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8 de junho de 2015 - 21h55

Tablet é um dispositivo pouco utilizado pelos brasileiros para acesso a notícias

A revista para tablet utiliza recursos do ciberjornalismo e se desvincula das práticas tradicionais das revistas impressas

GÉSHICA RODRIGUES E TATYANE CANCE
Adalton dos Anjos mostra que as revistas nos tablets aguçam a criatividade dos leitoresAdalton dos Anjos mostra que as revistas nos tablets aguçam a criatividade dos leitores  (Foto: Géshica Rodrigues)

A Secretaria de Comunicação Social (SECOM) do Governo Federal  divulgou em janeiro deste ano  a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015. Os dados mostram que somente 7% da população brasileira usam o tablet para navegar na internet e apenas 10% leem notícias nos tablets ou celulares.

Para o estudante do mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Adalton dos Anjos, a sociedade explora pouco esses recursos digitais "as pessoas desconhecem o que é ler uma reportagem em um tablet, há muito mais interatividade do que se pensa, por isso pretendo descobrir qual é a melhor revista para tablet e qual é o recurso que mais desperta o interesse do leitor". Motivado pela tese de doutorado, Revistas jornalísticas para tablet: uma análise comparativa entre os modelos convergente e nativo digital do Professor Dr. Marcelo Freire e pelos resultados da  Pesquisa Brasileira de Mídia de 2015, Adalton dos Anjos pretende avaliar a qualidade do conteúdo que é produzido para esse dispositivo. 

Em suas análises procurou verificar se os recursos do ciberjornalismo, como a hipertextualidade, interatividade, multimidialidade, memória, periodicidade e customização são corretamente utilizados. Segundo ele, foram analisadas ao todo 14 revistas, entre brasileiras e estrangeiras, três delas surgiram especificamente para tablet “as revistas são todas online, e facilita a vida do leitor, se você quiser pode baixar a edição e ler, mas tem coisas que só vê online, como por exemplo a revista National Geographic que tem vídeo e conteúdo interativo mas que para visualizar precisa da internet”. As revistas analisadas para o artigo científico que apresentou são Veja, Hola (Espanha), Galileu, Trip, AARP (EUA), ESPM e National Geographic, versão americana.

Grupo de Trabalhos Convergência das Mídias do 6º Simpósio de Ciberjornalismo (Foto: Tatyane Cance)

Segundo Adalton dos Anjos, a revista para tablet é uma nova mídia que pode ser explorada pelos leitores devido há suas inúmeras possibilidades, como por exemplo, a integração com vídeos, animações, fotos, imagens, infográficos e hiperlinks. Além da praticidade de levar o tablet para qualquer lugar.  O pesquisador afirma que “a forma de relação do leitor com o produto já não é a mesma com o impresso por mais básico que seja. A pessoa não vai mais na banca comprar revista, o produto está online no seu tablet, onde ele pode ter a sua disposição várias edições em um só dispositivo”.

O acadêmico ainda explicou que a produção de conteúdo jornalístico específico de revistas para tablets está em fase de desenvolvimento. Segundo ele, o consumo das revistas não é tão grande, e é por isso que muitas empresas de comunicação ainda não investiram na produção de conteúdos diferenciados para tablets e dispositivos móveis.

O pesquisador afirmou também que esse tipo de mídia não representa o fim de outros meios de comunicação como rádio, tv, ou impresso. “O jornalismo para tablets e dispositivos móveis é mais uma forma de jornalismo. Um meio que veio para complementar”.

Para a professora da UFMS,  Drª. Katarini Miguel, a revista para tablet é mais uma oportunidade para o jornalismo. “O impresso, ele tem que estar presente em um ambiente digital, não basta ser um standard, separados trabalhando como uma ilha, a internet mostra que é preciso que essas mídias, tanto impresso, tv e rádio estejam em ambiente digital trabalhando juntos”.

Katarini Miguel destaca que a adaptação da revista impressa para dispositivos móveis  é uma otimização do trabalho jornalístico, pelo desenvolvimento de diferentes plataformas e linguagens. “A notícia não será mais parada terá dinamização”. Segundo ela o sistema também sobrecarrega o jornalista. “O jornalista terá que saber mexer com diferentes plataformas e passar a notícia de diversão formas com recursos distintos”.

Para acadêmica do 3º semestre de Jornalismo da UFMS, Renata Lopes, o ciberjornalismo é mais um recurso da era digital. A estudante acredita que a revista para tablet é uma consequência da tecnologia.  “A evolução do impresso para o online é um prática obrigatória atualmente”.  

6º Simpósio Internacional de Ciberjornalismo aconteceu na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), entre os dias 1 e 3 de junho e foram debatidos diversos assuntos relacionados ao tema, como por exemplo, Métricas de Conteúdo em Cibermeios, Sistema de Publicação em Cibermeios, Geolocalização no Ciberjornalismo e Performance em Ciberjornalismo, tecnologia, inovação e eficiência.

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