MEIO AMBIENTE

Desmatamento é realizado no Parque dos Poderes para ampliação do Tribunal de Justiça

Petição na Internet exigi suspensão do desmatamento do Parque dos Poderes para preservar a fauna e flora da região

Camila Silveira, Gabriel Sato e Gerson Wassouf, de Campo Grande 9/11/2019 - 01h41
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Área de 10 mil metros quadrados de vegetação do Parque dos Poderes é desmatada para ampliação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em Campo Grande. A ação foi autorizada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), e é realizada desde o dia 12 de outubro em mata preservada. A região do desmate está localizada na esquina da avenida Desembargador Neto do Carmo com a avenida Fadel Tajher Iunes, no bairro Jardim Veraneio. 

Segundo o diretor da Secretaria de Comunicação do TJMS, Carlos Kuntzel o espaço desmatado é uma das áreas passíveis de supressão vegetal dentro do Parque, definido pelo Programa de Preservação, Proteção e Recuperação Ambiental, e está amparado pela Lei nº 5.237 que criou o Complexo dos Poderes. Para o engenheiro ambiental Rafael Brandão, as áreas verdes são essenciais em todos os lugares, principalmente nos grandes centros urbanos devido à concentração de veículos e indústrias. “O grande benéfico das áreas verdes é a purificação do ar, retendo os gases mais tóxicos. Essas áreas também ajudam na diminuição da temperatura daquela microrregião".

O diretor da Secretaria de Comunicação do TJMS informou ainda que foi realizado estudos de impacto ambiental para uso da área próxima à sede no Parque dos Poderes, e garante a compensação pela retirada de espécies da mata protegida, como o Cumbaru. "Não se trata de simples desmatamento e sim de um procedimento regular devidamente autorizado pelo órgão competente de meio ambiente e amparado na Lei n° 5237 de 17 de Julho de 2018, que criou o Complexo dos Poderes e estabeleceu o Programa de Preservação, Proteção e Recuperação Ambiental das áreas que abrangem o Parque Estadual do Prosa, o Parque das Nações Indígenas e o Parque dos Poderes, e dentre outras providências, definiu as únicas áreas passíveis de supressão vegetal dentro do complexo do Parque, sendo a área em questão uma delas".

Protesto

O engenheiro ambiental Caio Áspet criou uma petição na Internet, compartilhada pelas redes sociais, para "manifestar indignação e exigir suspensão do desmatamento do Parque dos Poderes". De acordo com o documento, a vegetação da área desempenha inúmeros serviços ecossistêmicos e se essas ações continuarem haverá impacto na fauna e flora local, e na qualidade de vida dos habitantes dessa região. A petição "Não ao Desmate no Parque dos Poderes" tem mais de 11 mil assinaturas.

Segundo o morador da região, Rodrigo Borges a ação das máquinas no desmate começou na madrugada do dia 12 de outubro. “Estão acabando com o Parque, isso é inadmissível, vão acabar com o Parque e vai sobrar o que? Quando se corta uma árvore, não são só os moradores que saem prejudicados, mas todos os cidadãos. Os coqueiros mesmo, gastaram R$ 14 mil em cada um e olha o estado que estão".

De acordo com o engenheiro ambiental, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Rafael Brandão a principal função das áreas verdes é realizar a purificação do ar, e em cidades com concentração elevada de veículos e indústrias, ter áreas desmatadas prejudica na qualidade do ar. "As cidades mais populosas possuem uma alta taxa de emissão de gases e partículas tóxicas para a atmosfera, as áreas verdes e as arvores são capazes reter essas partículas, purificando o ar da região".

O educador ambiental João Marcelo Kassar é um dos organizadores dos protestos e relata que a Lei n° 5237 permite o desmate de 11 áreas do Parque. "Essas áreas dão um total de 28 hectares para construção de várias autarquias como um palácio para o governador, prédios para o Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Tribunal de Justiça e até depósito de carga da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), que é a nossa maior crítica, porque desmatar um cerrado dentro do Parque dos Poderes para trafegar caminhão com mercadoria apreendida é um absurdo".

De acordo com Kassar, a aprovação da Lei aconteceu em 2018 e desde então realizam-se protestos contra essa autorização. "Pedimos audiência pública na Assembleia Legislativa, fizemos laudo técnico ambiental da área e vamos em eventos para protestar. Uma das manifestações foi colocar faixa nas áreas que serão desmatadas".

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