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25 de September de 2017 - 15h06

Pesquisadores da UFMS estudam métodos para desenvolver piscicultura na capital

Centro-Oeste se tornou em 2013 a região com maior produção de peixes no Brasil

DIEGO EUBANK, JOÃO VICTOR, RAIRA REMBI
Estação de Piscicultura foi reativada em 2013Estação de Piscicultura foi reativada em 2013  (Foto: Raira Rembi)

Pesquisadores de piscicultura da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) estudam métodos para aumentar a eficiência na reprodução e desenvolvimento dos peixes. As pesquisas têm como objetivo apresentar alternativas econômicas e ecológicas como forma de auxiliar produtores locais na manutenção do cultivo. Os metódos como aquaponiasistema de probiótico diminuem o custo de produção e reduzem o impacto ambiental.

O coordenador da estação de piscicultura e doutor em Zootecnia, Jayme Povh afirma que é necessário conhecer os processos antes de começar a trabalhar com piscicultura. “O que nós temos que ter maior atenção, quando produzimos, é na qualidade da água. Muitas vezes, o produtor tem dificuldades em controlar um PH ou controlar um déficit de oxigênio, amônia e nitrito, elementos tóxicos para a sobrevivência do peixe”. Segundo Povh, essas condições prejudicam o desenvolvimento dos animais. “O peixe entra numa situação de estresse e tem dificuldade para crescer”.  

De acordo com o professor, outro aspecto de destaque da piscicultura é o valor alimentar da carne. “Quando pensamos em peixe, pensamos em qualidade na alimentação. A gestante quando vai ao médico, a primeira coisa que o médico pede é pra aumentar o consumo de ômega 3, gordura presente em alta porcentagem nos peixes”. Para Povh, a piscicultura brasileira precisa de investimento. "Eu vejo um caminho muito grande a ser percorrido em termos de qualidade e até mesmo de padronização do produto. Acredito no potencial dos peixes nativos principalmente os puros, o problema é que muitas vezes é difícil competir com determinado produto porque esses peixes híbridos são de baixo custo enquanto que os nativos puros tem um valor um pouco acima".

A aquicultura brasileira, área que engloba a piscicultura e outros cultivos - como de camarões, jacarés, rãs - foi incluída pela primeira vez no relatório anual de Produção da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013. De acordo com estudo realizado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, a aquicultura brasileira cresceu 123% de 2005 a 2015.

Produção brasileira de peixes em cativeiro. (Reprodução de dados obtidos pelo IBGE)

O pesquisador de doutorado Laice Menes Laice, formado em Zootecnia pelo Instituto Superior Politécnico de Manica em Moçambique iniciou sua pesquisa em piscicultura em 2014, quando investigou as taxas de crescimento nas famílias das linhagens melhoradas de tilápia. "Eu pensava que se eram espécies melhoradas, cresciam do mesmo jeito dentro das famílias. Mas quando eu vi, a taxa de flexão e o crescimento eram diferentes".

  Os tanques comportam dezenas de peixes. Foto: Diego Eubank

De acordo com Laice, a piscicultura é uma produção que polui o ambiente. "No sistema intensivo nós jogamos ração, lançamos remédios para o controle da saúde e imunidade". Ele pesquisa uma forma de manter o sistema intensivo por meio da recirculação de água, que economiza o líquido ao mesmo tempo em que produz alimento para os animais. "Nesse sistema eu reutilizo a água, mas aí aparece a amônia, que é prejudicial à saúde do peixe. Então eu lanço o melaço, que estabiliza a amônia e cria os flocos que servem de alimentação para o próprio peixe".

No sistema de recirculação de água e bioflocos, o pesquisador aplica também o sistema de probiótico, responsável por controlar a qualidade da água e aumentar a imunidade do peixe. "A partir daí, eu estudo o desempenho dos peixes cultivados nesse sistema comparados àqueles que são cultivados somente com o bioflocos".

Laice realiza suas pesquisas no Mato Grosso do Sul pela similaridade climática, o pesquisador explica que o Brasil e Moçambique são países tropicais. "O Brasil está mais avançado em produção de peixe, então eu vim aqui para buscar a tecnologia de produção para levar para Moçambique". 

A pesquisadora de doutorado em Ciência Animal, Luana Pires afirma que os estudos possuem impacto na sociedade brasileira. “A minha pesquisa consiste em medir a qualidade do sêmen de tilápia com a utilização de um software. O objetivo é melhorar a reprodução dessa espécie para diminuir a quantidade de gastos realizados no processo e consequentemente fazer com que o preço do produto final no mercado seja menor”.

O pesquisador de mestrado, Michel Moura Prates afirma que o estado possui potencial na área de piscicultura. “O Mato Grosso do Sul é um estado rico em água, com grande potencial de produtividade e a piscicultura exige um baixo investimento do agricultor local. Além disso, a procura por carnes mais saudáveis nos mercados faz com que as pessoas busquem o consumo de peixe". Para Prates, a produtividade da piscicultura no Brasil e no estado precisa melhorar. "O território brasileiro possui uma abundância de hectares de lâminas d'água disponíveis para uso. Há bons pesquisadores, professores e bastante potencial em nosso estado, temos tudo para fazer com que essa produtividade aumente cada vez mais”.

O pesquisador de doutorado, André Luís Nunes explica que um dos objetivos da realização das pesquisas é aproximar o acadêmico da realidade das indústrias de piscicultura do Brasil. “O processo de escolha das pesquisas que ocorrem na universidade se dá por meio da demanda da cadeia produtiva dos peixes e outras demandas dentro da realidade do que a piscicultura brasileira necessita”. Para Nunes, os resultados dos projetos servem como auxílio aos piscicultores brasileiros. “A pesquisa é uma espécie de guia para os produtores, tanto de Mato Grosso do Sul quanto do Brasil todo. Qual a melhor ração, qual o melhor peixe, qual o melhor alevino. A universidade recebe essas dúvidas, transforma em pesquisa e ao obter respostas, auxilia os produtores locais e nacionais.” 

De acordo com Nunes a aquaponia, um dos projetos realizados pela UFMS, torna a piscicultura mais sustentável. “É uma mesclagem da piscicultura com a hidroponia, que consiste no cultivo de plantas sem o uso do solo, mas com o uso da água. É utilizado as fezes dos peixes como adubo, que são ricas em nutrientes e que comumente se deixada na água provoca a poluição da mesma". O pesquisador explica que as plantas produzidas são utilizadas na fabricação de ração para os peixes.

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