OPINIÃO

E quando seus familiares votam no Coiso…

Gerson Luiz Melo Martins, de Campo Grande23/10/2018 - 15h47
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Esta situação pode ser observado a partir de algumas perspectivas, dado que o contexto peculiar da sociedade brasileira reflete as casas grandes e senzalas e ainda as capitanias hereditárias do Brasil colonial. A população brasileira, ainda que contemporânea e, de certa forma, balizada pela desenvolvimento social e tecnológico, mantém fortes raízes com o país colonizado. A senzala raramente questiona o poder da casa grande, e em sua maioria idolatra a casa grande, pois deseja "”subir"”, conquistar o seu nível de poder.

Para fazer esta reflexão é necessário contextualizar alguns casos bem particulares que determinam aspectos diferenciados de apreensão da sociedade, e também de observação dessa mesma sociedade. Há que se considerar que estes caso podem ser aplicados em diferentes comunidades familiares, como podem se generalizar, ou ainda não haver qualquer nexo de familiaridade.

Caso 1 – O primeiro caso parte-se do profissional liberal e empresário. Enquanto profissional liberal, notadamente de área tradicionalmente conservadora, pois tem como obrigação a observação das leis e cumprir o preceito positivista de "”ordem e progresso"”. Enquanto profissional liberal se atém às peculiaridades de sua corporação e para que se possa manter a aprovação da casa grande se desvincula de seu histórico e "”promete"” fidelidade eterno aos preceitos da ordem. Embora possa não se constituir como membro das seitas tradicionalistas, é uma porta sempre aberta, e, neste caso, há um reforço dos preceitos pseudo morais, pois que servem apenas enquanto houver interesse pessoal, particular, sem qualquer efeito social ou comunitário. Neste primeiro caso é imperativo manter a "”ordem e progresso’’ seja a que custo for, manter os status quo. Aqui recorre-se ao imperativo das sociedades, em consequência do mesmo lema positivista, militarizadas. Sua opção pelo “coiso” se traduz em seguir os preceitos corporativista da “ordem e progresso”, um pseudo entendimento das melhorias econômicas que, neste caso, implica um processo de ingenuidade e desconhecimento histórico e político que envolve o processo eleitoral de 2018. Por Gustavo Mesquita

Caso 2 – O caso dois é um exemplo de uma qualificação ainda mais fechada, pois conquistou o acesso ao universo do conhecimento superior de forma precária, inconstante, em que, costumeiramente, não assume o status do conhecimento superior, pois não se sente capacitado. Há um sentimento de menos valia! Este segundo caso, o sujeito não aspira graus elevados de qualificação social. Está resignado em sua condição, pois tem consciência de seu parco conhecimento e experiencia intelectual. Para compensar essa "”incapacidade"” se torna muito solidário e muito bom em atividades manuais. Sua vivência familiar se realiza no papel de uma estrutura tradicional, capitaneado, para que deve sempre manter as aparências, onde há predomínio do patriarca. Este faz opção por um perfil que também se reflete no "”militarismo"”, pois é este que pode, mesmo que pelas aparências, garantir o patriarcado. Aqui também um processo de ignorância, não no sentido de dificuldade intelectual, ma daquele que ignora, desconhece o faz optar pelo que considera o “novo”, embora que este “novo” seja muito mais velho e impregnado de corrupção. Assim como sua matriarca, no âmbito do contexto familiar menor, se conduz em comportamento de manada, no dito popular “maria vai com as outras”! Sua opção, neste caso, é cega, sem informações que possam proporcionar discernimento. Informação que, propositalmente, faz questão de ignorar! Por Antonio Justus

Caso 3 – Neste contexto se pode destacar como sendo o mais em suas convicções, para manter a fachada deve afirmar e reafirmar uma máscara identitária. Tem formação superior, mas em área frágeis, ou seja, que não garante uma atividade, decorrente, de forma solidificada e com bons níveis de retorno financeiro. Profissionalmente, se pode ressalvar, em muitos casos, um frustrado, mas com muito medo de arriscar, sem qualquer ousadia, foi sempre protegido e ainda se resguarda no núcleo original patriarcal, também das aparências. Neste caso, embora haja uma formação superior, se pode ressalvar como tendo uma capacidade intelectual de um “menino” do ensino fundamental, sem qualquer parâmetro crítico. Há um deslumbramento e uma pseudo-paixão por um patriotismo cego e, naturalmente, ideológico sem nem quer saber exatamente o que é esse perfil ideológico. Sua ideologia tem o tamanho de um grão de areia. Neste caso, a ignorância, mas neste caso de incapacidade intelectual, reduz sua capacidade de análise global, crítica, profunda e ampla. Sua ingenuidade, plenamente consciente, o leva a “cantar o hino nacional” sem compreender os textos e versos que vocifera. É como se fosse “cantar” uma melodia em outro idioma sem conhecimento e domínio desse idioma. Por Diego Moura

Caso 4 – O quarto caso não deixa de ser curioso, pois originalmente é libertário, contestador. Talvez uma insegurança recorrente fez com que alterasse suas convicções, que denota um forte necessidade de proteção, mesmo que seus ideais sejam colocados em posição secundaria. Sucumbiu ao patriarcado aparente e à estrutura familiar tradicional. Na latência tem forte crítica, se sente incomodado, informado, mas, pela estrutura familiar e pela necessidade de proteção da prole se abstém de fomentar e publicizar suas convicções. E para que se perpetue neste contexto é imperativo que vista sua fantasia e interprete, como um ator, o tempo todo. Assim, segue o que o núcleo familiar onde se hospedou determina. Escolhe e interpreta o "verde e amarelo”! Sua expectativa de aceite da tribo familiar patriarcal o leva para vociferar e publicizar sua opção ao coiso, também sem qualquer discernimento. Este também é um caso de “maria vai com as outras”, mas num âmbito menor, do núcleo familiar patriarcal. Por Amelia Moura

Caso 5 – Talvez este seja o pior dos casos. Há uma nítida inconsciência, um despreparo intelectual, é um verdadeiro "”maria vai com as outras"”, sem qualquer capacidade crítica, observa o mundo, a sociedade pelo orifício da mídia controlada e manipulada. O indivíduo, neste caso, é alienado, vive na superficialidade, sem qualquer aspiração econômica, social. A mídia tradicional é seu grande balizador de vida. Frequenta, de forma acrítica, os enlatados nacionais e os rudimentares produtos televisivos de alienação, por meio de pseudos formatos de entretenimento. O que a mídia tradicional, controlada, manipulada manifesta é considerado a "verdade"”. Seu perfil de alienado mantém suas convicções, que podem ser consideradas como pseudo-convicção, em completo ditame midiático e decorrente das opiniões mais próximas, sem criticidade e como que para agradar o status quo. Faz uma opção que lhe é imposta externamente. Por Gabriela Mesquita

A bravata ideológica e, de certa forma fica insensato afirmar isso, pois se trata de um ideologismo sem consistência, se pode dizer um pseudo-ideologismo. perpassa todos os casos. É triste e lamentável observar seres acríticos, sem discernimento, impregnados pelos ditames de uma mídia nacional manipuladora, controlada e extremamente parcial e ideológico a partir de seus interesses de riqueza, poder e de subjugar a audiência.

Em qualquer dos casos, esperança de consciência crítica, de clareza política é um fato sempre existente. Talvez aconteça pelas experiência e expectativas amargas.

 
 
 
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