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MULHERES NA POLÍTICA

Mulheres líderes comunitárias recebem orientações para aumentar a participação política no Estado

Mato Grosso do Sul possui três deputadas estaduais do total de 24 deputados e uma deputada federal de oito representantes, que equivale a 12% de participação

Gustavo Zampieri, Larissa Ivama e Sarah Santos, de Campo Grande12/06/2018 - 13h56
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As mulheres representam 52% da população e do eleitorado de Mato Grosso do Sul, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e 12% de candidatas eleitas no estado para a Assembleia e Congresso Nacional. Para aumentar a participação, a Lei nº 9.504 de 1997 prevê que 30% dos candidatos em um partido devem ser mulheres. O Governo do Estado, Governo Federal e Tribunal de Justiça organizaram o curso “Mais Mulheres na Política” como política pública respaldada por essa legislação, que ocorreu em maio deste ano. A programação teve palestras sobre políticas públicas para a mulher, reforma política, sistema eleitoral brasileiro, fundo partidário e financiamento de campanhas eleitorais. 

A subsecretária de Políticas Públicas para Mulher, Luciana Azambuja explica que a oficina têm apoio financeiro do governo federal para trazer gestoras públicas e pré candidatas da capital e do interior para discutir sua participação nas eleições e criar uma plataforma de propostas eleitorais feministas para candidatas e candidatos do estado. “Não queremos mais mulheres na política, para preencher cota, sem formação política para defender as próprias pautas.”

A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Silvia Rita Souza ministra oficinas de capacitação política no país e afirma que a plataforma de propostas feministas é importante para uma política com mais igualdade de gênero. “A ideia é construir uma plataforma conjunta que tenha como base a agenda 2030 da ONU e o projeto 5050 da ONU Mulheres". Silvia Rita Souza ressalta que a participação feminina no poder público é baixa e a Lei nº 9.504 pode ajudar a inserir mulheres no poder. “A Lei de Cotas têm ajudado, embora haja muita crítica, ela é a mais viável e têm tido resultado. Em primeiro momento para aumentar o número de candidatas e em um segundo, para aumentar o número de eleitas.”

A secretária Municipal da Mulher de Amambaí, Raíssa Espíndola explica que sua cidade possui 12 vereadores homens e uma mulher. “A nossa dificuldade é motivar mulheres a se interessar por questões políticas. A gente ainda tem um movimento muito tímido de mulheres.” Raíssa Espíndola afirma que é difícil para mulheres conciliar a jornada de vida pessoal e carreira na política.

A pedagoga e representante das mulheres quilombolas do município de Corguinho, Elaine Theodoro ressalta que há pouca participação em sua comunidade. “Existem oportunidades, mas as mulheres ficam acuadas.” Elaine Theodoro explica que em sua cidade há uma mulher como prefeita, Marcela Lopes Ribeiro, e não há vereadoras.

A psicóloga e diretora da Revista Empodere, Cristiane Duarte aponta um retrocesso em relação às políticas públicas para as mulheres e exemplifica com a Secretaria Nacional que tornou-se Subsecretaria. “Esses organismos já haviam sido implementados, perdemos em verba e autonomia”. Também, explica que a participação feminina é pequena e a questão do parentesco das candidatas com políticos prejudica o cenário. “Essas mulheres repetem comportamentos que não seriam de uma representação feminina”.

A secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves afirma que é fundamental maior presença de mulheres no parlamento. “É uma forma de dar poder, visibilidade, condições para as mulheres terem acesso às políticas públicas, prefeituras, órgãos e instituições.” Aparecida Gonçalves cita que no país há uma governadora eleita, Suely Campos, de Roraima. “Tem uma lacuna entre quem é representativo de verdade, as mulheres, e quem determina o poder, que são os homens, e estão fazendo as leis de acordo com seus interesses”.

Luciana Azambuja propõe medidas para o incentivo de presença feminina no poder público. “Coloquem seus nomes a disposição dos partidos, exigindo o tempo de televisão, propaganda em rádio, o financiamento de campanha que o Tribunal de Contas (TCE) acabou de decidir que deve ser proporcional ao número de mulheres no partido.”

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