CIBERJORNALISMO

O ciberjornalismo e seus profissionais: surpreso ou despreparado

Gerson Luiz Martins, de Campo Grande 3/10/2018 - 13h56
Compartilhe:

Gerson Luiz Melo Martins*

O jornalismo, a cada dia, se torna do mundo ciber. As audiências dos telejornais, ainda a principal fonte de informação, despenca a cada dia. A qualidade da apuração, um matiz claramente ideológico e politico provocam a derrocada da audiência dos telejornais. De outro lado o crescente uso das mídias sociais para interação, entretenimento e como fonte de informação conduzem o ciberjornalismo para a principal fonte de informação das pessoas. Os cibermeios jornalísticos precisam estar preparados para essa nova realidade, que se avizinha a cada novo dia. Os cibermeios, em primeiro lugar, necessitam se qualificar como meio de informação em sua apresentação, em seu desenho, no formato e na forma de apresentar as noticias.

Os jornalistas estão qualificados para produzir e gerir a informação para os cibermeios jornalísticos, também pensado para os dispositivos móveis?

No âmbito dos cibermeios quem são os protagonistas, quem são e como estão qualificados aqueles profissionais responsáveis por produzir a informação cotidiana? Os jornalistas estão qualificados para produzir e gerir a informação para os cibermeios jornalísticos, também pensado para os dispositivos móveis? E ainda, quais as condições de trabalho para o profissional do jornalismo no contexto das empresas jornalísticas que utilizam essa plataforma? Será que a empresa jornalística percebeu que o cibermeio é sua única forma de continuar no mercado?

Estes são pontos imperativos no novo universo jornalístico e que devem ser, imediatamente, pensadas e colocadas em prática.

Estes são pontos imperativos no novo universo jornalístico e que devem ser, imediatamente, pensadas e colocadas em prática. Em primeiro lugar é preciso se perguntar se os jornalistas estão preparados para atuar nesse sistema. Que condições técnicas os jornalistas possuem para essa realidade? Tem domínio de edição multimídia? Tem domínio de edição de texto no âmbito da hipertextualidade? Como vai estrutura o texto? Serão palavras jogadas, será uma história com começo, meio e fim? Utilizará o formato tradicional da pirâmide invertida e o lide clássico? E como o leitor vai consumir a informação? Qual será o foco de atenção, o texto, a apresentação multimídia, os infográficos?

A empresa e de sua estrutura técnica e suporte, que condições técnicas proporcionam ao jornalista para que produza para o cibermeio?

Da parte da empresa e de sua estrutura técnica e suporte, que condições técnicas proporcionam ao jornalista para que produza para o cibermeio? Os jornalistas dispõe de computadores, tablets, celulares que permitam produzir para o ciberjornalismo? Os equipamentos tem capacidade, configuração apropriada para a produção? E ainda, se o jornalista está qualificado, sua remuneração é compatível com esse estágio de aprimoramento e estrutura de trabalho?

Muitas vezes a empresa jornalística tem uma estrutura técnica do cibermeio desenvolvida, mas sem profissionais que possam “operar essas máquinas”!

São inúmeras questões suficientemente simples de se resolverem. Capacitação profissional, condições técnicas se constituem elementos, nestes tempos, de custo muito barato. Produzir hoje, em ciberjornalismo, é fácil e barato do ponto de vista técnico. A parte, nessa estrutura, que mais é complexo diz respeito à qualificação do profissional. Ocorre que muitas vezes a empresa jornalística tem uma estrutura técnica do cibermeio desenvolvida, mas sem profissionais que possam “operar essas máquinas”! Os jornalistas ou estão surpresos com as “novas” tecnologias?—?que não são mais novas (!)?—?ou estão despreparados, sem se quer saber para que serve um hipertexto! Transmídia se torna um universo estranho e pouco explorado.

E por mais paradoxal que seja, se dizem inovadores, mas rechaçam mudanças e inovações e assumem posturas do antigo jornalismo impresso.

E de outro lado, há dirigentes empresariais também embasbacados com as novas possibilidades, que se tornam medo e que, portanto, preferem se distanciar desse universo. E por mais paradoxal que seja, se dizem inovadores, mas rechaçam mudanças e inovações e assumem posturas do antigo jornalismo impresso. Ou seja, “sempre deu certo assim, está bom assim e em time que está ganhando não se mexe”!

Os cibermeios jornalísticos, se não inovarem, serão engolidos por seu próprio público

A tecnologia é dinâmica, da mesma forma que a sociedade é altamente dinâmica. Os cibermeios jornalísticos, se não inovarem, serão engolidos por seu próprio público, que simplesmente vai ignorar qualquer produto e optar por um produto que atenda suas necessidades e lhe seja fluído, consumido com satisfação.

*Jornalista e pesquisador do PPGCOM e Ciberjor UFMS
gerson.martins@ufms.br

Compartilhe:

Deixe seu Comentário