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10 de julho de 2014 - 23h54

A Arena Pantanal e os bastidores da Copa do Mundo

ANA CAROLINA SCHIRMER

Durante os anos que antecederam a Copa do Mundo da FIFA no Brasil muitos alegaram que o evento seria um fiasco, que as arenas não ficariam prontas a tempo ou que os turistas seriam espantados pela violência existente no país. Entretanto, ao contrário da maioria da nação, me inscrevi para ser voluntária na primeira oportunidade que tive, no final de 2012.

Fui enviada para Cuiabá, onde trabalhei lado a lado com o coordenador geral da Arena Pantanal e aprendi muito sobre a organização do evento. Conheci a arena como a palma da minha mão e fiz dela minha segunda casa durante os vinte dias que trabalhei lá. Ganhei uma nova família, a de voluntários da sede, que incluíam mexicanos, colombianos, peruanos, russos e chineses. Era fácil se perder lá dentro, em torno de gritos entusiasmados de “sou voluntário com muito orgulho e muito amor”.

Muitos se espantavam quando percebiam as distâncias que alguns estrangeiros tinham percorrido com o único propósito de ser voluntário na Copa do Mundo. Porém, quando perguntados, todos se orgulhavam de estar contribuindo para a realização do evento. Tais declarações me fizeram pensar: será que nós brasileiros, nascidos no chamado “país do futebol”, não demos a devida importância ao evento realizado em nosso solo?

Enquanto alguns ameaçavam em redes sociais com o lema “não vai ter copa”, o trabalho dentro da arena seguia. Espaços livres eram transformados em centros com as mais diferentes finalidades, contêineres e equipamentos de filmagem caríssimos eram instalados e tudo era vistoriado ao menos uma vez por dia. Todo o esforço resultou no que foi eleito por jornalistas internacionais como o melhor mundial de todos os tempos, e a Arena Pantanal foi eleita pelos espectadores como uma das cinco melhores arenas do país.

Os cuiabanos celebraram os hotéis lotados de estrangeiros - fato que impulsionou as vendas no comércio em 40% -, ingressos se esgotaram rapidamente e os visitantes se impressionaram com a receptividade dos habitantes locais. Teve chileno que gostou tanto da cidade que desistiu de seguir seu time e só saiu de lá após as atividades da arena terminarem, no dia 24 de junho.

Entretanto, nada é perfeito. Das 58 obras propostas em Cuiabá, menos de 20 ficaram prontas a tempo do mundial. Da arena mato-grossense somente restará a estrutura e algumas cadeiras. Toda a estrutura construída em volta do local era provisória, e a arena que sediou quatro jogos do evento esportivo se transformará em somente outro estádio caro demais para se manter em uma cidade com somente times de terceira e quarta divisão.

Grande parte das outras 11 cidades-sede enfrentaram o mesmo problema. Atrasos na construção e superfaturamento na construção dos estádios foram comuns. A Arena Pantanal custou por volta de R$ 600 milhões de reais, a mais cara de todas as construções realizadas para a Copa do Mundo, e até uma semana antes de seu último jogo não se sabia o que seria do investimento após o término da competição. Agora se fala em passar a administração do local para uma instituição privada e diminuir a capacidade de torcedores da construção.

Poderia ser melhor? Poderia. Mas essa é a beleza e o horror do futebol: depois que a bola entra em campo, o mundo ao redor da Arena some e nada se lembra do que aconteceu em seu entorno. E, por um momento, todos somos patriotas, orgulhosos de nossos países e seleções, independente de resultado.

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