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9 de junho de 2014 - 21h24

Copa do Mundo no Brasil divide opiniões nas entidades sociais da UFMS

Movimentos estudantis da UFMS têm posições divergentes sobre a realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil

AMANDA BOGO E THIAGO CAMPOS
Manisfestações tomam parede do Diretório Central Estudantil da UFMSManisfestações tomam parede do Diretório Central Estudantil da UFMS  (Foto: Amanda Bogo)

A Copa do Mundo divide a opinião dos brasileiros quanto a sua realização no país. Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) existem entidades sociais que divergem sobre a realização do evento no Brasil, é o caso do Movimento de juventude anticapitalista (RUA) e a União da Juventude Socialista (UJS).

O movimento RUA é a junção de movimentos que militavam por diferentes causas, como direitos estudantis e sociais e a legalização da maconha. O movimento atua dentro da atual gestão do Diretório Central Estudantil (DCE), da UFMS, em oposição a União Nacional dos Estudantes, (UNE).

O estudante de Economia, coordenador do DCE e membro do RUA, Renan de Araújo, é contra a realização do evento. “Nós criticamos todo o processo de construção da Copa do Mundo, processo de remoção, de criminalização da pobreza, a expulsão de moradores para a construção de estradas, os investimentos que foram feitos com muito peso e a prioridade para a construção de estádios”. Araújo alega que a verba destinada a construção de estádios para a copa foram superiores a verba para a assistência estudantil, “a verba para a assistência estudantil, que é quem garante restaurante universitário, moradias, bolsas permanência e outras coisas para todas as universidades do país não passa de R$1,5 bilhão. E só para a construção de estádios no padrão FIFA, foram gastos mais de R$ 8 bilhões. Então, esses oito bilhões dariam para ter sido investido no combate a evasão, que hoje é um dos grandes problemas nas universidades”.

O estudante afirma "é muito difícil que a copa não aconteça, mas seria bom para o governo, para as grandes empresas, para a FIFA, para quem acha que pode fazer o que quer porque tem dinheiro para aprender que não é assim, que quando o povo não quer, não acontece”.

A união da Juventude Socialista é a favor da copa. O estudante de Ciências Sociais, Maurício Costa Jr., faz parte do movimento e diz ver que os investimentos feitos não são apenas para a copa, mas para o Brasil. “Hoje 70% dos investimentos da copa no Brasil são em infraestrutura, e é algo que não vai embora junto com a copa, é algo que fica. E eu falo de transporte público, de tratamento de água, esgoto, melhorias de ruas, acessibilidade urbana. Eu concordo que tem algumas obras atrasadas, mas mesmo que elas não fiquem prontas, elas serão terminadas e vão ficar”.

O acadêmico acredita que as manifestações ocorreram tarde, “em 2007 a gente teve a chance de ir para a rua e falar ‘não queremos copa’. Hoje, as redes sociais são muito mais dinâmicas do que em 2007, o que permite que as pessoas questionem mais, o que é muito natural”. Costa Jr. ainda ressalta “para nós da UJS não existe contradição. Nós queremos a copa, saúde e educação. Não somos contra a manifestação de forma alguma. Eles falam que não vai ter copa, a gente fala que vai ter copa, e vai ter copa no fim das contas. Vai ter copa com protesto, e eu acho isso super legal”.

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