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ELEIÇÕES

Candidatos usam redes sociais como ferramenta de campanha

Em Mato Grosso do Sul, Delcídio do Amaral e Reinaldo Azambuja investiram nesse meio para conquistar novos eleitores.

Gabriel Ibrahim e Raquel de Souza, de Campo Grande17/11/2014 - 16h23
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As Eleições de 2014 foram marcadas pela ampla utilização das redes sociais por eleitores e também por responsáveis pelas equipes das campanhas. Em Mato Grosso do Sul, tanto o candidato Delcídio do Amaral (PT) como o governador eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) usaram desse meio para tentar atrair eleitores. Em consulta realizada no dia 17 de novembro, Delcídio tinha mais de 79 mil “curtidas” em sua página no Facebook, e 29,5 mil “seguidores” no Twitter. O governador eleito Reinaldo Azambuja tinha 32,819 “curtidas” e quase três mil “seguidores”.

O coordenador de conteúdo e de interações nas redes sociais da campanha do candidato petista, Alan de Farias Brito, afirma que houve uma alteração no tamanho e no sentido que as redes sociais têm nas campanhas neste ano. “Até 2012 a televisão era parte fundamental e única, onde você conseguia colocar todas as ideias pro público, mas hoje em dia isso se alterou, as pessoas buscam conhecimento fora da televisão”.

Para Brito, a tendência para o futuro é a chamada “transmídia”, isto é, integrar os conteúdos formulados para a televisão e para a internet. Durante a campanha, Delcídio esteve presente nas redes sociais mais populares como FacebookTwitter e Instagram, e também em outras que reúnem menos usuários como Ask.fm e LinkedIn. Conforme Brito, é importante ocupar as redes para aproximar o candidato do público. “Às vezes não é tão interessante pra ganhar eleitor, mas humaniza a campanha e a torna mais próxima das pessoas”.

 

O coordenador de mídias digitais da campanha de Reinaldo Azambuja, Iago Bolívar, avalia que a inclusão digital de pessoas de menor renda e a adesão de pessoas com mais de 50 anos colaborou no crescimento da utilização das redes sociais, além de tornar o público mais representativo. “Houve também um ativismo maior por parte dos próprios usuários, que se apropriaram das redes para participar diretamente da campanha, cobrando, tirando dúvidas e defendendo as suas ideias e seus candidatos”.

Segundo Bolívar, na campanha tucana as redes sociais foram utilizadas como um canal direto do candidato com as pessoas. Ele afirma que as mensagens dos internautas eram repassadas até mesmo ao próprio candidato. “Cada vez mais, o usuário das redes sociais quer ser ativo. Ele busca informações, e é naturalmente influenciado por elas, mas procura mais do que isso: ele quer dar as notícias para o seu círculo de amigos, quer debater, quer convencê-los”.

Ele afirma ainda que, na última semana do segundo turno, os perfis de Reinaldo Azambuja alcançaram mais de um milhão de visualizações apenas no Facebook, com mais de 50 mil interações.

Facebook e Twitter divulgam dados sobre eleições brasileiras

Dados divulgados pelo Facebook logo após os resultados do segundo turno mostram que as eleições brasileiras bateram o recorde e se tornaram o pleito mais comentado da história na plataforma, com mais de 674 milhões de interações relacionadas, que incluem “curtidas”, comentários, compartilhamentos e outras publicações.  No primeiro turno foram registradas 346 milhões de interações, com mais 328,4 milhões no segundo turno, uma média de 977 mil por hora.

Segundo a companhia, até então a maior eleição era a da Índia também deste ano, que motivou 227 milhões de ações, em um país que possui o dobro de internautas que o Brasil. O Twitter, outra rede social muito utilizada pelos brasileiros, também divulgou dados sobre as eleições brasileiras. Foram 21,5 milhões de tweets sobre os candidatos que chegaram ao segundo turno, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Muitos eleitores utilizaram as plataformas para declarar abertamente seu voto, na tentativa de convencer outros eleitores. É o caso da estudante Luana Ayala, que comentou sobre o assunto com frequência nas duas redes sociais mencionadas.

Para o cientista político e professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Estevão de Miranda, as redes sociais são semelhantes a espaços públicos, porém em um âmbito virtual. Miranda explica como a possibilidade de se expressar para um vasto número de pessoas influencia no modo de comportamento dos usuários das redes.

De acordo com informações das empresas, os perfis de Dilma e Aécio mandaram 2.793 tweets durante o período da campanha. Nas últimas 24 horas que antecederam a votação, eles publicaram 64 postagens no Facebook, que geraram 7,6 milhões de interações.

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