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22 de agosto de 2016 - 05h24

Insatisfação política é o principal motivo para eleitores se ausentarem nas eleições 2016

Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional, com ausência de 20,53% nas eleições de 2014

LAURO BURKE E LORAINE GONZALEZ
Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul em Campo GrandeSede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul em Campo Grande  (Foto: Loraine Gonzalez)

Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional e foi o sétimo estado com maior número de eleitores ausentes nas eleições de 2014. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 373.191 eleitores deixaram de ir às urnas no estado, o que corresponde a 20,53%. A insatisfação dos eleitores com a situação econômica e política do país são algumas das causas desta ausência. 

A proporção dos votos brancos e nulos em Mato Grosso do Sul também foi alta em relação a média nacional. Segundo a diretora geral do TRE-MS, Letânia Coutinho, no estado, 4,3% dos eleitores votaram em branco contra 3,8% da média nacional. Em relação a votos nulos, 4,18% decidiram anular o voto no estado, no país o índice foi um pouco maior, 5,8%.

Em Campo Grande, em 2012, 6.797 eleitores deixaram de votar ou justificar. Na última eleição, em 2014, o número de abstenção subiu para 54.729, aumento de 705%, de acordo com dados do TSE.

O jardineiro Antonio Marques é um dos eleitores que está desmotivado a votar neste ano. "Acredito que deixar de votar pode ser a melhor opção. Nenhum dos candidatos, eu considero honesto para ser eleito". Segundo ele o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, a prisão do senador Delcídio do Amaral são alguns dos acontecimentos que causam a abstenção dos eleitores.  

A diretora geral do TRE de Mato Grosso do Sul, Letânia Coutinho, acredita que a atual situação do país e do estado, onde os casos de corrupção são constantes, possa diminuir a participação dos eleitores nas eleições de 2016, como forma de protesto. Ela explica que a não participação prejudicará o futuro do país. "A corrupção faz com que as pessoas pensem que não vale a pena eleger um candidato e que nenhum deles merece o meu voto. Mas no final das contas, alguém vai ser eleito. E esse alguém vai governar, queira você ou não."

Para o professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Daniel Estevão, o número de abstenções no estado está abaixo de 50%. Estevão considera que os níveis crescentes de abstenção são negativos, acredita que a eleição não é a única forma de participação política. “Você pode analisar que nos últimos dez anos, por exemplo, nós até podemos observar taxas relativamente altas de abstenção mas, paralelamente, você tem taxas muito maiores de protestos nas ruas, de mobilizações e manifestações. Não dá para afirmar que o Brasil está menos politizado porque está se abstendo”.

Segundo dados do TSE, nas eleições de 2016 para eleger prefeito e vereadores, mais de 144 milhões de pessoas no Brasil irão às urnas em outubro. Em Mato Grosso do Sul, esse número chega a 1,875 milhão. O candidato a vereador de Campo Grande, Eduardo Romero, acredita que os cidadãos precisam se conscientizar de que a votação é a principal maneira para melhorar a política no país. "No processo democrático o voto é a principal arma de escolha da cidadania. Então quando você não faz esta escolha, você permite que outras façam por você".

Regras e multas

Para quem deixa de comparecer mais de três vezes às eleições sem justificar, o título de eleitor é cancelado. O valor da multa para cada turno ausente pode variar de R$ 1,05 até R$ 3,51, segundo o TSE.

O fotógrafo Márcio Bandeira deixou de comparecer a em dois turnos nas últimas eleições, em 2014. Bandeira não se justificou e pretende regularizar sua situação até o final deste ano. Ele acredita que o voto é a melhor forma de exigir seus direitos e diz estar arrependido de não ter votado. 

A diretora geral do TRE de Mato Grosso do Sul, Letânia Coutinho, explica que a não regularização do título de eleitor pode acarretar problemas. “Não pode assumir cargo público, prestar concurso, tirar passaporte ou documento de identidade. A pessoa também não receberá salário, caso seja funcionário público”. 

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