciam a vida sexual mais cedo e se relacionam com pessoas mais velhas, que são pessoas que têm maior probabilidade de já estarem infectadas". Hoje, a vacina também está disponível para meninos de 13 a 14 anos. "É importante destacar que o HPV não é uma doença que atinge só esta faixa etária. A vacina só é eficaz para pessoas que ainda não contraíram o vírus, por isso o público alvo é o adolescente".

De acordo com Vera Ramos, os agentes de saúde da Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul trabalham a prevenção da doença simultaneamente com a educação sobre saúde sexual e saúde reprodutiva no Programa de Saúde do Adolescente (PSA). "No PSA trabalha-se exatamente com os serviços de saúde, no sentido de facilitar o acesso dos adolescentes aos serviços, tanto na prevenção quanto no atendimento". Para Vera Ramos o  adolescente tem a necessidade de aprender sobre sexualidade de uma forma correta, segundo ela, o PSA e o Programa Saúde na Escola (PSE) são programas reprovados pelos pais e vereadores do município de Campo Grande. "Existe uma caderneta do adolescente que mostra o desenvolvimento puberal em todas as suas fases, essa caderneta já foi parar na câmara de vereadores, em lugares em que adultos se questionam como pode um material desse ser exposto à um adolescente".

Segundo a gerente do PSA e do PSE, o serviço precisa estar preparado para receber o adolescente. "A lei ampara que o adolescente precisa ter privacidade no atendimento. Só se entra em contato o responsável pelo adolescente quando percebe-se que o adolescente não conseguirá resolver a sua problemática por si mesmo, mas as doenças têm tratamento e os adolescentes podem fazê-los em segredo".

A gerente técnica da área de imunização da Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul (SES), Katia Barbosa Lima ressalta que a campanha é de mobilização e comunicação. “A ideia do governo é justamente buscar a adesão desses adolescentes para a vacinação uma vez que é uma faixa etária mais difícil de se alcançar, eles estão na escola e não vêm sozinhos, não procuram uma demanda espontânea”. Segundo Katia Lima o que falta é informação. “ A necessidade  é de maior divulgação do tema e de informação do que é o HPV, e o que a vacina pode prevenir, os cânceres tanto no menino quanto na menina são um exemplo ."

Para o infectologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mauricio Pompilio é necessário maior engajamento na divulgação sobre a doença. “É importante entender que esse vírus infecta milhares de pessoas e por muitos anos ele pode permanecer sem nenhum sintoma. Creio que a população em geral não tem informação suficiente sobre os riscos que esse vírus pode desenvolver em nossa saúde As pessoas que já iniciaram a atividade sexual muito provavelmente já foram infectadas por um tipo de vírus HPV. Quando você consegue vacinar a pessoa antes de iniciar essa atividade sexual, você consegue dar maior proteção a ela contra esse vírus.” 

De acordo com Pompílio, a necessidade de realizar uma campanha de vacinação para o público infanto-juvenil é prevenir a doença o quanto antes. “É uma das pouquíssimas situações onde temos uma vacina no Ministério da Saúde que evita e combate uma infecção e simultaneamente o desenvolvimento de um câncer. A vacina, de forma gratuita, evita uma infecção sexualmente transmissível e ao mesmo tempo diminui a chance do desenvolvimento do câncer de colo de útero e também de pênis. É importante entender que para o desenvolvimento do câncer, muito provavelmente a pessoa já estava infectada por esse vírus a anos antes da manifestação do câncer.”

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