CAMPO GRANDE19º MIN 26º MAX
Primeira Notícia UFMS
  sexta, 22 de setembro de 2017
 
13 de novembro de 2015 - 14h15

População utiliza WhatsApp para enviar denúncias e reclamações para as redações

O uso do aplicativo possibilitou que problemas sociais e da cidade possam ser compartilhadas para a divulgação nos jornais

CASSIA MODENA E DANIEL CAMPOS
Redações recebem centenas de mensagens no WhatsApp por diaRedações recebem centenas de mensagens no WhatsApp por dia  (Foto: Daniel Campos)

As redações dos cibermeios recebem diariamente milhares de mensagens de moradores dos bairros de Campo Grande por meio do aplicativo WhatsApp. A maioria delas são reclamações relacionadas à problemas estruturais em bairros, de acordo com os jornalistas Pedro Heirerich do Midiamax e Vinicius Squinelo do Top Mídia News.

A analista de departamento pessoal, Cleide Monteiro, é um dos leitores que colaboram frequentemente com os jornais. Ela vê no aplicativo uma ferramenta de cidadania para denunciar os problemas que encontra no seu bairro, o Jardim Paradiso. Monteiro não se cansa de enviar mensagens, fotos e vídeos para os números de celular divulgados pelas redações da Capital. “Eu envio para que a informação chegue mais rápido ao público e com a intenção de chegar também os políticos para ver se resolvem alguma coisa. Creio que a notícia chega para muitas pessoas". 

Segundo Cleide Monteiro, as informações que disponibilizou para as redações foram aproveitadas para reportagens exibidas na televisão. "Ano retrasado, lembro que a notícia saiu e em questão de minutos o prefeito passou em nosso bairro". Ela espera que as informações compartilhadas com a mídia tragam mudanças. “Estou na fé que um dia resolve”.

O repórter do ciberjornal Midiamax, Pedro Heirerich, responsável por visualizar e avaliar todo o conteúdo que chega na redação no período da tarde, afirma que o fluxo de mensagens recebidas no celular funcional do jornal é intenso. Somente as relacionadas a problemas nos bairros somam em torno de 100 por dia. São informações de acidentes, reclamações de falta de atendimento e estrutura básica nos postos de saúde e de falta de professores nas escolas públicas. Além das mensagens textuais, os leitores mandam vídeos, áudios e fotos. “É um recurso muito rico. Muitas grandes reportagens saíram de gente que mandou no WhatsApp”.

De acordo com o editor do Top Mídia News, Vinícius Squinelo, as denúncias relacionadas à corrupção também chegam com frequência às redações, como desvio de verbas públicas e de medicamentos de postos de saúde, por exemplo. "As denúncias que chegam pelo WhatsApp servem como uma base. A gente vai atrás de diários oficiais, de pessoas interessadas no assunto, de ouvir políticos em questão. E, aí sim, caso haja materialidade na denúncia, a gente faz uma pauta".

Jornalismo cidadão

Para o jornalista e estudante do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Bonacina, esta troca de mensagens com as empresas de comunicação é um ganho para o cidadão, pois dá a ele a oportunidade de inserir assuntos de seu interesse na programação da mídia local. “Traz para a pauta da sociedade um conteúdo que não aparece frequentemente nos grandes jornais televisivos ou mesmo rádios”.

Bonacina apresentou pesquisa relacionada ao tema no 13º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, realizado entre os dias 4 e 6 de novembro, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, com o título "As fronteiras entre o jornalismo tradicional e o jornalismo cidadão: apontamentos teóricos para estudos futuros". Os termos "Jornalismo Cidadão" ou "Jornalismo Colaborativo" são conceitos usados por pesquisadores para se referir à participação de pessoas sem formação profissional em jornalismo.

COMENTÁRIOS
 © Copyright 2017 Primeira Notícia