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4 de julho de 2017 - 17h31

Pesquisa na UFMS indica que Lago do Amor vai desaparecer em 21 anos

Habitat de fauna e flora está em processo de assoreamento e desaparecerá em 21 anos

HELTON OLIVEIRA, ESTEVAN OELKE E VITOR ILIS
Lago do Amor em processo severo de sedimentaçãoLago do Amor em processo severo de sedimentação  (Foto: Vitor Ilis)

O Lago do Amor, localizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), está sob risco de desaparecer em 21 anos, de acordo com um estudo do Laboratório Heros. A pesquisa indica que devido ao processo de assoreamento o lago perde sua capacidade no volume de água. O Lago do Amor, formado a partir do barramento no encontro de dois córregos, o Cabaça e o Bandeira serve como reservatório de contenção de sedimentos e inclui a recreação e habitat de fauna e flora nativa.

O estudo é realizado pelo Grupo de Pesquisa Hidrologia, Erosão e Sedimento (HEroS), desde 2002. Na pesquisa consta que o lago teve uma redução de 30% do volume de agosto de 2008 a março de 2017, valor correspondente a 58.500 m³ ou 23 piscinas olímpicas. Houve redução linear de 21% da área, equivalente a 20.700 m², entre 2008 e 2017. Esse decréscimo da área é proporcional a três campos de futebol.

O lago tem volume de 140.000 m³ e área de 75.000 m². O engenheiro ambiental Pedro Zamboni afirma que em 21 anos o lago será um espelhamento d’agua sem profundidade, caso o processo de sedimentação mantenha o atual ritmo de avanço. Assim como aconteceu com o lago do Rádio Clube Campo.

Segundo os estudos, as principais razões deste processo de assoreamento é a falta de consciência ambiental da população, gestão deficiente nos processos de urbanização e inoperância dos órgãos de governo na gestão de recursos hídricos nas Bacias dos córregos Bandeira e Cabaça.

Para Zamboni, casos como a intensa urbanização e popularização na região do córrego Bandeira, nos últimos dez anos, tem influência direta na quantidade de sedimentos que chegam até o lago.

Teodorico Alves ressalta que há como conter o avanço dos sedimentos sobre o lago. “Esses impactos causados, como o caso do assoreamento, podem ser evitados quando aplicadas medidas técnicas preventivas e administrativas, implantadas geralmente por meio de planos diretores”.

Papel e posição da UFMS

O engenheiro ambiental da UFMS, Willian Ribeiro Ide diz que a Instituição tem realizado medidas mitigadoras cabíveis para recuperação do Lago do Amor. Segundo Willian Ide, um projeto de Recuperação de Áreas Degradadas foi elaborado e executado para o entorno do lago, que incluiu a recuperação e manutenção da pista de passagem de pedestres com a instalação de bloquetes e semeadura de gramíneas, as quais favorecem o aumento da infiltração de água no solo e o plantio de mudas de espécies nativas nas margens do lago.

Ide afirma que a UFMS tem realizado a constante limpeza e manutenção no entorno do lago, além do replantio de diversas mudas em sua margem. Em 2016, foram plantadas mais de 50 mudas de espécie nativa da região. Quanto à limpeza e manutenção, são retirados do lago e do entorno cerca de uma tonelada por mês de resíduos, como entulhos, lixos, sacos plásticos, latinhas, garrafas pets, entre outros.

Ele acrescenta que nos últimos meses a Universidade realizou duas reuniões com a Prefeitura para discutir a situação atual do lago e definir as medidas a serem tomadas pelo município para que o lago continue exercendo sua função. Além disso, a UFMS e a Prefeitura deram início à elaboração de um Plano de Ação Conjunta em prol do Lago do Amor e da bacia hidrográfica do Córrego Bandeira, na qual ele está inserido.


Exemplo positivo

De acordo com Pedro Zamboni, o loteamento Alphaville, no Jardim Montevideu, localizado próximo ao Shopping Bosque dos Ipês, é um exemplo de planejamento para as condições ambientais da região. “Foi pensado para seguir as curvas de nível para que as ruas e casas sirvam como barreira mecânica pra diminuir a velocidade do escoamento superficial”.

Zamboni ressalta que o munícipio deveria adotar técnicas em toda bacia para diminuir a produção de sedimentos, reduzir o escoamento superficial e promover uma maior infiltração de água no solo.

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