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Ciclo de audiências aponta consumo como maior problema ambiental

, de Campo Grande 8/07/2013 - 15h21
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[caption id="attachment_1515" align="alignnone" width="645"]O diretor do SOS Mata Atlântica esteve me Campo Grande para propor soluções ambientais. O diretor do SOS Mata Atlântica Mário Mantovani esteve em Campo Grande para palestrar sobre soluções ambientais. Foto: Jean Codas[/caption] Resíduos sólidos e coleta, arborização, queimadas urbanas, e atividades industriais foram o foco das audiências públicas na Câmara Municipal de Campo Grande durante a semana do meio ambiente, realizada entre os dias 3 e 7 de junho . Autoridades públicas, empresários, cooperativas, ongs e representantes da sociedade civil se reuniram para discutir a criação de novas leis sobre o meio ambiente pelo legislativo da Capital. Eventos como este são pautados na ideia de trabalhar com ações locais que possam influenciar globalmente --conceito que surgiu  há 41 anos, na Suécia durante a Conferência de Estolcomo. O evento culminou em uma palestra sobre as possíveis soluções ambientais para as questões discutidas nas audiências. O coordenador de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, foi um dos palestrantes que vieram à Cidade Morena palestrar sobre o tema. Para Mantovani, o problema principal está na sociedade de consumo, ele enfatiza que "a grande questão a ser discutida é o consumo". O ambientalista também questiona a desvalorização planificada, e ressaltou durante a palestra esse comportamento. "O cara se endivida todo para comprar um carro que daqui alguns anos vai valer metade do que ele pagou. Mas faz isso acreditando que precisa daquilo, quando existem meio mais eficientes de transporte", declarou o ambientalista. Como o sistema gira? O cronista Rubem Alves respondeu essa pergunta com o conceito da "desvalorização planificada" dos produtos. A lógica econômica que faz o carro perder valor assim que sai da concessionária, como no exemplo de Mantovani. Para Alves, os bens de consumo se tornaram simbólicos, ou seja, você deixa de consumir porque precisa sobreviver e passa a consumir porque o produto representa algo -- por exemplo, o status social de ter o carro do ano. A quantidade de recursos naturais usados para manter os hábitos de consumo das populações é chamada "pegada ecológica". Os campo-grandenses precisariam de 1,7 planetas Terra para manter seu modo de vida, segundo um relatório do WWF. Em parte, isso é gerado pela lógica de desenvolvimento, que especialmente no Brasil da década de 50 não se importava com a questão ambiental. Pastagens, agricultura e florestas somam 75% da "pegada ecológica" de Campo Grande. A alimentação gera maior impacto, 45%, com destaque para o consumo de carne. A fazenda Rancho Alegre,  uma das maiores produtoras de suinocultura do Mato Grosso do Sul, é exemplo de uma empresa rural que encontrou soluções para sua pegada ecológica. A administradora da propriedade e mestra em produção agroindustrial, Eleiza Moraes, explica como transformou o problema dos resíduos sólidos dos animais em lucratividade. "Encontramos uma maneira melhor de aproveitar os resíduos dos animais aqui na fazenda usando biodigestores,posso dizer que economizamos R$20 mil por mês só com eletricidade”, declara. Uso de Biodigestores gera economia de forma sustentável Mário Mantovani fala sobre soluções ambientais http://youtu.be/iw0oB5mTBqE Há solução? Em 2008, o aumento progressivo da população mundial aumenta os impactos ambientais porque a regra básica desse modelo economia diz que "quanto mais gente, mais consumo". O aumento de consumo de frango entre os um bilhão de chineses foi um dos responsáveis pela recente crise de alimentos.  A lógica do consumo afeta diversos setores. Para alimentar o frango, por exemplo, é necessário milho, uma commoditie agrícola. Nos cálculos do especialista em agricultura da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Lopes, para cada frango a mais consumido por habitante na China, por ano, serão necessários 5,6 milhões de toneladas de milho e 2,4 milhões de toneladas de soja. Por ser uma commoditie, ele é cotado pelo mercado internacional e se torna uma opção mais rentável ao grande proprietário rural do que outros alimentos. Para Mantovani, a saída seria mudar a forma de produzir. "A única saída é a agricultura familiar. Quem realmente alimenta as pessoas são os pequenos proprietários", explica o ambientalista. Repórter: Everson Tavares Fotos: Priscila Ribeiro Editor: Jean Codas
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