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9 de junho de 2015 - 17h28

Espectadores de documentários buscam filmes em cineclubes

Professor da UNEMAT, Ulisflávio Evangelista, ressalva que o consumo de documentáios é escasso, maioria prefere filmes de ficção

FERNANDA NOGUEIRA E ISABELA HISATOMI
Cinemas da Capital não exibem documentáriosCinemas da Capital não exibem documentários  (Foto: Fernanda Nogueira)

Agência Nacional de Cinema (Ancine) e o Ministério da Cultura abriram edital de R$10 milhões para fomentar a produção audiovisual brasileira. Com a exibição de documentários reduzida, os espectadores campo-grandenses precisam recorrer a cineclubes, pois a cidade tem três franquias de cinema e nenhuma delas apresenta documentários.

Segundo a coordenadora do cineclube Cinema (d)e Horror, Carolina Silva, os cineclubes são uma alternativa para aqueles que apreciam o cinema documental. “São uma alternativa para a difusão de documentários, de curta-metragens, de filmes de arte, enfim, de uma série de categorias de filmes que não costumam ser adequadamente contemplados nos circuitos comerciais”. Para Carolina Silva, o público tem resistência aos filmes documentais, pois  “pensam que documentários se limitam àquelas produções estilo National Geographic, algo mais voltado para um jornalismo tradicional”.

O fotógrafo Everson Tavares, que organizou uma campanha para a exibição do documentário “O Sal da Terra” diz que o público campo-grandense não está acostumado a assistir esse tipo de filme. “Não tem tanta abrangência de público por aqui. Existem outros documentários que não passaram aqui mesmo sendo documentários de prestígio nacional. A cidade não está acostumada a assistir documentários”. Seguro Tavares, o público é reduzido, “a gente tem outras experiências com documentário que tem uma abrangência de público muito bacana, tem festivais de documentários rolando aqui”.

“O Sal da Terra”, filme que Tavares se mobilizou para exibir, é um documentário biográfico sobre o fotógrafo Sebastião Salgado dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders e por Juliano Ribeiro, filho de Salgado e concorreu ao Oscar 2015 na categoria “Melhor Documentário”. Sem perspectivas de ver o filme nas telas dos cinemas, Tavares e um grupo de fotógrafos abriram uma petição na internet, que alcançou mais de 150 assinaturas.

O professor de Jornalismo da Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT), Ulisflávio Evangelista, ministrou um mini-curso sobre a linguagem técnica do cinema no 17º Congresso de Ciências da Comunicação da Região Centro-Oeste (Intercom) que aconteceu na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) no mês de junho. Evangelista falou no mini-curso sobre a importância do documentário para a comunicação “o documentário auxilia a comunicação mais nesse aspecto, de desvendar curiosidades e trabalhar com temas não tão conhecidos, ou explorar mais profundamente temáticas”.

Evangelista diz que a população não é acostumada com a linguagem documental, “a linguagem cinematográfica, o cinema, foi talvez o um dos principais meios de comunicação de massa e o próprio reflexo do cinema, a gente enxerga hoje muito fortemente na televisão”.

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