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4 de October de 2017 - 15h24

Projeto Córrego Limpo controla níveis de poluição dos córregos de Campo Grande

Parceria da Prefeitura com a Águas Guariroba alcança resultados na revitalização da qualidade das águas dos córregos da cidade

LUCAS SILVA, CARLOS YUKIO E PAULA NAVARRO
Córrego Prosa em situação de degradação em região nobre da cidadeCórrego Prosa em situação de degradação em região nobre da cidade  (Foto: Lucas Silva)

Projeto Córrego Limpo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semadur) e das Águas Guariroba reduziu o nível de poluição ambiental e paisagística agravados pelo despejo inadequado de esgoto, resíduos orgânicos e demais poluentes nos córregos de Campo Grande. As engenheiras que coordenam o projeto Córrego Limpo, Aryane Custódio e Talita Macedo informaram que, em 2010, 60% das águas dos córregos foram classificadas como boa, 27% regular e 13% ruim. Em 2016, 67% das águas dos córregos entraram na categoria avaliada como boa, 28% regular e apenas 5% foram tidas como ruins. Aryane Custódio destaca que, em comparação com o estudo divulgado no segundo ano do projeto, em 2010,  "a melhora do índice que avalia a qualidade da água com nível bom é significativa" .

O projeto Córrego Limpo teve início em 2009 e monitorava 56 pontos de coleta nos córregos, microbacias e rios de Campo Grande. Em 2016, na última análise divulgada pela Prefeitura, foram coletados amostras de 81 locais distribuídos entre os 33 córregos, 22 nascentes e 11 microbacias que compõe e formam a rede hidrográfica da cidade. Dados da Agência Nacional das Águas (ANA), revelam que, no Brasil, são geradas 9,1 toneladas de esgoto e desse volume, 60% chegam aos recursos hídricos sem nenhum tipo de tratamento.

A equipe da Águas Guariroba, que faz a coleta da amostra, realiza os testes no laboratório da Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Los Angeles. Os parâmetros analisados no laboratório são temperatura, PH, oxigênio dissolvido, turbidez, demanda bioquímica de oxigênio, sólidos totais, nitrogênio total, fósforo e coliformes termotolerantes. 

Segundo a engenheira da Prefeitura de Campo Grande, Talita Macedo, se houver alguma alteração negativa em algum desses pontos em relação ao estudo do ano anterior, uma equipe da Prefeitura é enviada para o local para coibir eventuais lançamentos de efluentes, lixo doméstico ou algum resíduo químico nas águas desses córregos. Após a constatação e aplicação da notificação para o responsável pelo dano ambiental, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) realiza a limpeza da água.

Aryane Custódio informa que o programa Córrego Limpo se divide em duas fases, uma é a fiscalização por não conexão à rede de esgoto - rede de combate à poluição e fiscalização - e a outra é o monitoramento. "Temos 81 pontos amostrais, onde é feito trimestralmente a coleta dessa água junto com a equipe da Águas Guarirobas, e analisamos como está a qualidade em cada um desses pontos".

Segundo o geógrafo e fiscal do Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul), Leonardo Sampaio o aumento da população urbana de Campo Grande foi fator preponderante para a precarização da qualidade da água dos córregos da cidade. "Os córregos desempenharam um papel essencial na estruturação das paisagens urbanas. Em virtude do processo desorganizado do crescimento da cidade, os córregos têm sofrido intensas modificações em seus cursos originais e na qualidade de suas águas, o que faz com que ele se torne mais um problema das cidades contemporâneas”. 

De acordo com a engenheira ambiental e pesquisadora de mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, Dulcélya Souza um córrego deteriorado tem consequências graves para o ecossistema e até mesmo para a população. "Em corpos hídricos degradados, têm-se o desequilíbrio do ecossistema, a geração de odores, impacto visual negativo, a desvalorização de imóveis próximos, além de configurar como um potencial vetor de doenças à população".

A bióloga e doutora em engenharia agrícola e ambiental, Alexandra Pinho destaca os impactos negativos de um córrego poluído. "As espécies que habitam os córregos são as principais afetadas. Porém, nós também somos afetados. Falta qualidade de vida, já que sentimos o cheiro ruim da água, observamos uma água suja e feia; deixamos de ter uma beleza cênica e maior volume de água potável, que poderia influenciar diretamente os níveis de umidade atmosférica e além de todos esses problemas, sofremos com as inundações com a chegadas das chuvas."

A engenheira ambiental Dulcélya Souza ressalta que o projeto Córrego Limpo é importante para monitorar a qualidade da água. "Em rios com o oxigênio dissolvido inferior a 2mg/l nenhuma vida aeróbia superior se desenvolve, como os peixes por exemplo. Assim, o projeto Córrego Limpo é extremamente importante, pois monitora este parâmetro, ou seja, é um indicador de qualidade de água que apresenta as condições de sobrevivência de espécie nos corpos hídricos."

A bióloga Alexandra Pinho também destaca o esforço do poder público em amenizar o problema da qualidade da água dos córregos e acrescenta que é preciso mais do que esse esforço para mudar de maneira efetiva. "Se você jogar um papelzinho de bala no chão e falar: 'É só um papelzinho, não faz diferença.' Faz! Temos que pensar globalmente e agir localmente. O pouco que fazemos já pode ter mudanças significativas. Existe uma tentativa sim do poder público, mas tem que existir além dessa tentativa, um esforço maior que venha da conscientização de todos".

Aryane Custódio destaca a multiobjetividade do projeto e o quanto é necessário continuar o programa para às futuras gerações. "A curto prazo, nosso propósito é eliminar uma fonte de contaminação dentro do próprio imóvel e a longo prazo às futuras gerações, na intenção de ter um córrego limpo e consequentemente, uma qualidade de vida melhor".

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