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Primeira Notícia UFMS
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11 de maio de 2015 - 11h28

Infraestrutura de esportes da UFMS é precária

Corte de recursos dificulta a prática de esportes na Universidade. O resultado são quadras cobertas empoçadas, academia da UFMS fechada e diminuição de bolsas esportivas.

LAYANE KARRÚ E LETÍCIA ÁVILA
Alunos jogam basquete e precisam dividir a quadra com as goteirasAlunos jogam basquete e precisam dividir a quadra com as goteiras  (Foto: Layane Karrú)

Esportes foram cancelados na UFMS, o número de bolsas Atleta e Desporto diminuíram e a falta de recursos e reparos na infraestrutura dificulta a prática esportiva e deixa alunos e professores insatisfeitos. A Universidade desenvolve vários projetos esportivos todos os anos e a maioria é gratuita e ofertada para a comunidade externa e estudantes que fica prejudicada pelas condições precárias.

O estudante de engenharia civil, João Budib, 23, joga basquete pela Associação Atlética Acadêmica das Engenharias, a AAAENG, e treina em uma das quadras da universidade. Os treinos precisam ser combinados para ter espaço para todos treinarem, e muitas vezes, é necessário dividir a quadra para mais de um esporte. “Não tem quadra para todo mundo. No Moreninho, por exemplo, as tabelas de basquete estão quebradas. A gente treina mesmo porque gosta”.

A UFMS não tem time de basquete e o único time ativo no momento é o de handebol. De acordo com o assistente especial de Desportos da Preae, Hans Stander, de 48 anos, a universidade teve um time de basquete que foi extinto por falta de treinador adequado para o esporte. “Nós ficamos sem bolsista para oferecer a atividade porque o nosso bolsista foi para o Ciências Sem Fronteiras, e o outro bolsista que assumiu no ano passado não teve rendimento”.

A maioria das aulas é ministrada por acadêmicos da universidade. Segundo o coordenador de Desporto, Fernando Doldan, 56, a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis, Preae, disponibiliza algumas bolsas, os alunos inscritos no edital são avaliados e selecionados para atuarem como instrutores das modalidades. Doldan afirma que as Bolsas Atleta e Desporto são uma “questão de recurso. O ano passado veio uma quantidade e esse ano cortou na metade”. Segundo ele, a coordenadoria não tem recurso próprio. O número de bolsas, que deveria aumentar, caiu de 10 para 7 neste ano. “Infelizmente a gente não tem condições de apoiá-los da maneira que deveria”.

A Coordenadoria de Desporto da Universidade é responsável pelo desenvolvimento das atividades esportivas. É possível participar de aulas aquáticas como hidroginástica e natação; esportes de quadra, como tênis, handebol, vôlei; e lutas como o kung fu, judô, jiu-jitsu, aikidô e taekwondo. A média de preço em uma academia para essas práticas esportivas pode chegar a mais de 100 reais mensais e na UFMS as aulas são gratuitas. 

O mestre de capoeira José Leandro Leite, conhecido como Mestre Pequeno, tem 32 anos de profissão e dá aulas de capoeira-angola. De acordo com ele, a atividade é desenvolvida em parceria com a Coordenadoria de Cultura.


Aluno de capoeira limpa a quadra antes do treino

A capoeira tem cerca de 40 praticantes e dispõe de uma bolsa de extensão. As aulas acontecem  numa quadra coberta da universidade, que fica com grandes poças d’água quando chove em decorrência das goteiras do local. Segundo Mestre Pequeno, "os banheiros da quadra são reformados, mas vivem trancados. O bebedouro não tem água gelada, a quadra vive com goteira. A sensação é de frustração porque a capoeira é um esporte nacional, um projeto cultural que não é valorizado dentro da faculdade".

A academia da UFMS é um laboratório pedagógico e de pesquisa para os estudantes de Educação Física. O espaço carece de reparos e está fechado. De acordo com o coordenador do Curso, Junior Vagner Pereira da Silva, 37, o principal motivo para a academia não estar ativa são os equipamentos ultrapassados. “Nós até tentamos, no final do ano passado, reativar a academia. Conseguimos uma parceria com a fundação do esporte municipal, a Funesp, a qual iria disponibilizar um professor instrutor pra ficar na academia pra que a gente pudesse abrir o espaço. Esse professor, juntamente com um professor da universidade, fez uma avaliação desses equipamentos e chegaram à conclusão de que eles colocavam os usuários em risco”.

O custo da revitalização dos aparelhos foi orçado em 140 mil reais. Segundo Silva, devido aos cortes financeiros e atraso de repasses, a academia continuará fechada, sem previsão de reabertura.

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