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6 de September de 2014 - 09h35

Observatório de mídia da UFMS vai monitorar a imprensa de Campo Grande

Laboratório Observe prepara estudantes para futuras análises críticas dos meios de comunicação

LUANA CAMPOS E ANDRÉ MOURA
Laboratório Observe em atividade de ciberjornalismoLaboratório Observe em atividade de ciberjornalismo  (Foto: Gerson Martins (acervo pessoal))

O laboratório de pesquisas e monitoramento de mídia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Observe, deu início as suas atividades em agosto de 2014 com a capacitação de estudantes que farão análises críticas de matérias veiculadas na imprensa de Campo Grande.

O objetivo do Observe é incentivar melhorias no padrão atual de produção dos meios de comunicação e promover maior reflexão aos estudantes de jornalismo para que cometam menos erros quando entrarem no mercado de trabalho. O projeto, aprovado em 2010 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi criado pela jornalista e aluna do mestrado em Comunicação da UFMS, Fernanda Kintschner, e pelo coordenador do laboratório, professor Dr. Gerson Luiz Martins.

Teoria X Prática

No panorama nacional, anualmente, em torno de 14 mil estudantes se formam em cerca de 440 cursos de jornalismo no Brasil, segundo dados da Federação Nacional dos Jornalistas, (FENAJ) . São quatro anos de estudo de teorias, modelos narrativos e códigos de ética que segundo a jornalista Maressa Mendonça, não ocorrem exatamente como imaginam os alunos quando estão faculdade.

A falta de qualidade das apurações e de ética apontadas nos trabalhos dos observatórios  são justificadas, segundo o professor da Universidade Federal do Sergipe (UFS), Josenildo Guerra, atual coordenador  da Rede Nacional de Observatórios de Imprensa  (RENOI), principalmente pelas corridas contra o deadline, pressões por informações instantâneas e, muitas vezes, pela falta de estrutura das redações.

No Brasil existem 15 laboratórios de crítica de mídia segundo dados da RENOI, que acompanham constantemente as publicações dos diversos meios apontam erros e propõe melhorias para a prática jornalística.

Expectativas dos profissionais

Para a jornalista Maressa Mendonça, que migrou recentemente do jornal impresso para um portal de notícias, de maneira geral não há como haver excelência no jornalismo diário, independente do meio. "Vejo perfeição apenas em grandes reportagens que demoram meses ou anos até a publicação como as obras do Caco Barcellos, Gilberto Dimenstein e Daniela Arbex, por exemplo”.

Ela diz não se sentir incomodada com o trabalho proposto pelo Observe. Sua única preocupação é o fato de ser criticada por colegas que ainda não passaram pelas rotinas das redações. " A gente percebe que os que estão nas redações olham com mais comiseração os erros dos colegas".

Mendonça afirma que se sente monitorada desde o início da carreira. “A diferença é o tipo de controle, que não fica restrito aos leitores mas acaba sendo realizado por outros jornalistas também”.

Quanto a isso Kintschner, afirma que a situação será equilibrada.


Resultado a longo prazo

O professor e pesquisador do Observatório da Mídia: direitos humanos, políticas, sistemas e transparência,  da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Edgard Rebouças, concorda que o trabalho dos observatórios ainda é muito restrito.

A aposta de Rebouças para mudanças significativas, recai sobre os estudantes de jornalismo que passam por esses laboratórios e que posteriormente devem criar oficinas de leitura crítica para o público em geral.

Guerra, explica que quando o trabalho do observatório está em visibilidade, ele certamente instiga uma mudança de comportamento. Um dos exemplos que ele cita é o caso da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que ao longo dos anos conseguiu alavancar o número de notícias relacionado aos temas da infância e juventude nos meios de comunicação. 

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