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16 de fevereiro de 2016 - 10h43

Lixo nas ruas após o Carnaval atrai catadores de recicláveis

O período de Carnaval produziu mais de 4 toneladas de lixo em locais como Praça do Papa, Esplanada Ferroviária e Orla Morena

BRUNA FIORONI, ISABELA DOMINGUES E LAURA FAGUNDES
O Carnaval da Esplanada Ferroviária resultou em ruas repletas de lixoO Carnaval da Esplanada Ferroviária resultou em ruas repletas de lixo  (Foto: Fernanda Nogueira)

Os dias de Carnaval deixaram as ruas de Campo Grande repletas de lixo. Os resíduos espalhados pela Esplanada Ferroviária, principal endereço dos blocos de rua, atraíram catadores de recicláveis. A maior parte do lixo acumulado é material reciclável que proporciona renda extra para os catadores e auxilia na limpeza da cidade. Segundo o catador de lixo, Carlos Barbosa muitos não esperam nem o dia amanhecer e começam a coleta durante a madrugada, após o fim das comemorações.

Barbosa, 54 anos, é um dos catadores que recolheu material nas ruas da Esplanada. “Essa época de Carnaval é muito boa, mesmo pra quem vai só pela manhã. Trabalho com reciclagem há dez anos e venho todos os dias dos blocos. Já criei três filhos e, agora, mais duas meninas”.

Para as empresas de reciclagem, as festas de rua também são uma oportunidade de aumentar a renda. Segundo a sócia-administrativa da Crecil Reciclagem, Regina Ferreira, as vendas geralmente aumentam durante o Carnaval, com um preço  menor. “Em dezembro, os preços no mercado começam a cair, então consequentemente nós pagamos menos pelo material. Agora, por exemplo, o quilo da latinha é comprado por R$ 2,50. Os preços voltam a subir em março e, dependendo da situação, conseguimos pagar até 20% a mais”.

De acordo com a empresa responsável pela gestão da Limpeza Urbana e o Manejo de Resíduos Sólidos do Município de Campo Grande, CG Solurb o Carnaval deste ano gerou aproximadamente 4,5 toneladas de resíduos nos três dias de coleta na Praça do Papa, Esplanada Ferroviária e Orla Morena. Em 2015 foram recolhidos em torno de 5 toneladas em três dias de serviço, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, Esplanada Ferroviária e Praça dos Imigrantes.

Julianderson Castro, 31 anos, é catador há 17 anos e trabalha no lixão de Campo Grande. Sua renda semanal com a coleta de recicláveis é de cerca de R$ 600. Castro explica que virou catador pela necessidade de um dinheiro extra para complementar sua renda. "Na época em que comecei a coletar lixo reciclável foi difícil, pois não sabia para quem vender e não sabia por quanto vender. Hoje já tenho experiência e sei quando a proposta de venda é boa ou não".

Em datas festivas, como Ano Novo, aniversário da cidade e desfiles em datas cívicas, o fluxo de pessoas nas ruas aumenta e, com isso, o lixo também. Castro afirma que, enquanto as pessoas festejam, ele trabalha. "Vejo pessoas se divertindo e eu lucro em cima da diversão delas, uma renda extra que além de me ajudar nas despesas de casa, eu também ajudo a manter a cidade limpa".

Regina Ferreira, da Crecil Reciclagem, ressalta a importância do trabalho desses catadores que colaboram com a coleta de lixo na cidade. “É uma boa renda para eles e, além disso, é uma questão de sustentabilidade. A reciclagem deve se tornar um hábito da população”.

Coleta seletiva em Campo Grande

A coleta seletiva, na capital, começou em julho de 2011, quando a Prefeitura implantou o projeto. O material recolhido é entregue aos catadores das cooperativas, que fazem a seleção do material reciclável na Usina de Triagem Resíduos (UTR). No total, a coleta seletiva contempla cerca de 20% dos moradores da cidade. A previsão é de que o trabalho seja realizado em todos os bairros de Campo Grande até o fim do primeiro semestre de 2017.

Confira o mapa dos bairros onde é realizada a coleta seletiva organizada pela CG Solurb:

 

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