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12 de novembro de 2015 - 01h57

Capital registra mais de 600 casos de suicídio em 2015

Pesquisa desenvolvida na UFMS indica a necessidade de divulgação na mídia para gerar debate sobre o tema e promover ações preventivas

ANDRESSA OLIVEIRA E FERNANDA NOGUEIRA
Matérias sobre suicídio as fotografias não devem identificar vítimas, locais ou metódos utilizadosMatérias sobre suicídio as fotografias não devem identificar vítimas, locais ou metódos utilizados  (Foto: Fernanda Nogueira)

O número de casos de suicídio cresceu cerca de 12% em Campo Grande. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até o final de outubro de 2015, foram registrados 605 casos. No ano anterior foram 750 tentativas de suicídios notificadas. O debate sobre a mídia divulgar ou não as ocorrências é influenciado pelos índices e pela forma como as notícias são apresentadas.  

Os estudantes de jornalismo, Patrick Alif Fertrin Batista e Victor Hugo Sanches Pereira, constataram, após pesquisa de um ano e seis meses, que os jornais  analisados publicaram aproximadamente o mesmo número de notícias, com uma quantidade diferente em matérias especiais que abordaram aspectos preventivos. O trabalho de pesquisa foi apresentado no 13º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), realizado entre os dias 4 a 6 de novembro, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Alif destaca que os veículos publicam fotografias de forma inadequada. “Não devemos acusar os veículos, nós devemos debater, para haver uma melhora por parte das matérias para não divulgar fotos sensacionalistas, de pessoas que acabaram de morrer ou que tentaram o suicídio. Isso, ao nosso ver, pode trazer drama familiar e influenciar outras pessoas”.

A jornalista e psicóloga Claudia Malfatti afirma que a mídia tem papel relevante para a prevenção do suicídio e deve abordar o tema sem sensacionalismo ou superficialidade. "Quando bem conduzida, uma matéria sobre suicídio pode evitar novas tentativas e mortes. O papel da mídia é discutir e mostrar caminhos para solucionar os problemas e/ou preveni-los”. Malfatti acredita que a universidade deve preparar os acadêmicos para falar sobre a temática.

Malfatti cita que esse tabu precisa ser superado. “Nem sabem ao certo o motivo, mas muitos acreditam que falando no autoextermínio vão incentivar outras mortes. Isso é um mito. Por que falar em prevenção ao câncer de mama, prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e não falar em prevenção ao suicídio?”. A profissional acredita que a mídia pode ajudar, por exemplo, ao alertar as consequências físicas e indicar a busca de auxílio médico. 

O Manual de Prevenção para a Mídia da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que “um dos fatores que podem levar um indivíduo vulnerável a efetivamente tirar sua vida pode ser a publicidade sobre os suicídios”.  Segundo a OMS, o suicídio é a principal causa evitável de morte prematura. A estimativa da Organização é que a cada três segundos uma pessoa tenta se matar no mundo e a cada 40 segundos uma pessoa consegue tirar a própria vida.

Efeito Werther

O fato da imprensa não divulgar casos de suicídio tem como justificativa o Efeito Werther. Essa é uma denominação criada a partir da publicação do “O Sofrimento do Jovem Werther”, em 1974 na Alemanha. Na história escrita por Johann Wolfgang von Goethe, o personagem se suicida após um amor não correspondido. A partir da divulgação do livro começou-se uma onda de suicídios na Europa. 

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