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19 de fevereiro de 2017 - 20h45

Mulheres criam coletivo para combater violência contra criança

Número de ocorrências de pedofilia em janeiro aumentou 550% em relação ao ano passado no Mato Grosso do Sul

JÚLIA BEATRIZ, LUANA MOURA E MICHAEL FRANCO
Roda de conversa aconteceu na Orla Ferroviária em Campo GrandeRoda de conversa aconteceu na Orla Ferroviária em Campo Grande  (Foto: Luana Moura)

Grupo de mulheres de Campo Grande formam coletivo "Menina Livre" com o objetivo de organizar ações para combater a violência contra criança em Mato Grosso do Sul. O coletivo foi fundado este ano e realizou uma roda de conversa para debater o tema no dia 18 de fevereiro. De acordo com estatísticas do Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo), da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o número de ocorrências de pedofilia no estado aumentou 550% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram registradas 11 ocorrências de pedofilia este ano e duas em 2016.

             Dados de 2016

 

             Dados de 2017

Fonte: Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo)

Segundo dados do programa do Governo Federal Disque Denúncia, divulgados pela Organização Não Governamental "Childhood", em 2014, 47% das vítimas crianças e adolescentes de violência, que inclui negligência, violência psicológica, física e sexual, eram meninas e 38% meninos.

 Sarah Santos é a fundadora do Coletivo (Foto: Luana Moura)

A fundadora do coletivo e acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sarah Santos afirma que sentiu a necessidade de se debater o assunto. "Eu tive a ideia por uma questão de vivência, por causa de situações que vivi durante a infância e adolescência e se enquadravam como violência, mas que não se classificavam como violência. Se eu fosse conversar sobre essas situações, por exemplo, eu seria apontada como culpada". A estudante afirma que os objetivos do grupo são prestar apoio às mulheres que passaram por alguma situação de violência, no período da adolescência, e realizar ações de conscientização. "A gente vai conversar com essas jovens e veremos do que elas precisam". O coletivo possui oito integrantes.

A subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja foi uma das participantes da roda de conversa e afirma que a situação é preocupante no estado. "Muitas meninas não denunciam mais por medo ou vergonha. É um desafio a gente saber se é o número de denúncias que está aumentando porque estas meninas estão mais empoderadas ou se é porque o número de ocorrências está aumentando mesmo. A gente tem uma sobretaxa de 40% de denúncias, temos uma média de 70% de denúncias. É assustador quando a gente para para pensar". Luciana Azambuja ressalta que é importante debater o assunto, Muitos dos meninos não acham que o que eles praticam é violência, então a gente precisa falar para meninos, para homens, para todos".

 Luciana Azambuja participou da Roda (Foto :Luana Moura)

A subsecretária afirma que as meninas são amparadas pela Lei Maria da Penha e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "A Lei Maria da Penha não define idade, apenas gênero, então ela ampara estas crianças também. Além disso, tem o Estatuto da Criança e do Adolescente que é aplicado subsidiadamente". 

Combate à violência contra mulher

Ações de combate à pedofilia e outras medidas protetivas foram implementadas e direcionadas às mulheres do estado. A subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres, vinculada à Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), firmou uma parceria com a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul no mês passado. Os policiais realizarão blitz educativas em datas comemorativas como, por exemplo, no Dia Internacional da Mulher e Dia Estadual de Mobilização pelo Fim da Violência Contra Mulheres, e entregarão cartões de visita com o telefone e endereço do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM). A ação tem o objetivo de informar as mulheres que elas possuem um local de apoio para superar os atos de violência a que foram sujeitas. O CEAM oferece atendimento especializado com psicólogas e assistentes sociais. 

 

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