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19 de dezembro de 2016 - 11h52

Campo Grande registra aumento de abandono e maus tratos de animais

Delegacia especializada em crimes ambientais e ONGs buscam reverter a situação

DAIANA PORTO, GABRIELA ZALESKI E GIOVANA SILVEIRA
Em 2016, foram registradas 292 denúncias de abandono e maus tratos a animaisEm 2016, foram registradas 292 denúncias de abandono e maus tratos a animais  (Foto: Giovana Silveira)

A Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista (DECAT)  recebeu 292 denúncias de maus-tratos a animais domésticos entre maio e dezembro de 2016 em Campo Grande. Os dados representam um aumento de 79% em relação a 2015, quando obteve 60 denúncias. Segundo o assessor de comunicação da organização não governamental Abrigo dos Bichos, Diogo Zampieri a ONG resgata em média 10 animais em condições de maus tratos e/ou abandono por mês.

De acordo com o assessor, a Sociedade de Proteção e Bem-Estar Animal Abrigo dos Bichos resgata, em média, 120 animais abandonados ou maltratados por ano, entre cães e gatos. Todos são tratados na própria instituição. "Todos os animais que entram na ONG são registrados e cadastrados, passam por exames completos, inclusive de doenças mais graves e se houver suspeita de doenças contagiosas também. Todos são tratados e encaminhados para adoção através das redes sociais e das Feiras de Adoção que organizamos".

Segundo Zampieri, a organização procura educar a população sobre os cuidados aos animais pela internet e pessoalmente. "Realizamos campanhas online e offline, ou seja, com entrega de material, para o grande público, principalmente durante nossos eventos que costumam ser em locais de grande circulação. Ainda assim, conversamos com as pessoas, tiramos dúvidas e auxiliamos sobre tratamentos e, principalmente, prevenção. A resposta geralmente é positiva. Portanto, ainda precisamos de políticas públicas específicas e maior envolvimento do estado e do município, que não costumam cumprir com sua parte".

Greice Maciel ampara animais abandonados (Foto: Giovana Silveira)

A protetora independente, Greice Maciel recebe todos os dias pedidos de ajuda pelo celular e pelas redes sociais. Segundo a protetora, a demanda de animais abandonados ou maltratados tem aumentado em Campo Grande e os órgãos públicos destinados a este serviço são precários e ineficientes. "Faltam políticas públicas visando conscientização de posse responsável, controle populacional e punições mais adequadas. Precisamos com extrema urgência de projetos de conscientização da população, começando pelas crianças. Essa medida teria resultado a longo prazo, por isso se faz urgente sua implantação. E ainda as medidas de resultado a curto prazo, com projetos intensivos de castração e vacinação para população de baixa renda e animais de rua".

Em Campo Grande, a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (DECAT) recebe denúncias de abandono e maus tratos a animais. Desde 2014, há o telefone (67) 3368-6144 para denúncias, que recebe queixas de forma anônima. Segundo a delegada titular da DECAT, Rosely Aparecida Molina, se a pessoa escolhe se identificar ao fazer a denúncia, recebe retorno sobre o procedimento. "A pessoa liga e essa denúncia já vai para os nossos arquivos, mesmo sendo anônima. Se não for anônima é melhor, porque a gente consegue dar um feedback para a pessoa depois."

De acordo a delegada, após o registro da denúncia, são coletados dados, o local e características do animal. A denúncia é despachada para o setor de investigação e os policiais vão até o local, se houver sinais de doença ou maus tratos, o animal é recolhido e a penalidade para o autor do crime varia de acordo com a situação. "A gente encaminha o animal para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), para que seja feito diagnóstico e doação por meio do próprio CCZ ou de grupos e ONGs que nos ajudam. E iniciamos investigação com dados, testemunhas, laudos, exames e uma série de etapas que são feitas para que possamos chamar o autor e fazer o indiciamento. A penalidade varia de seis meses a dois anos e depende do crime, se o animal morre, por exemplo, a pena vai aumentando."

A pedagoga Selma de Oliveira desconhecia o número de denúncias do DECAT e, quando resgatou a cadela Belinha de uma situação de maus tratos e abandono, cuidou do animal e o levou para casa. “Há seis anos atrás eu não sabia da existência de uma delegacia especializada em crimes contra os animais. Foi por minha conta e risco que enfrentei os vizinhos e adotei a Belinha. Nenhum animal deveria passar por essa situação. Toda vida merece ser respeitada”.

Grupo de Proteção aos Felinos


Gatos são abandonados na UFMS (Foto: Daiana Porto)

A servidora pública Vera Lúcia Furlanetto é uma das coordenadoras do Grupo de Proteção aos Felinos, um projeto em que professores, servidores e acadêmicos da UFMS garantem condições básicas de sobrevivência aos gatos que são abandonados no campus. O grupo deixa comida e água a disposição dos animais pelo campus da universidade. “É nosso dever enquanto ser humano, zelar por estes animais que não sabem falar, se expressar e tampouco se defender”. 

Vera Lúcia Furlanetto ressalta que na época de final de ano, o número de animais que são abandonados aumenta consideravelmente. “As pessoas viajam e não tem uma pessoa que possa cuidar dos animais ou não tem condições de pagar um hotelzinho e acabam abandonando os animais na rua. Outra situação que ocorre com frequência, são os acadêmicos que vem de fora e acabam adotando um animal aqui, mas quando terminam a graduação não conseguem levá-lo para a cidade natal e aí, também acabam abandonando-os”.

 

Serviço

A DECAT recebe denúncias de forma anônima por meio do telefone (67) 3368-6144. O Grupo de Proteção aos Felinos oferece palestras sobre proteção animal à comunidade. Mais informações pelo telefone (67) 99620-7424. 

 

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