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  Sunday, 27 de May de 2018
 
23 de April de 2018 - 16h03

Assembleia Legislativa promove audiência sobre a extração do gás xisto no Estado

Projeto de lei do deputado Amarildo Cruz tem o objetivo de suspender a extração do gás por dez anos no estado para evitar prejuízos ao ambiente

MARCELLE MARQUES, LUCAS SILVA, KARINA CANTIERE
Audiência pública discute os impactos da extração de gás de xisto em Mato Grosso do SulAudiência pública discute os impactos da extração de gás de xisto em Mato Grosso do Sul  (Foto: Marcelle Marques)

Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul promoveu audiência pública sobre os impactos da exploração do gás de xisto no Estado. Entre os impactos da extração estão o risco de aumento de abalos sísmicos e das substâncias poluentes, e até cancerígenas, utilizadas como a naftalina, o diesel e o benzeno. O técnico da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Silvio Jablonski destacou que em Black Pool, na Inglaterra, ocorreram tremores onde havia extração do gás de xisto. Eles suspenderam a prática por dois anos e estudaram a região com sismógrafos, e definiu regras rígidas para o fim dos abalos, como por exemplo, acima de três pontos na Escala Richter se evita a extração.

A Petrobrás arrematou em leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de setembro de 2017 o bloco de exploração da Bacia Terrestre do Paraná, que engloba os municípios de Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu e Três Lagoas. 

O deputado Amarildo Cruz (PT) apresentou, no dia 7 de fevereiro deste ano, um projeto de lei para a suspensão da exploração do gás de xisto no estado por 10 anos. "É uma questão extremamente importante, pois essa exploração coloca em risco a vida, a saúde, os recursos hídricos e o solo do nosso estado e esse projeto visa proibir a extração desse gás por 10 anos no estado. O projeto já está tramitando, já dei entrada nele no mês de fevereiro, ele já está percorrendo as comissões da casa, ele vai para a comissão de constituição e justiça e em seguida, para a comissão de meio ambiente, até ser votado em plenário, acredito que até junho e julho no máximo, nós já tenhamos o projeto em condição de ser votado."

O xisto é uma rocha sedimentar rica em matéria orgânica (querogênio). Quando submetido a temperaturas elevadas, decompõe-se em óleo, água, gás e um resíduo sólido que contém carbono. Assim, pela sua transformação, é possível produzir uma série de subprodutos que são aproveitados pelos mais diversos segmentos industriais. A Petrobras concentra suas operações com xisto na jazida localizada em São Mateus do Sul, no Estado do Paraná, onde está instalada a Unidade de Operações de Industrialização do Xisto (SIX). A técnica de extração do gás de xisto consiste na injeção de toneladas de água misturadas a produtos químicos e areia para gerar fraturas na rocha. Toda a água usada no processo de extração retorna à superfície, poluída por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha e pelos próprios aditivos químicos.

O engenheiro e diretor da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus), Juliano Bueno de Araújo destaca que é importante a discussão sobre o impacto da extração do gás xisto no estado. "É importante explicar os riscos, os danos e os problemas do uso dessa tecnologia da exploração do gás xisto, para que tenhamos no estado do Mato Grosso do Sul, um estado livre do gás da morte. Nosso motivo de estar aqui é trazer informação, luz e conhecimento para que o atual gestor e os deputados dessa casa legislativa possam tomar uma decisão segura em benefício do seu povo".

O chefe da assessoria de Gestão de Risco da ANP, Silvio Jablonski defende a exploração do gás xisto e afirma que basta controlar o despejo das substâncias tóxicas. "Isso vem em qualquer exploração de petróleo. Porque não é do fracking, não é do líquido, é da formação que traz essas substências, então ela encrosta nas tubulações. Também a pressão, o mar".  Segundo Jablonski, o procedimento funcionou também na Argentina.

O representante da Diocese de Umuarama para assuntos ambientais e membro da Coesus, Reginaldo Urbano afirma que a extração do gás de xisto utiliza mais de 600 produtos químicos tóxicos."São necessários mais de 600 produtos químicos injetados com água e com areia para a exploração do gás de xisto através do fraturamento hidráulico. Milhões de litros de água são usados para o faturamento de apenas um poço com esses mais de 600 produtos químicos tóxicos, cancerígenos e que causam contaminação da água e do lençol freático”. Urbano ressalta que  o estado de Oklahoma nos Estados Unidos tem muita atividade sísmica devido à explosão do gás no subsolo entre as rochas. " As placas embaixo do solo vão descendo provocando esses abalos sísmicos. Em Oklahoma, sobe de 8 a 10 para 800 em um curto período". Reginaldo Urbano afirma que o projeto de lei da suspensão de extração do gás por 10 anos é uma forma de proibir a atividade de forma definitiva.

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