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  sábado, 22 de julho de 2017
 
5 de fevereiro de 2017 - 17h51

Ministério Público Estadual libera arquibancada coberta dois dias antes da reabertura do Morenão

Decisão foi tomada quatro dias após declarar que o local não estava pronto para receber público

DANIELLE MUGARTE, LARISSA FERREIRA E MARIA CAROLINA LINS
Cerca de três mil torcedores ficaram concentrados na arquibancada do estádioCerca de três mil torcedores ficaram concentrados na arquibancada do estádio  (Foto: Danielle Mugarte)

As equipes do Esporte Clube Comercial e Novoperário Futebol Clube fizeram o jogo de reabertura do Estádio Morenão, no último domingo (29), que estava há dois anos e quatro meses sem receber partidas devido à falta de adequação às medidas de segurança exigidas pelos Corpo de Bombeiros. O estádio foi liberado pelo Ministério Público Estadual (MPE) dois dias antes do jogo. A partida, que abriu o 39° Campeonato Sul-Mato-Grossense, terminou em 2 a 1 para o Comercial e recebeu 2.483 pessoas.

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad Filho afirmou, após o final do jogo, que a Prefeitura Municipal irá contribuir com a administração do estádio e também disponibilizar cerca de 100 mil reais para os times da Capital. "Embora o Estádio seja da esfera estadual, nós ajudaremos distribuindo essa quantia para cada equipe de futebol da Capital". Ele ainda relembra clássicos do futebol que passaram pelo estádio. "Nós, que vimos nomes como Edson Arantes do Nascimento, Pelé, sentimos a nostalgia no renascimento do maior estádio universitário da América Latina".

O jogador do Novoperário, Anderson Ferreira, conhecido como Andrinho, após um ano ausente, voltará a jogar no time em 2017 pela terceira vez em sua carreira. Ele afirma que o fechamento do estádio prejudicou o futebol em Mato Grosso do Sul e que o Morenão é um local especial para o esporte sul-mato-grossense, onde muitos craques jogaram. "Aqui é o templo do futebol no estado. E agora, com a volta dele, vemos um futebol bonito, cheio de gente. Cada dia vai lotar mais os jogos".

Laudos da Justiça

De acordo com o promotor da 25º Promotoria de Justiça do MPE, Fabrício Proença a Polícia Militar exigiu a implantação de medidas de segurança até o dia 25 de janeiro. No entanto, até o dia 23, o estádio não tinha se adequado, o que colocava os torcedores em risco.

Cadeiras foram pintadas na reforma. Foto: Danielle Mugarte

Segundo o promotor, entre os problemas encontrados, estavam a falta de catracas de acesso, para controle do público, e de uma central de comando e controle para a vigilância. “Das sete câmeras instaladas no estádio, somente uma funcionava”. Também foram encontrados materiais perigosos dentro do estádio que poderiam ser utilizados em confrontos entre as torcidas, como bastões de madeira, hastes metálicas, peças de alvenaria, alambrados e restos de argamassa e cimento.

Proença afirma que, no último dia 25, uma nova vistoria foi realizada pela Polícia Militar e os problemas foram resolvidos. Segundo ele, o estádio foi liberado para receber nove mil torcedores por jogo. “São 6.500 vagas nas arquibancadas sem cadeiras e 2.500 nas arquibancadas com cadeiras”.

Ele explica que existem outras medidas de segurança não concluídas, como a falta de espaços adequados para a atuação de órgãos de segurança. "Os prazos dados pelos laudos da Polícia Militar são maiores". A Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul (FFMS) tem 120 dias para concluir as obras. Segundo o vice-presidente e coordenador de competições da FFMS, Marco Antônio Tavares a Federação assumiu o compromisso de cumprir as exigências e também criar uma sala adequada para que a segurança do local seja garantida.

O pró-reitor de Administração e Infraestrutura da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Cláudio César da Silva diz que na segunda-feira, dia 23, a Federação de Futebol não conseguiu atender todas as medidas de segurança, mas cumpriram as exigências até o final do prazo, dia 25. “Foram feitos mutirões com voluntários da própria universidade para resolver os problemas que ainda faltavam, mas eram itens pequenos como a falta de placa em alguns setores ou a melhoria dos banheiros sanitários”.

Silva afirma que o Morenão está em processo de transição de gestão para que a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), em parceria com a UFMS, assuma a administração. “O estádio representa muito historicamente, mas ele não é essencial. A universidade, enquanto instituição voltada para o ensino, não precisa manter um estádio grandioso desse somente para a utilização do curso de Educação Física ou para as nossas atividades desportivas. Podemos fazer isso em outro lugar, de maneira mais barata e simples”. 

Segundo ele, se a parceria não acontecer, a universidade terá que remanejar dinheiro do ensino ou da pesquisa para manter o Morenão. “Para que o estádio não seja fechado em alguns anos novamente, temos que fechar estes tipos de parcerias, porque, sozinha, a UFMS não consegue gerir”.

 

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