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26 de maio de 2015 - 16h35

Alunos portadores de deficiência usam da arte inclusiva como meio para socialização

A arte inclusiva, como artesanato, pinturas, desenhos, peças teatrais e fantoches é utilizada para promover a socialização dos alunos com deficiência intelectual, auditiva e visual em Campo Grande

GÉSHICA RODRIGUES E TATYANE CANCE
Danubia Freitas com capacidade visual reduzida produz cestas artesanaisDanubia Freitas com capacidade visual reduzida produz cestas artesanais  (Foto: Géshica Rodrigues)

A arte inclusiva, como artesanato, pinturas, desenhos, peças teatrais e fantoches,  tocar instrumentos musicais, cantar em corais, praticar esportes, é utilizada para promover a socialização dos alunos com deficiência intelectual, auditiva, visual e com alta habilidade e superdotação de Campo Grande  em centros de atendimento educacional especializado, entre eles o Centro de Convivência de Desenvolvimento de Talentos (CCDT), Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP/DV) e o Centro Estadual de Atendimento ao Deficiente da Audiocomunicação (CEADA). As escolas públicas estaduais também participam do Projeto Arte Inclusiva. 

Segundo a professora de teatro do CCDT, Claudia Serra, o projeto arte inclusiva tem um papel fundamental para o desenvolvimento dos alunos. “Reconhecer e valorizar a pluralidade cultural expressa na arte contribui para socialização desses alunos, tanto na comunidade escolar como no mundo a fora, eles conseguem se reintegrar em alguma atividade”. Claudia Serra explica que muitos alunos portadores de deficiência que passaram pela escola, estão empregados e trabalham  de acordo com o seu potencial. “Para nós isso já faz toda diferença, é uma conquista”.

O CCTD desenvolve teatro, música, dança, esporte e jogos com alunos. Claudia Serra destaca que a escola tem atualmente 11 alunos e o atendimento é destinado a pessoas com paralisia cerebral, síndrome de Down e deficiência intelectual. “São alunos adultos que já passaram pelo ensino regular, e agora realizam atividades aqui com a gente de inclusão mesmo, de dá oportunidade para sociabilização”. 

O coordenador de Políticas para a Educação Especial (Copesp), da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED), Ronaldo Rodrigues explica que os Centros oferecem orientação e acompanhamento familiar e utilizam do projeto arte inclusiva para desenvolver o potencial humano dos alunos. Ele acredita que a arte inclusiva é elemento essencial na educação e cultura do homem, e por meio dela é possível integrar pessoas de diferentes classes sociais e condições biológicas. “A inclusão dos estudantes com qualidade para o âmbito social é uma prática das instituições estaduais e arte proporciona essa inclusão e gera muitos benefícios”.  

Para a professora de música e artesanato do CAP/DV, Noemia de Araújo, a arte é uma iniciativa importante, ela acredita que o projeto proporciona a inclusão, além de elevar a autoestima dos alunos cegos e com visão reduzida.

Alunas do CAP/DV em aula de artesanato (Foto: Géshica Rodrigues)

Noemia de Araujo diz que “meus alunos de artes vêm para as aulas e eu pergunto o que vocês querem produzir hoje, eles têm a liberdade de escolher o que deseja fazer, cerâmica, pintura, tapeçaria, cestaria ou desenho” Os alunos do CAP/DV aprendem braile e utilizam uma biblioteca com livros todos em braile. O bibliotecário Jônis Marques informa que todos os volumes estão disponíveis para empréstimo dos alunos. “Além desses livros em braile, temos também CD’s em mp3 que narram para os deficientes visuais as histórias e todos os detalhes das figuras”.

Letra de música ampliada (Foto: Tatyane Cance)
 

Segundo a professora Noemia de Araújo, nas aulas de música e arte são atendidos 27 alunos, entre eles adolescentes e adultos. Tudo que é produzido pelos alunos fica exposto na escola. “Eles produzem e, se autorizam, vendemos os artesanatos. Tudo o que é vendido retorna em material para eles”. Noemia de Araujo revela que os alunos com baixa visão transcrevem suas música de forma ampliada, assim é possível visualizarem as letras para cantarem no coral.

A estudante Danubia Freitas há três anos participa do projeto Arte Inclusiva, revela que “quando eu venho para cá eu me sinto bem, se fico em casa, fico triste e desanimada, aqui eu produzo e me distraio, melhora minha autoestima”. A estudante nasceu com toxoplasmose, tem 30% da visão do olho esquerdo e paralisia na mão esquerda. “Eu comecei a fazer artesanato com barro, isso me ajudou muito com minha mão esquerda, minha movimentação com ela melhorou”.  A aluna Alessandra Almeida tem albinismo e possui 20% da capacidade visual, declara que “eu achei muito interessante a exposição e resolvi fazer o curso, para mim é uma terapia eu gosto”. 

Os alunos do Ceada e NAAH’s também produzem artesanatos com pinturas e telas que expõem na própria escola para divulgar seus trabalhos, o público em geral pode visitar o espaço que mostra as obras de arte desenvolvidas pelos estudantes.

O coordenador de Politicas Públicas para Educação Especial, Rodrigues, com sua equipe realizaram de 27 de abril a 22 de maio a 1ª exposição de trabalhos artísticos de alunos dos Centros de Atendimento Educacional Especializado. “Quando assumi a posição de coordenador, vi que tinha muitos trabalhos legais, mas que não eram divulgados, eram carentes de exposição, no sentido de dar viabilidade no trabalho deles, assim propus um mês de arte inclusiva na SED”. A mostra foi aberta aos servidores e visitantes da Secretaria de Educação e recebeu o nome Mês da Arte Inclusiva. Foram quatro semanas de apresentações de telas, desenhos e artesanatos. A professora e servidora pública Nanci Rios, trabalha há 12 anos na educação e destacou que é a primeira vez que vê os trabalhos dos alunos com deficiência. “Eu achei muito bacana a iniciativa de expor essas obras que ficam escondidas aos nossos olhos, a exposição foi excelente. Tivemos a oportunidade de ver belíssimas artes”. 

Exposição de trabalhos artesanais da Escola CEADA na SED (Foto: Géshica Rodrigues)

 

Serviço

Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul – (67) 3318-2200
Centro de Convivência de Desenvolvimento de Talentos (CCDT) – (67) 3382-6335
Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S) – (67) 3314-1269
Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP/DV) – (67) 3314-1207
Centro Estadual de Atendimento ao Deficiente da Audiocomunicação (CEADA) – (67) 3341-7764

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