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16 de dezembro de 2015 - 15h39

Redes Sociais favorecem o crescimento dos movimentos feministas

O Grupo de Estudos Feministas e o Encontro de Cachos e Crespos surgiram e se desenvolveram por meio das redes sociais

STEFANNY VEIGA E VIVIAN CAMPOS
Encontro debate o empoderamento da mulher negraEncontro debate o empoderamento da mulher negra  (Foto: Vivian Campos)

O Grupo de Estudos Feministas e o Encontro de Cachos e Crespos  surgiram nas redes sociais no final de 2015, em Campo Grande. Os grupos reuniram  estudantes universitárias e mulheres negras, respectivamente, a partir de debates no Facebook e WhatsApp. Segundo matéria da Deutsche Welle, o movimento feminista se disseminou pelas redes sociais neste ano, campanhas foram realizadas para que as mulheres pudessem se expressar em situações como assédio sexual, moral ou agressões.

Criado em setembro de 2015 no Facebook, o Grupo de Estudos Feministas conta aproximadamente 400 pessoas, entre homens e mulheres para discutir e compartilhar ideias e histórias do feminismo, como explica a acadêmica Alessandra Marimon. “Surgiu como uma ideia de ser uma formação fora da academia e acessível ao Facebook, pois essa formação mais teórica e intelectual já existia dentro da universidade e, normalmente, sempre naquele discurso machista, nunca de um tema relacionado ao feminismo”.

A estudante é uma das criadoras do grupo de estudos feministas

No grupo são compartilhados conteúdos como textos e vídeos, com o objetivo de fomentar o debate entre os membros. Marimon, que conheceu as "ideias feministas" por meio da internet e da faculdade, considera as redes sociais como uma ferramenta importante e alerta que é necessário ter cuidado com o conteúdo publicado. “Ao mesmo tempo em que você pode absorver o essencial para sua vida, você também absorve muito lixo, então eu acho que precisa ter um pouco de cautela nesse sentido com a internet, até porque nem tudo que é veiculado é verdade, boa parte é mentira”.  

A estudante comenta que o feminismo pode combater os discursos considerados machistas difundidos na internet . “É massa as mulheres terem o feminismo para se empoderarem e entender que muitas vezes esses discursos que são propagados por homens machistas e que elas tem o feminismo para ajudarem a combater isso”.


O grupo se conheceu pela internet e organizaram o encontro

Seis jovens que se conheceram por meio de um grupo que discute cabelos encaracolados no Facebook, organizaram o Encontro de Cachos e Crespos que tratou também sobre o empoderamento da mulher e a aceitação do cabelo afro, como explica a professora e uma das organizadoras do evento, Ângela Batista. “A gente teve ideia de trazer esse movimento para cá, por que aqui em Campo Grande é muito carente algo que aborde a questão do cabelo crespo e cacheado e discuta o racismo. Aí tivemos a iniciativa de criar um evento chamando essa galera para politizar e conscientizar, conversar sobre sistemas assim que não é tão discutido na sociedade”.

A estudante Andressa Brandão explica  que o encontro seria um piquenique inicialmente. “Há muito tempo a gente já estava com vontade de se encontrar, primeiramente seria nós e as meninas do grupo do WhatsApp e aí foi entrando gente e o negócio foi tomando uma proporção muito grande”.


Professora ressalta importância das redes sociais.

A jornalista e professora universitária Katarine Miguel comenta que com as recentes hashtags meu amigo secreto e meu primeiro assédio, mulheres tiveram a oportunidade de expor e denunciar atitudes consideradas machistas. “Com aquela hashtag, o meu amigo secreto, muitas mulheres começaram a falar de alguns homens que elas conhecem e que tem o pensamento dominador,  preconceituoso e machista, elas contando sobre isso fizeram com que outras mulheres começassem a refletir”.

 

A jornalista avalia o uso das redes sociais como um meio de conscientização. “Ela ajuda as mulheres a se enxergarem um pouco e a terem conhecimento dessa luta, dessa causa, abre os olhos de algumas mulheres que, muitas vezes, acabam naturalizando algumas questões machistas, de subordinação e dominação”.  Katarine Miguel alerta para o uso negativo dessas redes, “ao mesmo tempo em que ela potencializa essa parte da luta feminista, também pode potencializar os preconceitos, pode fortalecer a opressão, então tem que tomar muito cuidado, porque eu já vi muitas páginas na internet que ficam tirando sarro e usando termos pejorativos para as feministas”.

As acadêmicas de Jornalismo Juliana Barros, Fernanda Palheta e Juliane Garcez também fazem parte do movimento feminista. No Trabalho de Conclusão de Curso, as estudantes escreveram um livro-reportagem que trata como o assédio às mulheres é naturalizado pela sociedade, como explica Juliana Barros. “O ato machista primário e naturalizado é o assédio por meio de cantada, assovios, buzinadas, olhares e até dizeres que nos constrange”.

Juliana Barros enfatiza a importância de difundir a luta e o empoderamento feminino por meio de campanhas. “Várias campanhas estão sendo lançadas para falar sobre o assédio e isso tem ajudado muito na luta feminista. Estamos caminhando, mostrando para a sociedade que cantada não é elogio, que queremos ter a liberdade de fazer o que a gente quiser, como a gente quiser, a mudança acontece a cada dia, eu acredito nisso".

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