CULTURA

Representantes da cultura indígena e cigana participam da Semana do Artesão

Décima segunda edição da Semana do Artesão reuniu 130 artesãos de sete associações na feira Mãos que Criam

Claiane Lamperth, Gabriela Santos e Lyanny Yrigoyen, de Campo Grande27/03/2019 - 22h40
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Artesãos indígenas e representantes da cultura cigana participaram, pela primeira vez, da 12ª Semana do Artesão que promove a valorização da história e do patrimônio cultural do estado. Segundo a coordenadora da Associação da Praça dos Imigrantes (Api/MS), Sônia Albuquerque as representantes da cultura cigana dificilmente são chamadas para estar em eventos culturais, assim como os indígenas. O artesanato indígena é valorizado fora do Estado e em outros países.

A feira reuniu 130 artesãos de sete associações, denominada Mãos que Criam. De acordo com assessora da Secretaria Municipal de Cultura, Juliana Rezende cinco mil pessoas passaram pela feira, e gerou  30 mil reais em vendas. O evento foi realizado em comemoração ao Dia do Artesão, nos dias 19 a 24 de março, em Campo Grande, com feiras de artesanato na Cidade do Natal e na Praça dos Imigrantes.

Segundo Sônia Albuquerque a cultura indígena foi convidada para estar na feira  e no evento.“Os indígenas são extremamente tímidos por causa do preconceito, nós os convidamos porque o artesanato deles elevam a cultura do estado e do município, contam a nossa história, são o nosso patrimônio cultural e a nossa representação nas feiras nacionais e internacionais. ” 

 

Praça dos Imigrantes é referência do artesanato local (Foto: Claiane Lamperth)

Café com Arte, uma das atividades da semana, aconteceu na Praça dos Imigrantes no dia 23 de março. Sônia Albuquerque explica que a praça é organizada pela Associação da Praça dos Imigrantes e as despesas da infraestrutura da feira são custeadas pela Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG).

Ana José acredita que evento uniu as culturas
(Foto: Claiane Lamperth)

A coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul (CMNEGRAS/MS), Ana José comenta que a Api acolheu a Feira Afro de MS e une o artesanato das  cultura indígena, a cigana e a negra. “Aqui nós potencializamos a nossa cultura através da aparência, turbantes, culinária, arte visual, colares e acessórios. Nosso ponto preto é aqui, o nosso objetivo é expandir o empreendedorismo negro, hoje estamos aqui em alusão ao dia 21 (março), que foi o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Nós trabalhamos não com uma violência, mas com todas as formas de violência."

Luna Negra luta por visibilidade dos ciganos
(Foto: Claiane Lamperth)

Para a cigana Luna Negra, participar da feira é uma pequena conquista que garante visibilidade à luta cigana. “Esta é a primeira vez que nós participamos, estamos lendo mãos, tirando cartas, lendo a bola de cristal. Nós estamos aqui para dar mais visibilidade ao povo cigano, a invisibilidade é o nosso maior problema, se você não tem visibilidade você não consegue conquistar seus direitos.”

Viviam Poppi, artesã filiada à Associação de Artesãos de Mato Grosso do Sul (Artems), esteve na 12ª Semana do Artesão e esta é a segunda vez que ela participa do evento de comemoração. “Este ano tem mais movimento que na edição passada. Eu não sei o que aconteceu se faltou divulgação ano passado. Eu percebo que tem mais movimento nesta edição, ainda que as pessoas não estejam comprando, tem mais pessoas andando, perguntando e pegando cartão. A Mãos que Criam era pra ser fixa, uma vez por mês, mas desde dezembro ela não acontecia, hoje é a primeira.”

Incentivo público 

Sistema de Informações Cadastrais do Artesão Brasileiro (SICAB) indica que existem cinco mil artesãos em atuação no estado de Mato Grosso do Sul. A Casa do Artesão e as feiras municipais geram em torno de dois milhões de reais ao ano em vendas. O Fundo Municipal de Investimento Cultural (FMIC) é o único incentivo disponível para eventos e projetos culturais de Campo Grande. São quatro milhões de reais ao ano destinados à cultura e distribuídos por editais públicos. 

A gerente de Desenvolvimento de Atividades Artesanais da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Katienka Klain explica que o número de artesãos que atuam no estado é superior a 5.800, mas nem todos estão cadastrados no SICAB. “O número de artesãos no estado é maior, nós não conseguimos atender os 79 municípios. É complicado dizer quanto o artesanato gera de renda para o estado, porque os artesãos vendem diretamente para os lojistas e comercializam os produtos diariamente”. 

A  Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) é a entidade estadual representativa do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) que, em 2018, gerou o total de R$ 7.278.768,36. O PAB compra espaços nas feiras internacionais que ocorrem no país, como a Feira de Artesanato Nacional (Fenearte), na cidade de Olinda, em Pernambuco. O Estado fornece caminhões, motoristas e auxiliares. As despesas pessoais dos artesãos só são custeadas nas feiras nacionais, como as que acontecem em Corumbá e Bonito.

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